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Autora do Incrível mudou-se da Venezuela para a Argentina, e contou o que mais a surpreendeu neste país

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Olá! Meu nome é Daniela e quero compartilhar com vocês minha experiência de viver na Argentina. Como muitos outros venezuelanos, fui forçada a emigrar do meu país em busca de uma melhor qualidade de vida. Mas, felizmente, em minha nova casa, descobri a razão pela qual a cultura da terra do tango é admirada em todo o mundo e porque muitos turistas visitam essa nação em busca de aventuras maravilhosas.

Hoje, quero falar com os leitores do Incrível.club sobre minha experiência como imigrante na Argentina e contar sobre alguns dos lugares que tornam esse país tão fascinante.

Da Venezuela à “Cidade da Fúria”

Saí da Venezuela em 2017 devido à complicada situação política e econômica pela qual atravessava o país. Antes de emigrar, avaliei minhas opções, pois, como eu, muitos venezuelanos que haviam decidido partir estavam procurando amizades em outras cidades que pudessem aconselhá-los sobre o caminho a seguir. Embora nunca tivesse tido a oportunidade de visitar a Argentina, sempre tive curiosidade sobre a terra do tango e do mate. Além disso, tudo o que ouvia sobre o país era positivo.

Como a maioria dos meus compatriotas, escolhi a cidade de Buenos Aires para morar. No entanto, alguns optaram por residir no interior do país. As pessoas que escolhem principalmente a Argentina como destino para emigrar são jovens: 42% delas têm entre 26 e 35 anos. Além disso, de acordo com um relatório apresentado pela Organização Internacional para as Migrações, a maioria das pessoas que chega ao local possui diplomas universitários e pós-graduação. A flexibilidade de vir de uma nação que pertence ao MERCOSUL permite que seja um pouco mais fácil entrar e se instalar, mas, sem dúvida, essa não foi a única razão pela qual decidi me mudar para este belo país.

O que mais gosto da Argentina

Uma das melhores coisas de se viver na Argentina são as pessoas. Os argentinos são muito calorosos, amigáveis ​​e abertos, mas principalmente generosos. Todos os que tive a oportunidade de conhecer falam com respeito e estão sempre dispostos a ajudá-lo no que você precisar. Embora estejam apenas começando a conhecê-lo, não hesitam em convidá-lo para os terraços de suas casas para comer um assado e tomar mate. Além disso, eles têm o hábito de usar automaticamente o diminutivo de seu nome ou apelido, de modo que até o pessoal do supermercado me chama de Dany.

A Argentina apresenta uma mistura única de culturas, da histórica à contemporânea, graças à variedade de diferentes grupos étnicos e imigrantes que nela se estabeleceram. Isso facilita a adaptação às pessoas. Além disso, o país produziu alguns dos escritores mais importantes da América Latina, como Jorge Luis Borges e Alfonsina Storni, além de ter uma cena teatral e cinematográfica movimentadas. Você pode facilmente mergulhar no mundo das feiras de arte, festivais de música, centros culturais e museus.

Vindo de um país do Caribe como a Venezuela, uma das coisas mais difíceis para me adaptar foi o clima da Argentina, que me permitiu experimentar as quatro estações pela primeira vez. Embora os invernos em Buenos Aires não sejam tão severos e as temperaturas raramente caiam abaixo de 5 graus Celsius, essa estação é a mais difícil para mim. Os verões, por sua vez, são quentes e longos. Ao contrário do hemisfério norte, em dezembro há uma temperatura agradável, já que o país está no meio do verão nessa época, então você passa um Natal muito quente. No meu caso, tive que investir em um novo guarda-roupa, porque passa rapidamente do frio para o calor e de um dia ensolarado para um chuvoso.

As tardes nos parques

É impressionante o grande número de belos parques e espaços verdes disponíveis ao público na cidade. Durante os dias ensolarados, você pode encontrar grupos de pessoas descansando enquanto saboreiam seu mate, tomam sol, passeiam com seus cães ou andam de skate nas muitas ruas arborizadas. Especialmente nos finais de semana, muitos eventos familiares são realizados nos espaços verdes, grande parte deles gratuitos.

Talvez, uma das experiências mais especiais que vivi nessa cidade foi passear pelo jardim de rosas, mais conhecido como “El Rosedal”, localizado no bairro de Palermo. Este parque parece retirado de uma história romântica: seus caminhos serpenteiam por labirintos enormes de rosas que florescem em diferentes cores. É comum ver casais andando de mãos dadas entre os vários caminhos ornamentados com plantas.

Explorar as cidades próximas a Buenos Aires

Uma das coisas das quais mais sinto falta do meu país é o Caribe, e poder ficar na praia a alguns passos de minha casa. Felizmente, quando sinto essa saudade, pego um trem e viajo para Mar del Plata, uma cidade localizada a cerca de cinco horas da capital. Lá você pode passar um fim de semana longe do caos de Buenos Aires e relaxar sentada na areia de frente para o mar. Nessa cidade pode-se encontrar uma variedade de restaurantes de frutos do mar e casas noturnas para dançar.

Quando quero explorar outras áreas próximas à capital, também faço pequenos passeios para cidades vizinhas. Duas das minhas favoritas são Tigre e San Isidro. Na primeira delas, você tem a oportunidade de caminhar pela avenida ou fazer compras em Puerto de Frutos. Durante os meses do verão, muitos se animam a visitar o parque de diversões “Parque de la Costa”, ou tomar um catamarã e fazer um passeio de uma hora pelo Delta. Por outro lado, em San Isidro, há dias de piquenique em frente ao rio, e você também pode fazer compras na feira.

É a cidade com mais livrarias per capita no mundo

Se você é amante da leitura tanto quanto eu, pode se deliciar em Buenos Aires, a cidade que tem mais livrarias per capita do que qualquer outra no mundo, de acordo com um estudo realizado pelo World Cities Culture Forum, em 2015. Com uma população de cerca de 2,8 milhões, a capital possui cerca de 734 livrarias, aproximadamente 25 para cada 100.000 habitantes.

A mais famosa é a Ateneo Grand Splendid, que foi classificada como a mais bonita do mundo pela revista National Geographic, em 2019. A livraria histórica abriu suas portas em 1919. No entanto, naquela época, ela funcionava como um teatro onde eram apresentados espetáculos de tango e concertos. Atualmente, mantém sua arquitetura original, incluindo cortinas de veludo vermelho e o palco, que agora é uma aconchegante sala de leitura.

Atividades durante os fins de semana

Depois de passar a semana inteira trabalhando, posso facilmente visitar alguns dos lugares da cidade que, na maioria das vezes, oferecem atividades gratuitas. Um dos meus favoritos é o bairro da Recoleta, um dos mais agradáveis ​​de Buenos Aires. Durante os dias de folga, você pode ver pessoas caminhando por suas ruas coloridas ou comendo em um de seus populares restaurantes e bares. Entre as atividades gratuitas estão o Cemitério da Recoleta, o centro cultural e a Flor da Recoleta. A última é uma escultura em forma de flor que imita o comportamento das espécies na natureza, por isso foi projetada para abrir suas pétalas às 8 da manhã e fechá-las novamente ao pôr do sol. Enquanto está fechada, pode-se ver uma luz vermelha brilhante dentro dela.

Há muitos espaços culturais que você pode visitar, assim como diferentes museus. Entre eles está o Centro Cultural Kirchner, localizado a poucos metros da Casa Rosada. O impressionante edifício tem exposições artísticas em todas as suas salas.

Transporte

Fiquei impressionada com a tamanha organização do transporte público e como é fácil circular pela cidade. Caminha-se muito, mas também podemos ver pessoas andando de bicicleta, e existe até um sistema gratuito para alugá-las por hora. Existem diferentes meios de transporte. Os ônibus (ou “coletivos”, como costumam ser chamados coloquialmente), o metrô e os trens são as formas mais populares de se locomover pela cidade, principalmente durante o dia.

Alugar na Argentina

Alugar um imóvel é uma questão complicada para estrangeiros, principalmente por causa da quantidade de requisitos exigidos. Para locar um apartamento, a maioria dos proprietários exige que você apresente um fiador argentino, mas, caso não tenha, pode comprar um seguro-caução. Pessoalmente, optei pela segunda opção, mas é um pouco cara, pois, além disso, você deve pagar o aluguel de um mês adiantado e um mês de depósito. Então, antes que eu pudesse alugar meu próprio apartamento, tive que economizar bastante dinheiro.

É um país amigável com os animais de estimação

Os amantes de animais provavelmente amarão estar na Argentina, pois é o país da região com mais animais por lar. Segundo as estatísticas, 78% da população tem um amigo peludo em casa. Por esse motivo, é normal ver tigelas com comida e água disponíveis para cães fora dos restaurantes. Dessa forma, as pessoas podem almoçar fora de casa enquanto seus pets também relaxam. Meu gato, Harry, está acostumado a sair para passear e se diverte andando pelos parques, principalmente quando o tempo está bom.

Além disso, em geral, os argentinos tendem a adotar, por isso há poucos animais de rua. É comum ver passeadores de cães profissionais acompanhados por 10 ou mais cachorros nas avenidas.

“Che”, “pancho” e outras palavras coloquiais dos argentinos

Embora a maioria das pessoas no mundo possa associar a palavra “che” aos argentinos, existem muitas outras expressões que eles usam todos os dias e que não são tão conhecidas. A primeira vez que meu chefe me disse: “Você tem um cachito?”, pensei que ele estava me pedindo pão, porque, na Venezuela, um “cachito” é um pedaço de algum alimento. No entanto, essa frase significa “Você tem um minuto?” Em várias ocasiões, eu não conseguia entender o que os outros me diziam, porque tinha vergonha de pedir que repetissem algo pela quinta vez. No entanto, pouco a pouco me adaptei ao vocabulário e ao sotaque, e até comecei a usar suas palavras no meu dia a dia. Por exemplo, se eu for comer um cachorro-quente, digo “vou comer um pancho”.

Começar do zero em outro país não é fácil, e há muitos obstáculos que devem ser superados. No entanto, para mim essa experiência foi uma aventura, graças à receptividade e simpatia dos argentinos e à beleza do país. Talvez seja por isso que 165.688 venezuelanos entraram na Argentina entre 2014 e 2019, de acordo com dados revelados pela Direção Nacional de Migração.

O que mais lhe surpreendeu na Argentina? Você já teve a oportunidade de visitar esse país? Conte para a gente nos comentários.

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