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Vou te contar o que sente uma mulher de 30 anos, sem carreira, marido e filhos

Olá, meu nome é Lídia, tenho 30 anos e me sinto uma mulher velha. A maioria das pessoas acha que 30 já é uma idade avançada para uma mulher. A etapa da vida em que deve ter um marido e, obrigatoriamente, filhos. Se isso não for possível, que pelo menos tenha uma sólida carreira profissional. As pessoas também dizem que após os 40 já não é possível viver uma vida plena. Digo com toda certeza: isso não é verdade. É possível aproveitar a vida em qualquer idade.

Hoje, quero contar a vocês, leitores do Incrível.club, a história dos meus 30 anos e de como eu consegui superar as regras impostas pela sociedade.

Na véspera

Lembro que uma vez eu fui a um evento onde se realizaria um encontro com um famoso psicólogo. Eu era a pessoa mais velha no local. A mesma coisa aconteceu em um show e também em um curso de formação profissional. Na véspera de completar 30 anos, eu estava bastante triste. Mas o que havia de triste? Chorei 3 dias antes e 2 semanas depois. Chorei porque pensava que a minha chance tinha passado. Ainda não tinha filhos, não estava casada, não tinha uma carreira de sucesso. Em geral, não havia conquistado nada e a ’aposentadoria feminina’ estava se aproximando. Não comemorei meus 30 anos; chorei pela minha juventude perdida.

Todas as minhas amigas estavam casadas ou com filhos (as sortudas, com as duas coisas). Todo mundo me perguntava: “E você, quando?”, “Ainda não foi pedida em casamento?”, e muita gente soltava comentários sobre o relógio biológico das mulheres, que não para e não volta. Além disso, uma em cada duas dizia: “Fique tranquila, simplesmente aproveite a sua liberdade”. Mas elas diziam isso com uma certa arrogância, como querendo dizer “Veja bem, eu estou casada e você, infelizmente, não”. Comecei a achar a situação super estranha.

Alguns conhecidos construíram uma carreira de sucesso, muitos antes dos 30. Alguns abriram suas próprias empresas e eu fiquei feliz por eles. Mas sempre me via perdida em pensamentos como: por que eu não posso fazer isso? Mas eu nunca havia tentado. Observava todos esses projetos, me julgava e não podia entender o que eu seria quando fosse mais velha, já que a ’aposentadoria’ estava se aproximando.

Depois dos 30

Aos 31 anos, pela primeira vez, fui fazer um check up. O triste diagnóstico de câncer na tireoide me deixou completamente destruída. Não sei se deveria agradecer a Deus, ao Universo ou a quem quer que seja, mas tive sorte porque a doença foi detectada em um estágio inicial e era de um tipo mais fácil para tratar.

Contudo, como a saúde estava dando sinais de deterioração, concluí que estava chegando no fim da linha e, portanto, podia me dar por vencida. E foi então que eu tive medo. Não pela doença, mas por tudo que me cercava, por todas as especulações na minha cabeça — sabia que o problema havia sido causado por estresse, já que na minha família ninguém havia tido câncer, muito menos de tireoide. O estresse e a depressão tinham me levado para uma cama de hospital e reconhecer isso foi horrível.

Depois da operação, parei para refletir: “por que eu estou pensando nessas coisas e por que tanta obsessão com a minha idade?” O que me leva a pensar que carreira ou família são tão importantes justamente nesse momento? Eu nunca serei feliz se ficar me comparando com os outros. A vida continua e ela não é tão ruim quanto parece. Não posso dizer que após esses pensamentos tudo tenha mudado completamente, mas aquela reflexão tornou mais fácil abandonar esses ’sonhos’ impostos. Afinal de contas, eles não eram meus.

Todas essas obrigatoriedades — “você precisa ter uma vida sólida” e “você precisa ter filhos e construir uma carreira” — foram impostas pela sociedade, seja pela Internet, pelas redes sociais ou pela educação. Bom, eu não tenho nada disso e não me importo nem um pouco com isso. Não sou uma mulher de negócios, não sou boa em vendas, Steve Jobs e Elon Musk não são os meus ídolos. E não sou uma ’influencer’, algo muito na moda hoje em dia. E isso é normal.

Compreendi que a idade me proporciona grandes vantagens. Se eu tivesse marido e filhos, poderia ter ido a Paris, Praga ou à cidade vizinha para passear sem fazer nenhum plano? Poderia sair no meio da noite com a minha amiga “porque a Lua está cheia e eu quero tomar vinho até o dia raiar?” Poderia mudar de trabalho para procurar outro mais interessante e fazer o que amo?

Eu poderia ter me casado aos 22, mas, graças a Deus, isso não aconteceu. Poderia ter feito isso aos 27, mas ainda bem que isso também não funcionou. Aos 28, conheci alguém com quem me vejo no futuro; não porque chegou a hora de me casar, mas porque ele é quem eu estava buscando. Estamos felizes e nos divertimos juntos. Não sei e não me importo com o que vai acontecer com essa relação. Só sei que, no meu futuro, coisas muito interessantes ainda virão.

Atualidade

Hoje, estou com pouco mais de 30 anos. Tenho um lindo homem e um gato. Nunca tinha sentido essa mesma harmonia interior. Conheço as minhas possibilidades e entendo quase tudo sobre mim mesma e sobre essa vida. E continuo vivendo intensamente meus desejos e meus sonhos. Se eu gostaria de voltar para os meus 23, 25 ou 27 anos? Deus me livre! O começo da minha perfeita quarta década me alegra. Me conheço, sei de minhas qualidades e meus defeitos. E vivo bem assim.

A única coisa que me envergonha é que tenho dores nas costas e não estou com vontade de caminhar. O que começo a perceber que pode ser um problema é a questão dos filhos. Quero filhos ou isso é apenas um eco dos conselhos que vivo escutando? “Ter filhos é a principal conquista de uma mulher?” Um psicólogo vai me ajudar a resolver essa questão.

Conclusões

Pelo visto, os 30 não são tão assustadores como dizem. É aquela idade em que você entende tudo sobre si mesmo e sabe o que quer e o que não quer da vida. Não ter marido e filhos, nessa idade, não é o começo do fim. É absolutamente normal ser livre em qualquer idade.

Quando você chegar na quarta década, rugas aparecerão no seu rosto. Mas a sua visão não vai mudar, a sua audição será igual e os seus seios não vão cair na altura do umbigo. Não seja tão dura consigo mesma. Os melhores anos que você tem para viver são agora. Você é tão jovem, tão linda e tão interessante como quando tinha 24, 25 ou 27 anos. De repente você está ainda melhor.

Não existe um método correto para viver a vida. E não importa os pontos de vista que os seus amigos, parentes ou colegas impuseram a você. Afinal de contas, uma vida feliz é aquela que mais se parece com a que você sonhou. Só você sabe como administrar seus sonhos, sua saúde e seu tempo.

Você acha que existe uma idade certa para cada coisa ou que cada um tem um tempo e a natureza individual sempre deve ser preservada? Compartilhe a sua opinião nos comentários.