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15+ Sinais ambíguos do nosso corpo que podem nos colocar em situações constrangedoras

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Você já desligou o áudio ao assistir a algum filme? Se não, experimente fazer isso. Você poderá notar o quão importante são as expressões faciais e a linguagem corporal. São elas que transmitem o contexto emocional das palavras e das ações. Joe Navarro, especialista em comunicação não verbal, conta, em seus livros e palestras, como descobrir o que as pessoas realmente estão pensando e como manipulá-las de tal forma a obter os resultados que se deseja.

Depois de ler as dicas do autor, o Incrível.club decidiu entender melhor sobre essa ciência e saber por que nossas palavras não nos afetam tanto quanto nosso comportamento não verbal. Acompanhe!

Por que o detector de mentiras não funciona e até para os especialistas é difícil identificar um mentiroso?

O comportamento de uma pessoa pode sinalizar o que ela realmente deseja, mas não é capaz de constatar que está mentindo. E esses são dois conceitos diferentes. Podemos apenas suspeitar que alguém esteja escondendo algo quando notamos que essa pessoa exibe um comportamento fora do seu próprio padrão. É assim que funciona o detector de mentiras: ele tenta identificar em que momento alguém exibe nervosismo, mas não determina o motivo dessa tensão. Por isso, os resultados de tais aparelhos não servem como provas em tribunais, mas podem ajudar os policiais a conduzir interrogatórios.

Nós mesmos somos capazes de “ler” os sinais nos outros, porém isso é raro. Ocorre, por exemplo, quando alguém fala em um tom agradável e se porta de forma amigável, mas temos a “sensação” de que há algo errado. Esse não é um legado das experiências de vida: crianças pequenas conseguem diferenciar, com clareza, os sorrisos sinceros dos forçados. Os pequenos também usam o mesmo mecanismo — inconscientemente — para manipular os adultos quando querem alguma coisa.

Tudo isso ocorre graças ao sistema límbico, responsável pelos sentimentos e emoções, pela criatividade, pelas reações involuntárias e pela adaptação às diferentes condições de vida.

A capacidade de “ler” os outros e manipulá-los com a ajuda da linguagem corporal se manifesta ainda nos estágios iniciais da infância (quando a criança manipula a mãe, por exemplo), o que pode ser observado no famoso experimento do “rosto imóvel”.

Sem muita experiência em comunicação com as pessoas, a criança lê rapidamente as emoções no rosto dos pais e sabe como influenciar o comportamento deles sem palavras.

A linguagem verbal nos humanos não existe desde sempre. Foi adquirida no processo de evolução. Por outro lado, a persuasão e a capacidade de compreender a linguagem não verbal sempre fizeram parte da nossa natureza.

Microexpressões e mímicas faciais

  • Durante uma conversa, podemos fechar os olhos quando não gostamos de alguma coisa — como se não quiséssemos nem ver aquilo —, tentando “fugir” do que foi dito. O mais interessante, no entanto, é que pessoas privadas da visão desde o nascimento (que dependem muito mais da audição) também fecham os olhos em tais situações, em vez de tapar as orelhas.

  • Franzir a região entre as sobrancelhas indica uma reação de desaprovação ou a presença de um problema oculto. A pessoa pode estar insatisfeita com alguma coisa específica ou simplesmente estar confusa com a situação em si.

  • Levantar as sobrancelhas rapidamente é uma maneira simples de cumprimentar alguém, expressar alegria ou mostrar aprovação em alguma circunstância. É especialmente útil quando não podemos nos expressar verbalmente ou quando se está usando uma máscara cirúrgica, por exemplo.
  • Enrugar o nariz e elevar o lábio superior: essa é uma microexpressão fácil de notar, que indica aversão ou reprovação. Pessoas que aplicam Botox, como forma de eliminar os temidos “pés de galinha”, podem ter problemas para demonstrar esse tipo de expressão — embora o produto dê um olhar mais jovem a qualquer um.

  • Olhos semifechados: usamos essa expressão quando tentamos enxergar algo de longe. Ou como uma reação à claridade excessiva. Durante uma conversa, porém, é diferente. Quando os cantos da boca se abaixam e a testa fica rígida, isso pode indicar que a pessoa não está gostando do que está vendo ou ouvindo.
  • Nossos olhos piscam mais vezes quando estamos em alguma situação desconfortável ou estressante. Isso não indica, necessariamente, que a pessoa esteja escondendo algo — é uma reação natural ao estresse. Dessa forma, quando alguém pisca rapidamente pode estar tanto incomodado com alguma coisa como tentando se lembrar de alguma informação importante.

  • Quanto mais sentimos estresse, mais contraímos os lábios e os músculos ao redor da boca. Muitos políticos fazem isso quando repórteres lhes fazem perguntas inesperadas. Mas não há nisso um contexto negativo: um encanador também irá contrair os lábios se estiver com dificuldades para finalizar um trabalho, por exemplo.
  • Uma assimetria facial muitas vezes é um indicador de que os pensamentos da pessoa não condizem com o que ela está dizendo ou com a forma como está agindo. Por exemplo: alguém sorri, mas mantém os músculos ao redor dos olhos contraídos. Ou ainda, exibe assimetria das metades do rosto — cada uma reagindo de forma diferente. Imagine alguém dizendo “eu te amo”, mas com o rosto e os dentes rígidos como pedra. O sentido da frase seria comprometido.

  • Coçar o nariz, manter a boca semiaberta e tossir levemente são algumas das características gestuais dos mentirosos — conhecidas como sinais do “Efeito Pinóquio”. Fazemos isso, na verdade, para tentar nos acalmar ou relaxar. Mas, novamente, o motivo do estresse não é claro: mentira ou apenas nervosismo?
  • Passar a língua entre os dentes (ou pressionar levemente as bochechas) pode ser reflexo de ansiedade. É possível notar esse tipo de comportamento em estudantes, quando estão fazendo alguma prova difícil, por exemplo. Ou também em empresários, quando precisam assinar algum contrato importante.

Linguagem corporal, movimentos involuntários e aparência

  • Braços cruzados: muitos acham que representa uma postura fechada, que é tomada por alguém que está tentando se isolar de algo desagradável. Na verdade, esse é um ato de autorrelaxamento (como se estivéssemos nos abraçando) para sentir mais confiança ou simplesmente trazer calma.
  • Inclinamos um pouco a cabeça para o lado quando a conversa está interessante e o assunto realmente prende a atenção. Se adicionarmos ainda alguns balanços com a cabeça, então concordamos com o que a pessoa está dizendo. Ao contrário, se a pessoa com quem estiver conversando esticar o pescoço e levantar a cabeça levemente, preste atenção: pode ser um sinal de que perdeu o interesse ou a confiança nas suas palavras.

  • Colocar as mãos à frente de forma que os dedos se toquem (mantendo distância entre as palmas) passa uma mensagem clara: tenho confiança. Em mim mesmo e naquilo que estou dizendo. Essa postura confere valor e importância ao discurso.
  • Tocar a garganta indica que a pessoa está perdida e vulnerável. Se durante uma conversa alguém fizer esse gesto, tente expressar empatia para deixar a pessoa mais confortável e tranquila.

  • Quando alguém coloca a palma da mão contra o peito e faz movimentos circulares na região, isso demonstra ansiedade. Essa reação é recorrente em pessoas que recebem notícias sobre o estado de saúde de algum membro da família, por exemplo.
  • Quando algo está nos incomodando, sentimos calor e temos a sensação de estar com falta de ar. Não apenas tocamos o pescoço, mas podemos também afrouxar o colarinho ou a gravata — como se tentássemos buscar mais ar.

  • Sentados à mesa, escondemos as mãos (ou as viramos para nós mesmos) quando ouvimos ou vemos algo com que não concordamos. O contrário também vale: apoiar as mãos livremente sobre a mesa mostra tranquilidade e interesse sincero na conversa.
  • Já a postura em que apoiamos as mãos na cintura pode ser interpretada de diferentes formas. Uma delas: dedos anelares para frente e os outros para trás. Esse é um sinal de interesse ou curiosidade. A outra postura: anelares para trás e os outros dedos para a frente. É quase o oposto da primeira. Representa uma vontade de manter a distância, isto é, proteger-se territorialmente — como se estivéssemos dizendo: “não chegue perto, afaste-se”.

  • O termo “proxêmica” foi criado para descrever como as pessoas ocupam espaços individuais em um meio social. Parte do espaço ao nosso redor é visto como uma extensão do nosso corpo; por isso, podemos reagir negativamente se sentirmos que alguém invade o nosso espaço. O grau de proximidade é determinado pela ligação emocional que temos com determinada pessoa. Quando vemos alguém estranho sentado num banco de rua, por exemplo, a primeira reação é sentar na extremidade oposta.

Características culturais e psicológicas

Muitos acreditam que alguém olha para o lado quando está mentindo. Na verdade, o “olhar perdido” — ou contato visual limitado — pode ser resultado de particularidades culturais, sociais ou psicológicas. Em alguns países, é comum não olhar diretamente e intensamente para a pessoa com quem se fala. Em outros, isso é considerado indelicadeza. É possível, também, que pessoas introvertidas tenham maior dificuldade de fazer contato visual com qualquer um.

Na dúvida, tente observar os músculos ao redor dos olhos: qualquer pessoa os contrai (mesmo que por uma fração de segundo) ao sentir raiva, desconforto ou estresse. Mesmo que essa pessoa esteja tentando parecer calma.

Uma dica: não avalie um gesto fora do contexto. O mais importante é comparar a linguagem corporal de uma pessoa com o comportamento habitual dessa mesma pessoa como forma de identificar possíveis desvios de padrão. Caso contrário, você poderá errar na interpretação.

Por exemplo, o que poderia ser considerado um sinal de nervosismo pode ser normal para alguém hiperativo. O contrário também é válido: se uma pessoa não é capaz de sentir empatia, aprenderá rapidamente a criar as devidas emoções no rosto para manipular os outros. Ou seja, uma empatia falsa ou “treinada”. Por isso, às vezes é melhor deixar esse trabalho com os psicólogos.

A empatia é uma linguagem universal. Consiste em tentar compreender os sentimentos e emoções dos outros. E é muito poderosa. O mundo mudou a atitude que tinha em relação às pessoas soropositivas quando a Princesa Diana segurou uma criança com HIV no colo durante uma transmissão televisiva. A atitude dela fez com que até os médicos tirassem as máscaras.

Influenciamos os outros, em grande parte, com nosso comportamento. Os sinais mais notáveis são passados por meio do contato físico próximo — a partir do momento em que podemos entrar no já mencionado “espaço pessoal” do outro. Lembre-se: quando amamos, geralmente queremos tocar.

Como mudar nosso comportamento para que os outros nos entendam melhor e levem nossas palavras a sério?

  • Preste atenção no rosto. Pessoas tendem a se afastar daquelas que franzem muito o rosto na região da testa e perto do nariz em situações cotidianas. Isso pode passar a ideia de que determinada pessoa está frequentemente com raiva ou estressada.

  • Mantenha distância. Respeitar o espaço deixará o outro mais relaxado, sentindo mais simpatia por você.

  • Cuide dos cabelos e das mãos. São as duas áreas em que as pessoas prestam atenção primeiro em uma conversa. Cabelos saudáveis e limpos são mais eficazes para conquistar a simpatia do que penteados mirabolantes. Mãos limpas e bem cuidadas, por sua vez, refletem o grau de organização pessoal.

  • Sorria mais. Essa talvez seja a dica mais fácil, mas ainda assim muito negligenciada. Se não souber sorrir, fique de frente para o espelho, olhe para si mesmo e... sorria! Você também pode gravar seu sorriso para uma câmera, treinando. Um sorriso sincero e amigável é a forma mais garantida de ganhar a confiança e a simpatia daqueles à nossa volta.

Quais truques você usa para “ler” a linguagem corporal das pessoas? E como sabe quando alguém está mentindo? Comente!

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