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7 Truques que a publicidade usa para manipular nossa percepção

Todos os dias, absorvemos novas informações que se transformam em produtos consumíveis. É isso que fazem os chamados profissionais da informação. Eles ganham a vida a partir de seus conhecimentos: vendem seminários online, cursos intensivos, etc. As áreas mais procuradas costumam ser as de psicologia, produtividade e finanças, entre outras. Porém, como acontece em outros campos, esse também conta com a atuação de alguns golpistas, que usam a área de negócios da informação para vender nada além de uma bela embalagem.

Obviamente, é possível encontrar na Web muitos cursos e conferências de alta qualidade, e é possível identificar a ação de espertalhões a partir de algumas características específicas. O Incrível.club revela a seguir quais são as técnicas mais empregadas por quem tenta usar a Internet e os meios de comunicação para enganar.

1. Uma notícia que certamente surpreende os leitores

Essa técnica pode ser encontrada tanto em jornais quanto em sites. Geralmente, é usada por golpistas que oferecem bens e serviços nas áreas de saúde, beleza e nutrição. Imagine que voce está lendo um texto com um título intrigante, do tipo “Por que os cogumelos são perigosos?” O material informa que um tal de João Garcia, renomado pesquisador e diretor do Centro Mundial dos Matusaléns, descobriu algo incrível: os cogumelos causam úlceras estomacais. O artigo afirma diretamente que, se você tiver uma úlcera, ela foi causada por cogumelos. E vice-versa: quem come cogumelos com frequência, acabará tendo uma úlcera com certeza.

Muitas vezes, esse tipo de matéria são anúncios comprados pelas próprias empresas nos meios de comunicação, e os jornais e sites geralmente deixam essa informação clara, por meio de rubricas como “espaço publicitário”, “publieditorial” ou “espaço de propaganda”.

Textos desse tipo se baseiam em regras simples de publicidade: mais polêmica, menos detalhes. Artigos assim são produzidos com fins publicitários, para fazer com que o leitor, assustado, compre determinado produto ou recorra ao “profissional” certo para obter ajuda. A informação costuma vir por meio de metáforas emocionais ou exemplos horrorizantes, como histórias de doenças, estatísticas inventadas sobre mortalidade, etc.

Não acredite cegamente em tudo que está disponível na Internet ou é mostrado na TV, principalmente quando o assunto é a saúde. Caso queria consultar algum especialista em particular, confira seu nível profissional e descubra se ele já publicou artigos em revistas científicas conceituadas.

2. Histórias de sucesso

Em sua timeline nas redes sociais, você já deve ter se deparado com uma discreta propaganda-história. Por exemplo, um homem jovem contando que não conseguia encontrar um emprego que pagasse bem, então trabalhava lavando pratos e carregando coisas. Mas um dia, ele abriu seu próprio negócio e começou a investir na Bolsa. Hoje, tem um carro caro, um apartamento num prédio de luxo e viaja ao exterior de férias cinco vezes por ano. Essa técnica publicitária é chamada de “narração de histórias”. Infelizmente, na maior parte dos casos, mostra relatos inventados. Ver como um mendigo tornou-se um milionário faz com que a pessoa pense se acontecerá a mesma coisa com ela. Não vamos negar que há gente que enriqueceu começando do zero, mas para que isso aconteça, não é preciso comprar cursos caros de “coaching” nem aplicar todas as economias na bolsa de valores, um investimento que pode dar ótimos retornos, mas que também envolve riscos.

Lembre que o caminho para o sucesso é construído com o trabalho e a inovação. Acredite em si mesmo e não entregue seu dinheiro nem sua vida a um charlatão.

3. Histórias sobre você

Em anúncios, é possível encontrar todo tipo de história. Neles, você e sua vida parecem ser milagrosamente descritos. O autor do texto percebeu sutilmente seus sentimentos, usou as palavras certas para descrever seus problemas com finanças, sua falta de tempo livre e as questões envolvendo sua vida pessoal. Não se apresse em achar que se trata do dom da profecia e em se matricular num curso oferecido por aquele autor “mágico”. Isso tudo não passa do efeito Forer: você interpreta frases genéricas, que se adaptam a qualquer pessoa, como algo pensado especialmente para seu caso. Daí surge a sensação de que o autor conhece sua história, fazendo com que você acredite que realmente precisa daqueles cursos que estão sendo oferecidos. Essa técnica é muito utilizada por falsos videntes e também por empresários que anunciam seus serviços.

4. “Devolvemos seu dinheiro”

Alguns autores de cursos de temas como autoconhecimento, ascensão pessoal ou profissional podem garantir que, depois de você completar todos os ciclos, certamente alcançará a meta: ganhará certa quantia de dinheiro, obterá vários seguidores para seu blog, encontrará um marido milionário. Eles costumam até dar garantias: se isso não acontecer, o dinheiro investido no curso será devolvido. Porém, um manipulador inescrupuloso provavelmente irá mostrar que você não seguiu todos os passos. Ou simplesmente, encerrará suas atividades, desaparecendo das redes sociais sem deixar qualquer tipo de rastro.

5. Números falsos

Todos os golpistas sabem que o ser humano é uma criatura preguiçosa. Isso significa que poderão fornecer qualquer número, na certeza de que você não irá atrás de informações para confirmar aqueles dados. Para conquistar sua confiança, mostraram capturas de telas ou mesmo um simples texto dizendo: “Renda da empresa X no ano passado: 5 milhões de dólares”.

Lembre-se de que qualquer pessoa pode dizer e escrever qualquer coisa, mas agora é possível consultar os rendimentos de uma empresa pela Internet. E os números com uma quantidade enorme de zeros só servem a um propósito: criar uma cortina de fumaça para ocultar os fatos.

6. Moeda interna da empresa

Geralmente, essa técnica é utilizada por empresas dedicadas ao chamado marketing multinivel. No recrutamento para o “negócio”, eles explicam algumas regras simples. Você vende um produto por certa quantia e passa para o nível seguinte, que oferece maior renda e mais bonificações. Contudo, suas vendas não são contabilizadas na moeda do seu país, e sim numa moeda interna da empresa. Por exemplo, 100 reais podem valer 1 ponto. Isso faz com que os incautos pensem que, em vez de vender algo por 500 reais, precisarão vender por 5 pontos, algo que parece fácil de conseguir. Só com o passar do tempo, a pessoa acaba percebendo que é muito difícil vender um produto supérfluo por uma grande soma de dinheiro.

7. Jogos com sua percepção

Agora, voltaremos às publicações impressas e online. Esses meios podem não apenas informar os leitores, mas também corrigir sua postura diante de certas notícias. Por exemplo, uma mensagem sobre aumentos de preços pode ser transmitida de diferentes formas: “Os preços estão subindo novamente. Um verdadeiro roubo em plena luz do dia”, ou “Os vizinhos terão de pagar mais para consertar as estradas do país”. O título e o subtítulo do texto podem afetar de forma significativa a percepção dos leitores. Por isso, uma dica simples que pode fazer toda diferença: não forme sua opinião apenas pelo título. Leia a matéria toda, ou pelo menos três ou quatro parágrafos antes de avaliar essa notícia.

Você consegue identificar truques empregados pela publicidade e outros meios de comunicação? Comente!

Imagem de capa Pixabay