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9 Motivos pelos quais as avós não deveriam criar seus netos

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“A mãe cria, os avós estragam”. Você talvez já tenha ouvido essa frase, certo? Bem, o fato é que, diante do fato de que, cada vez mais, pai e mãe têm de trabalhar fora e dos altos custos para manter uma babá, muitos pais preferem delegar a criação de um bebê aos avós. O problema é que, algumas vezes, esses avós não seguem as orientações dos pais e mães em relação a como lidar com os pequenos. É nessas horas que muita gente pensa imediatamente no ditado que acabamos de mencionar. E surgem conflitos familiares. Afinal, há, nessa relação, um componente de conflito de gerações e o que é certo para os avós pode não fazer muito sentido para os pais e vice-versa.

Incrível.club é a favor da harmonia familiar. Por isso, decidimos avaliar os motivos pelos quais, segundo alguns especialistas, pode ser mais vantajoso não delegar a criação de um filho aos avós.

1. Métodos antiquados de cuidados do bebê

Antigamente, os pais davam banho nos filhos com a água a uma temperatura de 37 graus. Só que, segundo parâmetros atuais, não há problema em deixar as crianças tomarem banho a temperaturas entre 33º e 34º ou até menos. Isso ajuda, inclusive, a fortalecer a imunidade. Na época da antiga União Soviética, as crianças eram alimentadas com leite de vaca e sucos. Hoje em dia, existem as famosas fórmulas (misturas de leite em pó), que incluem todos os nutrientes necessários para o crescimento. Há algumas décadas, também era comum envolver uma criança de modo super firme em um cobertor ou manta. Mas pense bem: existe alguma criatura viva em nosso Planeta que não deixe seu filhote se mover? O fato é que, mesmo com os avanços na Medicina e na Educação Infantil, muitos avós continuam agindo de acordo com crendices antigas. E garantem que não irão “ouvir essas bobagens de hoje em dia” ou da Internet.

O que fazer: não tenha medo de discutir e explicar que hoje em dia a vida é diferente e que muitas das crenças do passado estão superadas. Deixe claro para a avó — seja ela sua mãe ou sogra — que, se quiser participar ativamente da criação do neto, será de acordo com suas regras.

2. Imposição do modelo de criação

Os métodos usados 30 anos atrás para criar um filho são bastante diferentes dos atuais. Muitas avós de hoje em dia foram criadas em uma época em que se acreditava que, se os pais carregassem demais o bebê, estariam “estragando a criança”, que cresceria mal-acostumada. Por isso, até hoje algumas delas subestimam a importância de demonstrar amor e carinho.

O que fazer: é importante estabelecer, logo no início, as regras de comunicação com seu filho e deixá-las muito claras a todos que participam da vida da criança. E isso, evidentemente, vale para os avós, sejam eles maternos ou paternos.

3. Excesso de mimos

Muitos avós pecam pelo excesso de mimos em relação aos pequenos. Um exemplo: em muitos lares, é normal as crianças ajudarem os adultos a lavar a louça após uma refeição. Muitas avós, no entanto, mesmo que essa seja a tradição na família, poupam os netos desses pequenos afazeres domésticos. A situação fica ainda mais complexa quando, na casa dos pais, as regras são mais rígidas. Nessas circunstâncias, a criança acaba não tendo clareza sobre como agir, já que são diferentes as mensagens que pais e avós passam às crianças.

O que fazer: mais uma vez, o ponto é conversar com os avós de maneira assertiva e deixar claro qual sua linha de criação, mostrando o que deve ser permitido e o que deve ser proibido. Se notar que os avós não concordam com seus parâmetros, procure argumentar de maneira racional, por meio de artigos de autores reconhecidos e matérias com base científica. Em geral, esse tipo de abordagem tende a funcionar, já que por mais que se apeguem aos próprios conceitos, no final das contas, os avós amam seus netos.

4. Controle da vida familiar

Ao cuidar diariamente do neto, a avó pode, sem querer, avançar aquela linha tênue que separa o interesse genuíno pela família da criança da simples bisbilhotagem. Essa é aquela situação em que a mãe ou sogra passa a se expressar sobre praticamente tudo da vida dos pais: como cozinhar, que tipo de produtos comprar para a casa e até sobre as diversões do final de semana. Ela pode, até mesmo, expressar sua insatisfação com o fato de que a mãe trabalha demais e não passa tempo suficiente com o seu filho: “Por que você está lendo ao invés de brincar com ele?”

O que fazer: estabelecer limites. Mais uma vez, é importante deixar claro qual a linha que sua mãe ou sogra não deve cruzar em nome da boa convivência familiar. Se você não está disposta a ouvir os conselhos da avó, deixe isso claro na primeira oportunidade. Caso contrário, há o risco de a situação sair do controle.

5. Diminuir a autoridade dos pais

A geração mais velha geralmente tem sua própria visão de como criar os filhos e às vezes se permite expressá-la na frente dos netos. Imagine a situação: a criança está se comportando mal e a mãe tenta acalmá-la e até ameaça deixá-la sem doces. Nesse momento, a avó se coloca entre a mãe e o pequeno e diz: “Não ouça sua mãe! Pare de fazer besteira e vamos comprar sorvete”. Ok, esse é um cenário um pouco exagerado, mas expressa com clareza a situação de perda de autoridade. Diante de uma situação como essa, as crianças tendem a levar os pais menos a sério, enfraquecendo seu poder de impor limites e estabelecer parâmetros.

O que fazer: é importante alinhar com todos aqueles que participam da vida diária das crianças que reclamações e comentários devem ser expressos longe da presença delas. Roupa suja se lava a portas fechadas.

6. Exemplo prejudicial ao desenvolvimento da criança

Devido ao excesso de trabalho, alguns pais deixam os filhos com as avós por um período excessivo de tempo, acreditando que essa é a melhor opção para sua criação. Mas as crianças aprendem copiando o comportamento dos adultos. Se os pais ficam no trabalho por um tempo exagerado, relegando sua criação aos avós, é possível que a criança passe a odiar esse trabalho com todas as forças. Mais: caso os pais reclamem do excesso de trabalho, os filhos tendem a se tornar adultos que que rejeitam o trabalho duro. É evidente que há outros fatores envolvidos no gosto ou não por sua profissão, mas seu filho terá, de cara, de lidar com esse estigma que não é nada positivo.

O que fazer: procurar ajustar o horário de trabalho para estar mais tempo com seus filhos. Sempre que possível, levar e trazer os pequenos da escola. Crianças que crescem em contato com os pais tendem a desenvolver percepções positivas, em que o trabalho duro está associado à recompensa do encontro com pessoas queridas. Por outro lado, o excesso de delegação da criação aos avós tende a desenvolver, nas crianças, o sentimento de que são um fardo para os pais.

7. Tomar decisões responsáveis

A criação de uma criança exige responsabilidade na tomada de decisões do dia a dia. E, se a mãe e o pai não assumem essas responsabilidades, a avó e o avô irão ocupar esse vácuo. E, como já mostramos, a forma de educar de pais e avós é, por definição, diferente.

O que fazer: como pai ou mãe, você deve assumir seus deveres. Se não se sente à altura dessa missão, forneça, ao menos os recursos físicos ou financeiros para os avós — roupas, alimentos, educação ou dinheiro em espécie. O importante, no entanto, é estar presente e encarar as responsabilidades, se não diretamente, dando parâmetro aos avós sobre o que fazer.

8. Cuidados excessivos

“Menino, olha o vento lá fora! Não vai sair sem agasalho!” Quem nunca ouviu essas frases de vó? Os avós são, em geral, supercuidadosos com os netos e tendem a colocar várias camadas de roupa diante da menor frente fria, por exemplo. Isso para ficarmos apenas no lado folclórico da coisa; há outros relacionados aos cuidados excessivos, como fazer a tarefa no lugar da criança. É claro que a intenção é a melhor, mas, na prática, esse tipo de atitude pode causar problemas, já que, para aprender (e crescer emocionalmente), a criança precisa encarar e superar desafios.

O que fazer: convide sua mãe ou sogra para passar um tempo em sua casa e deixe que observe a forma como você lida com as situações cotidianas da criança. Mostre de maneira sutil as responsabilidades que delega aos pequenos e como age diante de cada desafio que é colocado a seu filho. Então, procure deixar claro que é isso que espera dela como avó.

9. Alimentação excessiva

Esse é outro aspecto folclórico do tratamento que toda avó dispensa ao neto. Segundo estudos, crianças que vivem sob os cuidados dos avós apresentam maior risco de obesidade na comparação com aquelas que vivem com os pais. Os idosos são facilmente manipulados por crianças espertas. A maioria delas sabe que basta derramar uma lágrima para ter acesso a doces e guloseimas.

O que fazer: informar aos avós sobre os riscos associados ao excesso de peso, como os de alergias, diabetes, problemas cardíacos e asma, entre outros. É possível que sua mãe ou sogra tenha crescido em uma época em que a fome era um verdadeiro fantasma (especialmente as mais velhas, que ainda se lembram de histórias dos pais sobre a Segunda Guerra). Se é esse o caso, mostre a ela que, nos dias atuais, a maior preocupação dos especialistas é com o excesso de calorias ingeridas pelas pessoas, e não com a fome. No Brasil, por exemplo, mais da metade da população (55,7% das pessoas) está acima do peso, de acordo com o Ministério da Saúde.

Por que as avós se comportam dessa maneira

  • Necessidade de amor. A chegada do neto geralmente coincide com um período em que as pessoas de mais idade começam a se sentir solitárias. Nessa situação, elas tendem a “descontar” esse sentimento latente na forma de um amor excessivo às crianças. Para evitar esse comportamento, procure demonstrar o amor que sente por seus pais ou sogros. Se sentindo mais amados (e eles merecem!) eles poderão estabelecer uma relação mais saudável com os netos.
  • Necessidade de respeito. Essa também é uma fase em que geralmente os avós já se aposentaram e, portanto, perderam um dos fatores que definiam sua identidade, o posto de trabalho. O “cargo” de avô ou avó acaba sendo a única forma de reafirmar a própria competência — de maneira inconsciente. Se é esse o seu caso, procure ressaltar o quanto respeita os avós pelo que eles são, por seus valores e pelo que construíram, e não pelo “trabalho” na criação dos netos.
  • Para uma mãe, é difícil aceitar o amadurecimento de seu filho. Por isso muitas vezes por trás do controle e das críticas constantes por parte dos avós, há a relutância em reconhecer que sua filha ou filho já cresceu e que pode tomar decisões e cuidar da sua própria vida.
  • O próprio avô ou avó precisa de cuidados. Aqui, temos um outro tipo de situação. Os pais devem ter clareza sobre o fato de que, por mais que às vezes seja importante estabelecer uma distância saudável dos avós, também é fundamental estar por perto, pois eles (os avós), talvez precisem de ajuda em eventuais emergências médicas. E não se esqueça de agradecer sempre seus pais ou sogros pelo apoio e participação.

Qual modelo de relacionamento é apropriado?

Independentemente de qual seja o padrão de relacionamento com seus pais ou sogros por conta da criação de seus filhos, um ponto é inquestionável: deve haver respeito e compreensão. Avós geralmente possuem mais tempo livre, que pode ser super bem aproveitado na criação dos netos — desde que haja interesse, é claro. E as atividades com as crianças podem, inclusive, ser as mesmas que já são hobbies para os mais velhos.

Por exemplo, se a avó gosta de plantar no seu jardim ou quintal, pode levar os netos e ensiná-los a lidar com a terra. Se o avô gosta de carros, também pode incutir seu gosto nas crianças. Esse tipo de lazer ajuda no desenvolvimento dos filhos e fortalece a relação. Um avô ou avó que se preocupe de verdade com o crescimento emocional dos netos fará todo o possível para que não haja conflito com os pais. É necessário criar um ambiente que permita às crianças se desenvolverem física e psicologicamente para se tornarem adultos seguros e sem traumas.

E na sua família, quanto tempo os avós costumam passar com os netos?

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