12 Mitos sobre os piercings nas orelhas e outras partes do corpo

piercing é uma antiga modificação do corpo, tendo sido usado por diferentes povos do mundo durante milhares de anos. Apesar de sua longa história, existem muitas ideias falsas, até mesmo com relação às perfurações mais comuns, o que pode gerar complicações e problemas.

Incrível.club decidiu desfazer os mitos mais comuns para que nada o impeça de desfrutar de acessórios bonitos nas orelhas e em outras partes do corpo.

1. A pistola para piercing é melhor que a agulha

Perfurar o lóbulo da orelha com uma pistola para piercing provavelmente seja um dos métodos mais populares e, ao mesmo tempo, mais perigosos para fazer uma perfuração. Pelos seguintes motivos:

  • Durante a espetada, partículas de sangue podem cair no instrumento. A pistola para piercing de plástico é impossível de ser desmontada completamente e ela não é colocada em água fervida ou em autoclave para ser esterilizada com vapor. É por isso que existe o risco de contrair uma doença, até mesmo hepatite viral, cujos patógenos não são eliminados com uma simples fricção com álcool;
  • A perfuração com uma pistola é realizada com um brinco ligeiramente afiado. Ao contrário de uma agulha especialmente afiada e oca, o brinco literalmente rasga o tecido do lóbulo da orelha. Tal ferida será curada com muito mais dificuldade e demorará mais tempo. Se você furar a cartilagem com a pistola, por exemplo, a parte superior da orelha ou a asa do nariz, as complicações estarão praticamente garantidas;
  • Ao usar uma pistola, a orelha é pressionada, o que aumenta ainda mais o risco de lesão. Por esse mesmo princípio, a pistola não pode simplesmente fazer uma perfuração reta exatamente na linha de marcação: a probabilidade de que ela fique assimétrica é muito grande.

2. Numa perfuração recém-feita deve-se colocar um brinco de ouro, prata ou mesmo de aço cirúrgico

Outro dos mitos estabelecidos é a convicção de que o piercing pode levar a uma dermatite alérgica.

  • O ouro de alta qualidade (18 e 24 quilates) é difícil de encontrar e, claro, custa muito dinheiro. O mais comum é o de 14 quilates, que consiste de 58,5% de metais preciosos e 41,5% de “aditivos” (níquel, cobre, prata e paládio). Destas impurezas, o níquel representa um perigo especial, já que é considerado o metal que mais causa alergia e pode desencadear diferentes formas de dermatite por contato. Ele é encontrado principalmente em produtos de ouro branco — no amarelo, o cobre geralmente prevalece;
  • Uma excelente variante para uma perfuração recente poderia ser a prata 925, se ela não oxidar: essa reação química não contribui para a cicatrização;
  • O aço inoxidável é classificado como um metal hipoalergênico. As agulhas para perfurações são feitas com ele. Mas nem todos os aços cirúrgicos são adequados para uso durante a cicatrização. Deve ser usado unicamente o aço não fundido de alta qualidade, ou seja, sem impurezas. Mas é bem difícil encontrá-lo;
  • Para uma perfuração pela primeira vez, é melhor usar materiais que não mantenham um contato ativo com a pele. Por exemplo, o titânio leve e hipoalergênico (é um metal durável usado em próteses e implantes dentários) ou polímeros biocompatíveis (bioplástico, bioflex, politetrafluoretileno — o famoso teflon). Na verdade, esses produtos flexíveis precisam de uma renovação constante, já que depois de alguns meses eles podem endurecer e começar a perder a cor.

3. Qualquer tipo de brinco pode ser colocado
em uma perfuração recente

Na verdade, muitos acessórios de joalherias não são adequados para um piercing recém-feito.

  • Neles, é muito comum o uso de uma rosca externa, na qual a sujeira e a serosidade se acumulam e a peça de fixação pressiona o tecido circundante. Além disso, a maciez da superfície muitas vezes deixa a desejar;
  • Os acessórios especializados para piercings são polidos com muito mais cuidado e a rosca que possuem é interna. Tais objetos são mais difíceis de usar, no entanto a ferida cicatriza consideravelmente mais rápido. Além disso, pode ser escolhido o comprimento ideal da peça, utilizando uma margem calculada sobre o inchaço, que frequentemente aparece após a perfuração.

4. Os brincos devem ser removidos com frequência

Esse é um dos conselhos mais prejudiciais que se pode dar a uma pessoa que escolheu ter um piercing em qualquer parte do corpo.

  • A remoção frequente dos brincos “para que não enferrujem” realmente machuca a ferida, que pode levar mais tempo para cicatrizar. Aliás, justamente por isso, muitos especialistas em piercing não recomendam colocar uma argola imediatamente na perfuração da cartilagem da orelha ou da asa do nariz: esse tipo de acessório mexe mais em comparação a um reto;
  • Se você cuidar de uma perfuração recente da maneira correta, bastará mover um pouco e cuidadosamente os brincos para limpar e desinfetar a perfuração e a peça.

5. A água oxigenada é sua melhor amiga

O peróxido de hidrogênio, apesar de ser amplamente utilizado por muitos anos, é uma substância ainda controversa.

  • Você se lembra como forma uma espuma quando se aplica a água oxigenada numa ferida? Este efeito limpa, hidrata e remove a sujeira. No entanto, os cientistas continuam pesquisando para entender se o peróxido destrói as células responsáveis ​​pela restauração do tecido conjuntivo para curar a ferida. Os resultados ainda são contraditórios;
  • Em relação à ênfase nas propriedades desinfetantes do peróxido, as opiniões dos cientistas também estão divididas. Mas, se confiarmos na lista de medicamentos básicos da Organização Mundial da Saúde, há apenas 3 antissépticos: clorexidina, etanol e povidona-iodo. Como você pode ver, a água oxigenada não entra na lista;
  • Dos antissépticos mencionados, somente a clorexidina pode ser usada em uma perfuração recente. Tendo em vista o seu uso ativo na odontologia, é adequado para o cuidado de perfurações na boca. Leve em conta que, ocasionalmente, o enxaguatório bucal com clorexidina causa um ligeiro amarelar dos dentes (no final do “tratamento”, voltará a brancura anterior);
  • Quando a perfuração tiver cicatrizado, o desinfetante pode ser substituído por uma solução salina farmacêutica (cloreto de sódio). A Associação de Perfuração Profissional também propõe uma solução salina caseira: 1/8 a 1/4 colher de sopa de sal marinho não iodado em 250 ml de água potável. É importante não aumentar a concentração de sal, para não irritar a ferida.

6. A perfuração (não) dói

O mito pode ser considerado em ambas as afirmações: “dolorido” e “não dolorido”, já que o limiar da dor é uma coisa individual. O que pode não causar muita dor em uma pessoa, pode beirar o insuportável em outra. Mas, ainda assim, é possível definir uma escala de dor de diferentes tipos de piercing.

  • As perfurações menos perceptíveis em termos de sensações desagradáveis ​​são aquelas feitas nas partes finas dos tecidos moles: lóbulo da orelha e umbigo;
  • As perfurações mais doloridas estão nos locais onde há mais terminações nervosas e a densidade do tecido é maior: sobrancelhas, lábio, língua e também na narina com cartilagem fina;
  • piercing que causa maior desconforto na escala está nas cartilagens mais espessas, para as quais um profissional precisa de mais esforço e tempo: todo o pavilhão auricular, incluindo o tragus, a parte pontiaguda acima do lóbulo da orelha;
  • A dor mais perceptível será nas perfurações das partes mais íntimas.

7. Se você se cansou dos brincos, basta tirá-los e a perfuração vai se fechar rapidamente

Este é outro mito comum. O fato é que a capacidade de regeneração difere para cada pessoa.

  • Há aquelas que, removendo o piercing do umbigo no final do verão, para a próxima estação quente terão que fazer a perfuração novamente. Enquanto, em outras, o furo não fechará por até 3 anos, por exemplo;
  • Se você sonha em se livrar de um piercing, use uma pomada para regeneração de tecidos e um creme cicatrizante. Mas isso não é uma garantia. Às vezes, é preciso procurar um cirurgião e suturar a perfuração (especialmente se usa acessórios pesados ​​em furos antigos).

8. O piercing é diversão para os adolescentes

Muitas pessoas hoje associam a palavra “piercing” principalmente a jovens com aparência informal, que possuem muitas perfurações em todos os lugares.

  • Existem áreas profissionais nas quais uma pessoa com um piercing chamativo terá muito mais dificuldade em encontrar uma colocação. Mas isso não porque a considerem “rebeldes” na adolescência. Você já viu um funcionário de um banco com um grande piercing no lábio? Um funcionário de uma instituição do governo com um adorno na sobrancelha? Um terapeuta de uma clínica com uma argola no septo nasal? Se viu, provavelmente seja uma exceção à regra. E isso nem sempre se deve às diretrizes conservadoras estabelecidas por essas instituições. Isso pode se dever ao fato de que um grande número de clientes corresponde a pessoas mais velhas, entre as quais é mais comum existir uma relação estereotipada com relação ao uso de piercings;
  • Embora, possivelmente, o pensamento de que os mais velhos são contra o piercing também seja um estereótipo. Uma pesquisa interessante foi feita em 2014: propuseram a 194 alunos de uma universidade e 95 trabalhadores adultos para caracterizar o candidato a um emprego. Metade dos participantes recebeu o currículo com a foto do candidato sem um piercing no rosto. Para a outra metade foi dada a mesma fotografia, mas com a imagem do pretendente ao cargo com perfurações nos lábios e nas sobrancelhas. Os participantes avaliaram o candidato com um piercing com menor classificação em conhecimento especializado, comunicação e qualidades morais. Mas, surpreendentemente, o grupo de estudantes avaliou o portador de perfurações de maneira mais rigorosa em quase todos os critérios, em comparação aos adultos.

9. As pessoas com perfuração na língua ceceiam

  • Claro, você não pode evitar de imediato o desconforto de um piercing na língua: leva muito tempo para se acostumar com um “agente invasor na boca”. Mas não vale a pena se preocupar com o fato de que se torne um problema constante. Estudos mostram que não há diferença significativa na articulação e na dicção entre pessoas que usam piercing e as que não usam;
  • O principal perigo desse tipo de perfuração reside no dano aos dentes. Se são frágeis, então é melhor não colocar o piercing na região. Os focos de cáries também podem levar à infecção das feridas da língua. Se os dentes são fortes por natureza, então, depois de uma perfuração, é importante não adquirir o hábito de tocá-los com o piercing para não perder seu lindo sorriso. Os dentistas também aconselham removê-lo da língua durante a noite;

  • De fato, alguns profissionais se recusam a colocar piercings horizontais na ponta da língua, chamados de “snake eyes”: de acordo com suas observações, esse tipo de acessório na verdade leva a problemas de dicção (a barra que passa transversalmente afeta muitos músculos) e também pode causar ferimentos graves até mesmo a dentes saudáveis.

10. Pode-se usar piercing no umbigo durante a gravidez

Seja mito ou verdade, depende da aparência e sensibilidade do umbigo.

  • Os acessórios podem ser deixados no lugar se não causarem desconforto. Durante este período, é melhor não usar brincos de metal, mas sim de polímeros. Os de bioplásticos, bioflex e politetrafluoretileno (teflon) flexíveis se adaptarão às mudanças no corpo. Resumindo, durante a gravidez, é preciso prestar atenção à qualidade dos materiais. Para não comprar um plástico falso de baixa qualidade, seria bom verificar a rotulagem de fabricação no certificado;
  • Se a tensão na pele do estômago for forte e o umbigo sobressair, será mais fácil remover até mesmo um piercing flexível.

11. O piercing nos mamilos não é um obstáculo
para a amamentação

Por um lado, poucas mulheres conseguem amamentar seus filhos com sucesso tendo perfurações no seio e, por outro, a combinação de amamentação e perfurações apresenta certos riscos e algumas particularidades:

  • Uma perfuração nos mamilos pode causar danos ao nervo que responde pelo suprimento de leite ou à formação de cicatrizes que impedem o fluxo;
  • Especialistas proíbem perfurações durante a gravidez ou amamentação, devido às alterações hormonais no organismo durante este período: a sensibilidade nos mamilos aumenta,
    a irritação pode desencadear um parto prematuro a qualquer momento e, em caso de complicações, a escolha de medicamentos será extremamente limitada;
  • Tampouco vale a pena considerar fazer um piercing se pensa em engravidar em um futuro próximo. O processo de cicatrização nessa parte do corpo geralmente leva de 6 a 12 meses. Quanto mais tempo se passar desde o momento da perfuração até o nascimento do bebê, menores serão os riscos;
  • Também é melhor não perfurar os mamilos imediatamente após o fim da amamentação do bebê. Vale a pena esperar 3 ou 4 meses para retornar o equilíbrio hormonal ao seu estado normal;
  • Se a perfuração foi feita bem antes do parto e conseguiu cicatrizar, especialistas recomendam a retirada do acessório durante todo o período da amamentação para evitar complicações. No entanto, algumas mães preferem remover seus piercings apenas durante cada amamentação. Neste caso, é importante ter muito mais cuidado na limpeza das mãos e dos acessórios para evitar uma infecção nos mamilos, o que pode provocar problemas de mastite ou doenças infecciosas no bebê;
  • Da mesma forma, os especialistas enfatizam que os orifícios feitos com piercing frequentemente levam a uma saída de leite mais abundante. Se é bom ou ruim, é uma questão individual. Se o leite sai com dificuldade, uma “ajudinha” é bem-vinda, mas, se sai fácil, pode ser uma pressão muito forte para o bebê. Em tal situação, é melhor procurar um especialista em amamentação: ele irá aconselhar uma posição adequada para a amamentação, que seja segura para o bebê.

12. É melhor furar as orelhas o quanto antes

Perfurar as orelhas das meninas não é uma questão que só os próprios pais podem responder. Alguns acreditam que é melhor fazer uma perfuração durante o período de amamentação para que o bebê não registre em sua memória a dor e o procedimento estressante. Há aqueles que têm certeza de que o furo é permitido apenas em uma idade consciente. Alguns não conseguem resistir à persuasão de suas filhas de três anos que querem usar brincos bonitos como a mãe. Outros acham um absurdo brincos em orelhas pequenas.

Para os defensores da perfuração antecipada, é importante lembrar o seguinte:

  • Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que é muito difícil explicar a uma criança que é proibido puxar, tocar e pegar os brincos. Além disso, ninguém está isento de acidentes, principalmente com acessórios e brincos “pendurados”, em forma de anéis: se, infelizmente, a criança ficar presa a alguma coisa, poderá sofrer uma ruptura do lóbulo, que demorará a cicatrizar e muitas vezes não permitirá outra perfuração, mesmo depois de anos.
  • Em segundo lugar, é preciso lembrar que qualquer objeto pequeno tem a possibilidade de acabar na boca ou no nariz do seu filho, com consequências trágicas;
  • Finalmente, lembre-se que há a probabilidade de uma perfuração torta. Se mesmo para um adulto é impossível não fazer um movimento repentino durante a “punção”, o que podemos esperar de um bebê? Como resultado, a perfuração pode não sair no local onde foi planejada. Além disso, o corpo crescerá ativamente e existe o risco de que até mesmo uma perfuração ideal mude de lugar e, ao atingir a idade adulta, a pessoa terá que passar por um novo procedimento ou tolerar o uso de um acessório assimétrico.

Bônus: mesmo que queira se limitar a uma perfuração na orelha, você tem muitas opções interessantes

Em que parte do corpo você gosta mais do piercing? Onde se recusaria a colocar um?

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