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8 Ações que podem deixar sua relação com as crianças ainda mais leve e respeitosa

A jornada da maternidade e paternidade pode ser desafiadora em muitos sentidos, afinal, além de criarmos um ser humano para o mundo, também precisamos nos deparar com a nossa própria criação e pensar: quais ensinamentos e condutas eu devo passar para o meu filho e quais devo relembrar para não repetir? Em muitos casos, essa jornada pode ser dura mas, provavelmente, também será recompensadora!

Nós, do Incrível.club, acreditamos que criar pessoas na base do afeto e respeito é o melhor para elas mesmos e para o mundo. Convidamos você a conhecer algumas ideias de seis especialistas brasileiros que se dedicam a produzir informações para transformar a relação das famílias com a infância. Confira!

1. Reconheça seus limites

Antes de olhar para a criança, é preciso olhar para si mesmo. Saber acolher os próprios sentimentos é tão importante quanto acolher o seu bebê, afinal, não podemos salvar o outro se nós mesmos estamos afundando, não é mesmo? Mães e pais são seres humanos e saber lidar com o sentimento de culpa e frustração, que invariavelmente vai aparecer em algum momento, é fundamental para criar uma relação respeitosa consigo mesmo e com o outro.

Marcia Tosin, psicóloga criadora do movimento neurocompatível, também busca humanizar o olhar dos pais sobre si mesmos: “Abraça a tua falha, o teu choro, o teu grito. O teu cansaço, a tua culpa, o teu erro. O amadorismo, a falta de resposta, o que saiu fora do controle e o teu descontrole. Tudo isso faz parte da sua maternidade e paternidade. Honre sua imperfeição. Está tudo bem”, escreve nas redes. Marcia defende a ideia de que a relação entre pais e filhos deve ser baseada na dignidade humana, livre de práticas de punição e submissão e, principalmente, balizada pela confiança nos processos de amadurecimento físico, psicológico e emocional das crianças, que ocorre naturalmente, sem a necessidade de pressões de qualquer natureza.

2. Acolha suas vulnerabilidades

O sentimento da falha é outro que é bastante experimentado por mães e pais na missão de educar, seja por algo que não conseguiram suprir, por algum episódio de descontrole ou após algum episódio de mau comportamento dos filhos.

“Nossas crianças e adolescentes não são nossos estandartes ou cartões de visita. Não são nosso selo de bons pais ou boas mães. A nossa qualidade como pais não pode ser medida pelo comportamento do outro, ou viveremos numa montanha russa, oscilando entre céu e inferno algumas vezes por dia. Você é boa ou bom o suficiente independentemente do comportamento do outro, e essa é uma construção interior que apenas você pode fazer. E quando estou convicta disso, o mau comportamento vira só um mau comportamento. Não vira uma luta ou um atestado de incompetência”, escreve Elisama Santos, psicanalista, escritora e comunicadora que também se dedica a disseminar informações úteis sobre a educação respeitosa e a comunicação não violenta.

3. Esqueça as ideias ultrapassadas

Criar um vínculo seguro com os filhos deveria ser algo natural e sem dificuldades mas, infelizmente, essa construção é bastante dificultada por fatores culturais externos como, por exemplo, a ideia bastante disseminada de que “colo demais estraga e deixa mimado”, ou mesmo pela necessidade de voltar ao trabalho o mais rápido possível. Apesar de diversos estudos já terem comprovado que a falta de colo é extremamente maléfica para os pequenos podendo, inclusive, afetá-los em nível molecular, esse pensamento ainda é bastante difundido, inclusive entre alguns pediatras.

Thais Basile, psicanalista e psicopedagoga, defende a ideia de que oferecer o colo para a criança não só é benéfico como deve ser estimulado para que ela se sinta protegida e reconhecida em suas necessidades: “O colo dá para a criança a sensação de sustentação, de segurança, de apego, de que pode se tornar uma pessoa porque alguém a vê e a trata como uma pessoa. Não acredite na vizinha ou no pediatra desatualizado que diz que ’colo demais estraga’. Já temos pessoas estragadas o suficiente”, escreve.

4. Aprenda a acolher as crianças

As pessoas nascidas até a década de 90, provavelmente experimentaram uma educação mais rígida e autoritária, já que essa era a norma cultural até então. Nesse contexto, se você faz parte da geração z, aprender a acolher pode ser uma ótima solução para melhorar a relação e o vínculo com seus filhos e com as crianças em geral.

“Acolher é sobre a disponibilidade de quem oferta e também sobre o desejo de quem precisa ser acolhido e isso significa sair do controle ou da resposta certa e deixar que o outro conduza, o que pode ser assustador. Acolher, para mim, tem a ver com sustentar, dar conta de si e também do outro, mas não tem regra, não tem um como, porque isso depende de quem precisa ser acolhido.(...) O seu acolhimento não resolve o problema, não estanca a dor. É apenas um lembrete para o outro, de que ele tem com quem contar, nas travessias que são íntimas e muito particulares”, escreve Lua Barros, educadora parental e escritora que se dedica a ajudar pais, mães e cuidadores a entenderem mais sobre si mesmos para conseguirem lidar melhor com os desafios da criação de seres humanos.

5. O sofrimento não ensina nada de bom

Outro pensamento danoso e bastante comum é o de “aprender pelo sofrimento”. É comum que muitas pessoas tenham uma sensação de gratidão pelos pais e pela criação que tiveram, mesmo que ela não tenha sido respeitosa ou que tenha sido repleta de traumas. “’Agradeça pelo que te aconteceu, te fez chegar onde você está.’ Esse discurso é danoso! Ninguém precisa passar por sofrimento para conquistar realizações. Adultos realizam conquistas apesar do que lhes aconteceu. Não romantizem trauma e sofrimento”, declara Maya Eigenmann, pedagoga e educadora parental, que se dedica a desconstruir essa ideia e a povoar o imaginário popular com outra: “A raiva não educa. A calma educa”.

Como estratégia lúdica, ela se utiliza de exemplos que provocam desconforto, mas também reflexão, questionando seus seguidores sobre situações hipotéticas, como: “O que aconteceria se víssemos um marido tratando a esposa da mesma maneira que os adultos, costumeiramente, tratam as crianças?”, ou então, perguntando abertamente: “Se você tratasse seus amigos da mesma maneira que trata seus filhos, quantos amigos restariam?”, provoca.

Além das provocações para fazer refletir, Maya compartilha algumas dicas práticas de como lidar com a própria frustração e raiva antes de acabar descontando na criança. Segundo ela, é importante respirar, reconhecer os próprios limites e saber se afastar em alguns momentos, para se acalmar antes de tentar acolher a criança. Essa conduta evita explosões e a perda de controle dos pais sobre seus próprios sentimentos. Uma vez que o adulto já está mais calmo, aí sim, estará em condições emocionais e psicológicas para conversar com a criança de uma maneira respeitosa.

6. Birra é coisa séria

Elas são o verdadeiro pânico de praticamente todos os pais! São temidas, odiadas, causam vergonha e desconforto, mas são um mecanismo necessário para a comunicação das crianças e de seu cérebro imaturo. Não adianta combater e punir: uma hora ou outra você estará presenciando uma birra do seu filho, seja em casa ou em algum ambiente público. Melhor se preparar psicologicamente e emocionalmente para deixar de lado aquela vozinha, construída por anos de uma cultura centrada nas necessidades dos adultos, que insiste em afirmar que “birra e manha são frescuras”, e acolher quem realmente precisa, seu filho.

As birras são a maneira pela qual as crianças conseguem expressar uma dor ou frustração, um sofrimento verdadeiro que, para você, pode até ser por algo “bobo”, mas para ela, é o maior problema do mundo naquele momento! “As birras são as defesas das crianças. Foram moldadas na nossa história evolutiva. São a prova de que as crianças não estão aqui para nos servir. Vão existir milhares de cursos e dicas para acabar com elas. Quanta perda de tempo! Mudemos a cultura, porque a biologia não se muda”, afirma Marcia Tosin.

7. Duvidar de si mesmo faz parte do processo

Duvidar de si mesmo, das próprias atitudes e conduções é comum a todos os pais e mães que tentam fazer algo diferente, seja porque as recomendações nos cuidados com as crianças evoluíram, seja porque não experimentaram uma relação afetuosa na própria infância. As dificuldades em quebrar um ciclo e criar um outro mais saudável com os próprios filhos fazem parte do processo, principalmente se você convive com familiares que têm opiniões divergentes e que acham que o ato de educar está ligado à coerção e ao medo.

“Se você está tentando quebrar o ciclo transgeracional de educação pautada em medo e afastamento, saiba que faz parte se questionar se ’está fazendo certo’, temer, sentir que está nadando contra a corrente. Educar um ser humano com respeito é uma trabalheira emocional pro adulto. Tomar as decisões que achamos ser as corretas também dói e dá trabalho”, pontua Thais Basile.

8. A infância precisa ser respeitada

Até pouco tempo atrás, expressões como “criança não tem querer”, “a porta da rua é a serventia da casa”, e outras muito piores eram comuns no trato com as crianças. Uma educação autoritária, recheada de medo e ameaças era considerada normal e até mesmo desejável. Incomum mesmo eram as casas onde as crianças tinham voz e vontades e onde o diálogo com os pais era possível. Respeitar os mais velhos era a conduta esperada mas, em troca, nenhum respeito era dado às crianças. Se a sua educação foi dessa maneira, saiba que é possível quebrar o ciclo e fazer diferente. Não é fácil, mas com informação você pode chegar lá.

Falamos muito sobre como as crianças devem respeitar os adultos e pouco sobre como os adultos devem respeitar as crianças”, diz Thiago Queiroz, escritor, palestrante, educador parental, psicanalista em formação e criador dos podcasts Tricô de Pais, Coisa de Criança e Vai Passar — este último em parceria com Elisama Santos. Thiago compartilha em seus canais algumas dicas sobre como construir uma parentalidade mais afetuosa, sensível e respeitosa, principalmente para pais que cresceram sem usufruir desses cuidados.

Quais são as maiores dificuldades que você tem ou teve para educar seus filhos? Faria algo diferente se pudesse voltar atrás? Quais aspectos da sua própria criação você manteve e quais abandonou? Compartilhe sua experiência nos comentários!

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