12 Descobertas que mostram um outro lado do que se conhecia sobre o Antigo Egito

O Antigo Egito foi uma das primeiras civilizações da antiguidade e, embora existam muitas teses sobre os faraós, as pirâmides e as múmias, muitos mistérios ainda não foram desvendados sobre esse povo. Nós aprendemos um pouco sobre ele na escola e também nos filmes que reproduzem infinitamente imagens de uma bela Cleópatra se movimentando sobre um fundo dourado. Mas quanto do que pensamos saber é real? E quanto não passa de mito?

Incrível.club decidiu mergulhar fundo na história dessa civilização e encontrou alguns dados que, assim como os bens preservados nos sarcófagos, são verdadeiros tesouros. Se você prestar atenção nesse mundo, finalmente poderá descobrir qual é a verdadeira história dessa cultura diferente e cativante.

1. O gato, uma criatura mágica

Os egípcios acreditavam que os gatos eram seres mágicos e que traziam boa sorte àqueles que os mantinham em casa como animais de estimação. As famílias ricas cobriam esses enigmáticos bichinhos com joias e até lhes davam guloseimas destinadas à realeza. Quando morriam, eram mumificados e os seus donos raspavam as sobrancelhas como sinal de luto. Os gatos eram tão especiais que aqueles que os matavam, mesmo por acidente, eram condenados à morte.

Segundo a mitologia egípcia, todos os deuses tinham o poder de se transformar em animais, mas apenas uma divindade poderia se tornar um gato: a deusa Bastet, a protetora dos lares e dos templos, que também representava o amor, a proteção e a harmonia.

2. Cleópatra, inteligente e loquaz, embora não tão bonita quanto sua fama indica

Cleópatra é sem dúvida uma das mulheres mais famosas da história. A ideia que temos dela é a que contam os filmes de Hollywood: a da irresistível femme fatale. Isso é mostrado mesmo em desenhos animados e em bonecas. Mas o quanto disso é verdade? Aparentemente, na vida real Cleópatra se destacava mais por sua inteligência do que por sua beleza. Escritores árabes a descreviam como uma erudita. Plutarco, o biógrafo grego de Marco Antonio (um dos amantes dela), garantiu que a atração da última rainha egípcia estava em sua loquacidade, no tom da sua voz e na sua inteligência, não em sua beleza.

Nos retratos dela encontrados nas moedas egípcias há a imagem de uma mulher com traços masculinos e nariz aquilino. No entanto, alguns historiadores afirmam que ela astutamente escolheu ser representada dessa maneira, com a mandíbula larga do seu pai, Ptolomeu XII, para enfatizar seu direito herdado de governar. Embora existam muitas esculturas de Cleópatra, todas são diferentes. A verdade é que, até hoje, sua verdadeira aparência continua sendo um mistério.

3. A maquiagem e os cuidados pessoais eram os mesmos para homens e mulheres

Tanto homens quanto mulheres usavam maquiagem. Em geral, os olhos eram pintados de verde ou preto. Além de protegê-los do Sol, também acreditava-se que os cosméticos possuíam poderes curativos. Para fazê-los, era preparada uma mistura de minerais com água: a malaquita e o cobre eram usados ​​para a cor verde, e a galena, o chumbo e o carvão eram moídos para obter o preto. Também eram produzidos perfumes com óleos, especiarias e resinas.

E eles não utilizavam apenas maquiagem para se embelezar. Como mencionamos anteriormente, também faziam isso para se proteger dos raios solares, dos insetos e de outras doenças. O chumbo, que era utilizado como base, por exemplo, tinha propriedades antibacterianas, quando umedecia ao entrar em contato com os olhos. Os egípcios davam tanta importância à estética que foram encontradas paletas de cosméticos enterradas ao lado das pessoas falecidas, dentro de suas tumbas. Isso mostra que, possivelmente, eram considerados artigos mágicos e poderosos na vida após a morte. As mulheres nobres untavam sua pele com cremes e pós brancos. Por quê? A pele pálida era símbolo de distinção e delicadeza, o que significava que não participariam de trabalhos considerados de baixa categoria, como lavrar a terra ao ar livre e sob o sol.

4. O Livro dos Mortos, passe assegurado para o além

Não se trata de um livro como o imaginamos hoje. Era o jeito escolhido de denominar uma coleção solta de textos funerários escritos, em princípio, sobre qualquer parte: muitas vezes em papiros, mas também nas paredes das tumbas, nos sarcófagos, nas ataduras de linho das múmias e até mesmo no enxoval funerário do morto. Com o tempo, foram organizados e obtidos ao menos 190 capítulos diferentes. Sobre o que tratavam? Uma série de fórmulas mágicas que ajudariam o falecido a atravessar com sucesso o inferno, protegê-lo dos demônios e permitir que alcançasse com sucesso a vida após a morte. Acreditava-se que, sem essas fórmulas, a pessoa falecida poderia sofrer uma segunda morte, que seria sua total aniquilação.

Eles foram escritos em hieróglifos e desenhados com vinhetas, as quais mostravam o viajante vivendo experiências diferentes. Nem todo mundo podia se dar ao luxo de ter o seu próprio livro, pois era muito caro, por isso apenas os ricos tinham condições de encomendar um. O restante das pessoas só conseguia acessar as versões prescritas — a única diferença era que o escriba registrava seu nome em um espaço em branco. Como se fosse a lembrança de um aniversário, cada criança conhecia o livro que lhe pertencia, porque tinha seu nome escrito nele. Ainda assim (feito sob encomenda ou em série), o passe para o além não era para todos.

5. Alguns dados curiosos sobre Tutancâmon

verdadeiro nome deste faraó era Tutancâton, que significa “imagem viva de Aton”. Esse era o nome do deus que seu pai, Akhenaton, tentara impor ao Egito como a única divindade. Mais tarde, acreditava-se que o mais conveniente seria substituir seu nome por Amon, um dos deuses mais importantes do Império Novo. Que maneira curiosa de escolher e modificar os nomes próprios, certo?

O reinado de Tutancâmon não foi particularmente notável. Os resultados da análise da sua múmia revelaram que o faraó tinha problemas de saúde e algumas doenças hereditárias. Seu reinado foi breve e ele morreu muito jovem, aos 18 anos de idade. O que o tornou tão famoso? Isso tem muito a ver com a sua tumba: foi uma das poucas coisas que escaparam dos saques sistemáticos, das quais as sepulturas reais foram vítimas. Embora os ladrões entrassem nela, nunca chegaram à câmara do sarcófago, que foi encontrado intacto e com um tesouro valioso de mais de cinco mil objetos.

6. Pós mágicos, o azul egípcio

A azul era a cor preferida da realeza, dos faraós egípcios aos imperadores romanos, desde tempos imemoriais. Os egípcios adoravam esse tom e queriam imitar a cor intensa de algumas pedras semipreciosas, como a turquesa e o lápis-lazúli. Mas o uso de minerais naturais para chegar a esse tipo de tom era pouco prático, porque muitos eram raros e difíceis de obter. Por isso, para atender à demanda por tons de azul e outros que eram utilizados em grande quantidade, decidiu-se pela produção dos próprios pigmentos, com a criação de uma tecnologia sofisticada.

O azul egípcio é o pigmento artificial mais antigo do mundo. Essa mistura ficou muito famosa em toda a dinastia egípcia, até o final do período romano. Depois deixou de ser usada e sua fórmula passou a fazer parte da longa lista dos mistérios do Antigo Egito. Muito tempo depois, apenas no início do século XX e durante as escavações feitas em Amarna, foram encontrados os restos de uma verdadeira indústria destinada a fabricá-lo. Entre os produtos havia pequenas quantidades de matérias-primas usadas na fórmula mágica, como o cobre.

E tem mais: o pigmento mágico é um ótimo candidato para detectar impressões digitais. Quando iluminado com a luz infravermelha, torna visíveis os traços ocultos sobre as superfícies de cores diferentes e até desenhos. As invenções egípcias realmente não deixam de surpreender. Mais uma vez, o passado se infiltra no futuro.

7. A Grande Pirâmide de Gizé não foi construída por escravos

Embora muitos acreditem que a Grande Pirâmide foi construída por 100 mil escravos e as telas dos cinemas reproduzam a imagem de crianças, homens e mulheres trabalhando para esse fim, do nascer ao pôr-do-sol, as evidências arqueológicas mostram algo muito diferente. Elas nos dizem que foi construída por uma força de cerca de 20 mil trabalhadores, com pessoal de apoio, como padeiros, médicos, padres, etc. Todos eram homens livres, apesar de terem problemas de saúde, devido ao esforço exigido por esse ofício e, durante o tempo em que passaram trabalhando, permaneceram em acampamentos temporários. Aqueles que morreram durante a tarefa foram enterrados em cemitérios próximos.

Outras revelações:

  • Estima-se que demorou cerca de 30 anos para ser construída.
  • É a mais antiga das sete maravilhas do mundo, e a única que ainda existe.
  • Durante quase quatro mil anos, foi a estrutura mais alta do mundo.

8. Os primeiros a entrar em greve

Embora a harmonia no Egito Antigo fosse um bem muito precioso e respeitado, isso não impediu, em várias circunstâncias, o descontentamento do povo e seu clamor por exercer pressão contra o rei. E isso aconteceu durante o governo do faraó Ramsés III. Os problemas começaram durante a preparação de um grande festival, em homenagem ao trigésimo aniversário do rei em seu trono, exatamente três anos antes da celebração. Diferentes situações tinham enfraquecido o Estado Egípcio e as despesas gastas para preparar esse grande festival acabaram por piorar o problema.

O que faltava? Grãos, os elementos básicos da economia egípcia. Essa escassez fez com que o pagamento mensal do salário aos trabalhadores, aos artesãos e aos construtores de tumbas começasse a atrasar mês após mês. Os atrasos constantes levaram à primeira greve registrada na história: os trabalhadores largaram suas ferramentas e foram primeiro ao templo mortuário de Ramsés III e depois organizaram uma manifestação perto do templo de Tutemés III. Embora as negociações tenham acalmado as reivindicações, elas duraram anos e mudaram para sempre o relacionamento entre funcionários e trabalhadores.

9. Animais de estimação: cães, gatos e macacos

Os egípcios costumavam ter inúmeros animais de estimação. E possuíam uma maneira muito particular de demonstrar o luto, que era diferente dependendo da criatura: em caso de morte de um gato, raspavam as sobrancelhas; se fosse um cachorro, não sobrava nenhuma parte do corpo com pelo ou cabelo. As figuras de animais de companhia podem ser vistas representadas junto aos seus donos em paredes das tumbas e nos sarcófagos. Aparentemente, a imagem dos dois juntos garantia que esse vínculo também persistiria na vida após a morte.

Cães, gatos e macacos eram os escolhidos. Todos foram representados em pinturas mostrando-os dentro da casa, com os seus donos. De acordo com o que é visto nas imagens, os gatos se tornaram os animais favoritos da realeza e até tinham os seus próprios sarcófagos: o príncipe Tutemés mandou construir um de pedra, para enterrar a sua amada gata. Depois de morrer, os animais de estimação eram mumificados e, em alguns casos, até enterrados no mesmo sarcófago dos seus proprietários. Se dormiam juntos na mortalidade, também deveriam dormir além dela.

10. Homens e mulheres tinham os mesmos direitos

Embora o Egito Antigo fosse dominado por homens, nessa sociedade as mulheres tinham direitos impensáveis em comparação a outras civilizações da época. Elas podiam possuir, ganhar, comprar e vender propriedades e, segundo a lei, eram iguais aos homens. Podiam gerenciar a própria herança, ter seus próprios negócios e exercer diversas profissões, como a medicina. Também tinham o direito de se divorciar, casar novamente e substituir o marido em assuntos comerciais, se ele estivesse ausente.

Se o relacionamento estava bem, a mulher acompanhava o marido em atividades “masculinas”, como a caça, e muitas vezes também era a sua conselheira em assuntos políticos. Ela era considerada seu complemento, de forma alguma inferior a ele. Além disso, os filhos geralmente recebiam o nome da mãe (o do pai era secundário), e a propriedade passava de mãe para as filhas. Embora não ocupassem cargos na administração, havia mulheres que tinham altos cargos e algumas foram até faraós. Nada mal para uma cultura de milhares de anos atrás, certo?

11. Raramente se escrevia em hieróglifo

Assim como o latim era uma língua falada apenas em um registro formal, ao longo do tempo a escrita hieroglífica passou a ser usada somente nos textos mais importantes, como nas escrituras de tumbas ou naquelas que se referiam à realeza. O que acontecia era que essa escrita era composta por imagens muito complexas, que, embora fossem espetaculares e lindas, exigiam muito tempo para a sua execução.

Na vida cotidiana, os escribas do Egito eram profissionais treinados nos templos administrativos reais e usavam uma forma abreviada de hieróglifos: a escrita hierática. E até o final do período começaram a recorrer a uma versão ainda mais simplificada: a demótica. Da mesma forma, a maioria dos egípcios não conseguiria decifrar nenhum desses códigos: grande parte da população não sabia ler nem escrever. A sociedade era, em sua maioria, camponesa, e o aprendizado da linguagem escrita, dada sua óbvia complexidade, demandava tempo, do qual apenas alguns dispunham.

12. Múmias da elite

mumificação salvava os egípcios dos espíritos malignos. Acreditava-se que apenas um corpo preservado poderia se unir à alma na terra dos mortos e, assim, continuar sua vida na eternidade. E esse “milagre” seria realizado se seus corpos fossem submetidos à mumificação artificial complexa (e cara). Ao contrário do que todos poderíamos supor (porque vimos isso nos filmes ou simplesmente imaginamos), muitos egípcios não eram mumificados depois de mortos. No início, apenas as classes mais altas tinham acesso a esse privilégio. Era um processo muito caro, que consumia muito tempo e, portanto, era reservado apenas para os ricos.

Embora a mumificação tenha atingido todas as camadas da sociedade, o grau de minuciosidade, os detalhes e a técnica variavam, de acordo com a riqueza e o poder do falecido. Aparentemente, havia uma “mumificação da primeira classe”, acessível apenas à realeza. Dizem que algumas múmias de reis e príncipes são verdadeiras obras de arte, pois preservam até as suas expressões faciais.

Quais outros fatos interessantes você conhece sobre a cultura egípcia? Se fosse possível voltar no tempo, em qual civilização gostaria de viver?

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