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A vida de Maya Gabeira, a brasileira que surfou a maior onda do mundo

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A surfista Maya Gabeira entrou para o livro dos recordes com a maior onda surfada por uma mulher. O feito foi conquistado em janeiro de 2018, quando dominou uma onda de 21 metros de altura, na praia do Norte, em Nazaré (Portugal).

Incrivel.club traz para você a história dessa carioca que, em 2013, sofreu um acidente que quase a fez ficar em uma cadeira de rodas

Do balé às ondas

Filha do escritor e jornalista Fernando Gabeira, Maya nasceu no Rio de Janeiro, e, apesar disso, não gostava de ir à praia quando era criança. Preferia o sapateado, jazz e balé. Porém, aos 14 anos, entrou em uma escolinha de surf no Rio por meio da influência de um namorado de então. Aos 17 anos, foi morar no Havaí e trabalhou como garçonete para sobreviver.

Carreira meteórica

Foram 10,6 metros de altura, pouco mais da metade que lhe rendeu o Guinness Book, porém, significativa para a época. Maya venceu cinco vezes o Billabong XXL, o circuito das ondas gigantes, e foi ainda a primeira mulher a surfar em ondas de Teahupoo, no Taiti e Ghost Tree, na Califórnia. A surfista também foi a primeira mulher a pegar ondas no Alasca.

O acidente que quase lhe custou a vida

Maya já era famosa no mundo do surf por pegar ondas gigantes. Ela queria conhecer um novo local onde as ondas eram as maiores do mundo, em Nazaré, Portugal, desbravado havia apenas dois anos antes. Para superar esse desafio, ela contou com a ajuda de uma equipe que a acompanhou durante quatro meses formada pelos atletas Carlos Burle, Pedro Scooby e Felipe Cesarano.

O acidente que quase lhe custou a vida ocorreu no dia 28 de outubro de 2013. Ela e a equipe estavam acompanhando a previsão meteorológica há alguns dias. E aquela manhã era a ideal para a formação de ondas gigantes. Maya estava de carona em uma moto aquática com outro integrante do grupo. Ao ver a oportunidade, se jogou com a prancha na água para aquilo que melhor sabia fazer em sua vida. Porém, algo deu errado. Ela se desequilibrou, entrou no turbilhão enorme de água e ficou desacordada por cerca de nove minutos até ser resgatada pelos próprios colegas. Ainda na areia da praia, a equipe fez os procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar até a chegada da ambulância. Ela acordou e, levada ao hospital; foi constatada apenas uma fratura no tornozelo.

Tratamento e volta às águas

A surfista ficou dois anos longe das grandes ondas, se dedicando à recuperação. Além da fisioterapia e fortalecimento do tornozelo e corpo, ela também cuidou da cabeça, devido ao trauma sofrido. Passar pela experiência de quase ter morrido a marcou para sempre. Durante o período Maya voltou a sentir crises devido às fortes dores de coluna que sentia há anos. Para aliviar essas dores, precisou se submeter a outras duas cirurgias. O tempo passou e a volta ao surf foi no final de 2015, com a mesma equipe que estava com ela no dia do acidente.

Nova parada

Enquanto disputava a temporada havaiana de surf, Maya voltou a sentir fortes dores na coluna e precisou ser operada novamente em abril de 2016. Desta vez a gravidade da situação era maior e ela precisou implantar um parafuso entre as vértebras. Seis meses depois, estava de volta aos treinos leves com a prancha.

A consagração em Nazaré e o nome no livro dos recordes

A volta por cima de Maya Gabeira foi confirmada no início de 2018, mais precisamente no dia 18 de janeiro. Nesse dia ela conseguiu se manter de pé em uma onda de 21 metros, a mais alta de toda a história já surfada por uma mulher, no mesmo local onde cinco anos antes quase perdeu a vida. Por se tratar de um feito inédito no Guinness, o livro dos recordes precisou criar uma categoria específica para isso e a confirmação veio no início do mês de outubro deste ano. A chefe executiva da WSL (Liga Mundial de Surf), Sophie Goldschmidt, disse na premiação que Maya é “um exemplo de coragem, compromisso e progressão das atletas femininas ao redor do mundo”.

Maya passou férias com a família em julho de 2018 no Nordeste brasileiro. Praticou um esporte em que o praticante usa uma espécie de pipa para fazê-lo deslizar na água chamado de kitesurfe. Ela voltou a Portugal, lugar que escolheu para ser uma de suas casas. Na praia do Norte, em Nazaré, voltou a fazer o que mais gosta na vida: surfar ondas gigantes.

Bônus

Entre os homens, título também é do Brasil

Lembrando que o título de onda mais alta já surfada por um homem também é de um brasileiro, Rodrigo Coxa. O feito ocorreu em 8 de novembro de 2017, quando ele se manteve em pé na prancha ao surfar uma onda gigante de 24 metros.

A superação é uma constante na trajetória pessoal e profissional de muitos atletas. Você conhece outra boa história pra compartilhar com a gente?

Imagem de capa @maya/Instagram
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