Cientistas revelam como abandonar a escrita à mão está impactando os nossos cérebros

Curiosidades
Há 3 semanas

Lembra-se dos tempos de escola, quando a escrita à mão era normal? Hoje, a história é diferente. Com a digitalização avançando, a caneta e o papel estão sendo substituídos por teclados e telas. Mas o que isso significa para nossos cérebros? Neste artigo, vamos explorar essa questão intrigante, mergulhando no mundo da neurociência e da educação para descobrir os impactos dessa mudança.

Transição digital: o impacto na educação

A digitalização dos sistemas educativos ao redor do mundo tem levado ao abandono progressivo da caligrafia tradicional. Nos países nórdicos, considerados referência para o resto do mundo, a hiperdigitalização começou no início dos anos 2000 com a inclusão de computadores e sistemas eletrônicos nas salas de aula. No entanto, a escrita manual ainda tem seu valor e sua importância não pode ser negligenciada.

A escrita manual e o cérebro: uma conexão importante

José Antonio Millán, um renomado escritor e linguista, afirma com convicção: “A escritura manual está vinculada ao nosso cérebro, à nossa capacidade de memorizar, ao nosso sistema psicomotor”. Ele ressalta que a escrita manual não é apenas uma habilidade motora, mas também uma ferramenta poderosa para o aprendizado e o desenvolvimento cognitivo.

A escrita à mão no contexto educacional brasileiro

No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevê o ensino da habilidade de se escrever em letra cursiva nos primeiros anos do ensino fundamental. Isso mostra que, apesar da crescente digitalização, a importância da escrita manual ainda é reconhecida em muitos sistemas educacionais.

Karin James, professora de Ciências Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana (EUA), tem dedicado sua carreira ao estudo dos efeitos da escrita tradicional no cérebro. Em suas pesquisas com crianças de 4 a 6 anos, ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento da leitura.

Além disso, no caso da digitação em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos para qualquer tecla de letra. Como consequência, se apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão a chance de desenvolver habilidades obtidas ao compreenderem e dominarem a capacidade de escrever.

O futuro da escrita: um equilíbrio entre o manual e o digital

A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão novamente aprendendo a escrever em letra cursiva. Essa escrita à mão havia saído do currículo californiano em 2010, mas agora está de volta. A decisão na Califórnia reacende debates educacionais e científicos a respeito do valor da escrita à mão, bem como dos benefícios ao cérebro e das implicações globais se essa técnica acabar caindo no esquecimento.

A neurocientista Claudia Aguirre, que mora na Califórnia, diz que “mais e mais pesquisas sustentam a ideia de que escrever letras em cursivo, especialmente em comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que facilitam e otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da linguagem”.

Sendo assim, a escrita manual tem um lugar importante em nossas vidas e rotinas diárias. Os pesquisadores sugerem uma solução de educação híbrida, onde se utilizam os dois tipos de escrita para se beneficiar de ambos. Para os adultos, recomenda-se a escrita manual para tarefas diárias que podem ajudar a memorizar o que foi feito, o que será feito e o que resta a ser feito.

Em tempos de escrita digital, é surpreendente quando alguém faz algo diferente disso. Como a manicure que viralizou na internet quando fez um cartão de visitas totalmente escrito à mão!

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