4 Maneiras que o idioma que falamos pode influenciar a forma como pensamos

Curiosidades
13/06/2021
4 Maneiras que o idioma que falamos pode influenciar a forma como pensamos

Quem conhece uma língua estrangeira, provavelmente notou que quando a falamos nos tornamos pessoas um pouco (ou algumas vezes completamente) diferentes. E os idiomas não mudam apenas a nossa personalidade. Também podem alterar o modo como pensamos, já que diferentes culturas têm sua própria forma de ver o mundo. Por exemplo, há uma linguagem que não sobrecarregará você com a confusão de “esquerda” e “direita”, já que as pessoas que a falam usam os pontos cardeais como referência.

No Incrível.club nós adoramos explorar outras culturas e seus idiomas. Aqui você verá como sua maneira de pensar pode mudar se você aprender mais sobre eles.

1. O idioma afeta as cores que podemos ver

Culturas diferentes percebem as cores de maneira diversa. Alguns idiomas têm apenas duas palavras para descrever as cores — como claro e escuro. “Escuro” é usado para cores frias, como verde, azul e preto. “Claro” é usado para cores quentes, como amarelo, vermelho e laranja. Também existe uma linguagem que não possui um termo para a palavra “cor”. Em vez disso, eles usam outras palavras para descrever objetos, com base em sua textura e para que são usados.

Ao longo da sua vida, é até possível mudar a maneira como você vê as cores. Por exemplo, os gregos têm duas palavras diferentes para descrever o azul claro e o escuro, enquanto no Reino Unido, “azul” é usado para descrever essas duas cores. No entanto, os falantes de grego podem começar a ver essas duas cores como mais semelhantes depois de passarem muito tempo no Reino Unido.

2. O idioma afeta a maneira como falamos sobre as direções

No português, usamos termos como “esquerda”, “direita”, “na frente” e “atrás” para descrever para onde alguém deve ir ou onde um objeto está localizado. Isso pode criar uma certa confusão, visto que a esquerda de uma pessoa será a direita da outra.

Mas existem algumas culturas nas quais a língua ajuda a evitar esse tipo de confusão porque eles usam como direções os pontos cardeais, ou seja, norte, sul, leste e oeste. Seria difícil para um falante do português dizer rapidamente onde estão o norte e o sul. Em algumas línguas aborígenes australianas, por exemplo, é tão fácil quanto saber onde estão a sua direita e a sua esquerda. Provavelmente porque foi importante para eles a orientação no espaço e isso influenciou sua linguagem.

Um experimento foi feito para mostrar como as pessoas que falam diferentes idiomas pensam. Os participantes se sentaram em uma mesa com uma seta na frente deles apontando para o norte, à direita deles. Em seguida, tiveram que girar 180 graus para virar para outra mesa com duas setas, uma apontando para o norte, à esquerda da pessoa; e outra apontando para o sul, à direita da pessoa.

Foi solicitado então aos participantes que eles escolhessem a seta que apontava na mesma direção da primeira. Para falantes de português, “a mesma” significava “apontar para a direita”. Por outro lado, os falantes de uma determinada língua maia escolheram a seta apontando para a esquerda porque “a mesma” significava “apontar para o norte” para eles.

3. O idioma afeta a maneira como pensamos sobre as palavras

As línguas podem naturalmente ter gêneros. Às vezes, os substantivos podem ser divididos em objetos animados e inanimados, como em japonês. Se houver classes de substantivos que descrevem homens, como meninos e pais; mulheres, como filhas e mães; e objetos não vivos — estes também são gêneros naturais. Em inglês, usa-se “he”, “she” e “it” para descrever esses objetos.

Existem também gêneros gramaticais, que podem ser encontrados em alemão, espanhol, português e francês. Isso significa que nesses idiomas é possível usar “ele” e “ela” para se referir a objetos inanimados também. E isso pode influenciar a maneira como seus falantes pensam sobre esses objetos.

Em um experimento, os participantes receberam uma chave e lhes foi solicitado que a descrevessem. Os falantes da língua portuguesa tendem a usar adjetivos que se encaixam nos estereótipos femininos para descrever a chave, como “pequena” e “bonita” porque é uma palavra “feminina” em português. Em contraste, a palavra “chave” é masculina em alemão, então, falantes do alemão usaram palavras que se encaixam em estereótipos masculinos, como “útil”, “pesado” e “forte”.

4. O idioma afeta a maneira como entendemos o tempo

Pessoas que falam português compreendem o tempo em blocos, como um grupo de objetos — como minutos, horas e dias. Essa pode ser a razão pela qual pensamos no tempo como “coisas” que podem ser salvas, desperdiçadas ou perdidas. Em contraste, a língua Hopi não possui a mesma noção de tempo. A percepção temporal, para eles, é a de um ciclo contínuo.

Além disso, os falantes do português pensam sobre o tempo horizontalmente e usam palavras que se referem à frente e atrás para falar sobre o futuro e o passado. Por exemplo, você pode estar “olhando para a frente” ansioso para ver alguém e desejar “voltar atrás no tempo”. Os falantes do mandarim, por outro lado, referem-se ao tempo com acima e abaixo.

Você conhece algum exemplo semelhante de como as culturas se diferenciam na maneira como seus indivíduos pensam? Se você fala uma língua estrangeira, já notou se isso o fez pensar ou se comportar de forma diferente? Do que você mais gosta ao aprender idiomas?

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LÍNGUA EH UMA COISA COMPLICADA TINHA UM CHEFE ALEMÃO QUE ELE FALAVA E NINGUÉM ENTENDIA

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