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É verdade que o pássaro João-de-barro prende parceiras infiéis?

Quem nunca se encantou com casinhas do João-de-barro? Essa ave nativa aqui da América do Sul (e típica do Brasil) é conhecida justamente pelas casinhas que constrói e faz parte do folclore de várias regiões, sendo personagem de lendas. A ave já virou até tema de uma canção, que ficou famosa na voz do cantor Sérgio Reis.

Pensando nisso, o Incrível.club decidiu contar algumas curiosidades sobre o simpático pássaro que leva fama de ciumento e também de bom arquiteto. Confira só!

O ninho amoroso

O ninho é construído em conjunto, por macho e fêmea — que é conhecida como Joaninha-de-barro ou Maria-de-barro, entre outros.

Como bons arquitetos, o João e a Maria constroem uma parede dentro da casinha; uma espécie de divisória que separa a entrada (uma espécie de sala de estar) do ninho propriamente dito — isso para diminuir as correntes de ar e evitar o acesso de possíveis predadores. Afinal, toda mãe sabe que é importante ter tranquilidade para cuidar de um recém-nascido.

A construção do ninho demora entre 18 dias e um mês, dependendo da existência de chuvas e, portanto, da existência de mais ou menos barro na natureza.

Embora sejam cuidadosos na construção do ninho, os pássaros gostam de variar. Eles não costumam utilizar a mesma casinha por duas temporadas seguidas, parecendo realizar um rodízio de ninhos — cada casal possui de dois a três casinhas.

O macho que tem má fama

E, embora seja um pássaro super querido por suas habilidades, a fama do macho é de ciumento e vingativo, como a canção cantada por Sérgio Reis sugere.

“Cego de dor, trancou a porta da morada
Deixando lá a sua amada presa pro resto da vida”

Essa fama pode ter a ver com o fato de que, com alguma frequência, chupins (outra ave bem conhecida aqui no Brasil) se aproveitam do período de choca dos Joões-de-barro para pôr ovos no mesmo ninho, deixando para a família do João o trabalho de criar os pequenos chupins — outra ’vítima’ dessa prática dos chupins são os sabiás.

A suposta prática de prender a fêmea no ninho é retratada não só na música que mencionamos, mas faz parte de muitas lendas. Porém, cientificamente, não existe nenhuma comprovação de que ocorra.

Lenda do João-de-barro

Conta-se que havia um homem chamado João. Ele era muito bondoso e fazia casas com barro e capim, cuidando sempre para fazê-las na posição correta (viradas para o nascer do Sol). Muito bondoso, não cobrava nada para construir casas. Só que, depois de tanto esforço, João acabou morrendo, extenuado.

Todos entraram em prantos por causa da morte de João. Para consolá-los, Deus criou o “João-de-barro”, fazendo sua casa de barro e capim, sempre virada para o nascer do Sol.

Um dia, conta-se, brigou com Tapera (andorinha), que chegou a dominá-lo e despejou-o do ninho ainda em construção. A fêmea ajudou na construção do ninho, mas parece não ter sido constante, abandonando o macho. O João-de-barro seria fiel até o fim e, por isso, quando percebeu que a esposa mudou de amor, tapou a abertura da casa, fechando-a para sempre.

Lenda indígena

Conta a lenda que em uma tribo do sul do Brasil, o jovem Jaebé se apaixonou por uma moça de grande beleza e foi pedi-la em casamento. O pai dela perguntou quais provas de força Jaebé poderia dar para se casar com a moça mais bela da tribo. Rapidamente o jovem respondeu:

— As provas do meu amor!

O pai da moça gostou da resposta, mas achou o jovem atrevido. O velho contou que o último pretendente prometeu ficar cinco dias de jejum, porém morreu no quarto dia. Jaebé desafiou:

-Ficarei nove dias em jejum e não morrerei.

Todos da tribo ficaram admirados com a coragem do jovem.

Para iniciar a prova, Jaebé foi enrolado em um pesado couro de anta e ficou dia e noite sob vigilância para que não fosse alimentado. A moça implorou à deusa Lua que o mantivesse vivo. O tempo passou e em uma manhã a filha pediu ao pai:

— Já se passaram cinco dias. Não o deixe morrer.

Mas o pai relutou:

— Ele é arrogante, falou nas forças do amor. Vamos ver o que acontece.

Na última noite da prova, o pai da moça ordenou:

— Vamos ver o que resta do arrogante Jaebé.

Quando abriram o couro, o jovem saltou ligeiro. Seu olhar brilhou, seu sorriso tinha uma luz mágica. Ninguém podia acreditar que quando, ao ver sua amada, o jovem se pôs a cantar como um pássaro enquanto se transformava, aos poucos, em uma pequenina ave.

E naquele momento a moça, tocada pelos raios do luar, também se transformou em pássaro. Ambos voaram e desapareceram pela floresta. Devido ao seu trabalhado árduo e astuto, o João-de-barro constrói sua casa com tanta habilidade e presteza junto com a fêmea.

Você acredita que o João seja realmente ciumento? Conte aqui nos comentários 😄

Imagem de capa Elio Costa/ Facebook