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Uma história emocionante sobre uma menina humilde que conseguiu dar a volta por cima

Desde a infância, ouvimos que os bens materiais não são capazes de nos tornar pessoas melhores. Por outro lado, às vezes costumam falar que a aparência é o que mais importa na vida. Portanto, a vontade de ser mais bonita e atraente não tem nada de vergonhoso, especialmente quando você é uma aluna que gostaria de ter uma roupa tão refinada quanto a de suas colegas da escola. Mas o que fazer se a sua família não tiver a oportunidade de comprar peças bonitas? Pedir um vestido novo com lágrimas nos olhos ou ficar magoada porque passa o tempo todo usando a mesma roupa? A história comovente da psicóloga russa Anna Kiryanova deixa claro que nenhuma dessas opções é a correta. Apesar de a narrativa nos remeter à vida de uma aluna na União Soviética, cada um de nós poderá identificar nela uma colega, amiga ou familiar, pois o problema debatido no conto é sempre atual.

A equipe do Incrível.club ficou impressionada com esse conto, que prova que em qualquer situação é importante não se desesperar nem esperar por um milagre, mas ser determinado e manter-se focado, a fim de mudar sua vida para melhor.

Era uma vez uma menina que tinha um uniforme escolar. Na verdade, na União Soviética todos os alunos tinham um uniforme escolar; o feminino era composto por um vestido marrom e dois aventais: o preto era usado no dia a dia e o branco em ocasiões especiais. Além disso, a menina tinha mais um vestido, xadrez, que era uma das peças mais simples e baratas da época. Claro que o guarda-roupa dela não se limitava a essas peças: ela tinha um conjunto esportivo para as aulas de Educação Física, entre algumas roupas que usava para passear. Mas nos bailes da escola, que às vezes eram organizados pelas colegas da turma, a menina sempre usava um vestido xadrez amarelo porque não tinha outro, uma meia-calça cinza desbotada e sapatos desgastados.

A menina tinha duas irmãs mais novas, o seu pai as abandonou por outra família e a mãe precisava trabalhar duro. Portanto, havia apenas um vestido. Na União Soviética, quase todo mundo costumava se vestir de maneira modesta, pois as lojas de roupas e sapatos não se destacavam pela variedade. Por isso, a menina colocava o seu vestido xadrez amarelo e ia para o baile. Os alunos liam poesias, faziam apresentações teatrais e, depois, ligavam um aparelho de som e começavam a dançar. A professora ficava sentada em uma cadeira perto da janela, tomando chá, enquanto os adolescentes dançavam. Às vezes, o professor de Educação Física entrava no salão para confirmar se o evento estava indo bem, sem incidentes e se os alunos estavam se comportando. Todos adoravam as danças de salão, que criavam um clima romântico.

Mas as colegas olhavam para a menina com desdém. Certa vez, uma colega chamada Irene, que sempre vestiu roupas refinadas, disse sarcasticamente: “Por que você sempre usa o mesmo vestido? Ele já não cabe em você!” E era assim mesmo. De fato, as mangas já estavam curtas, e um pedaço de tecido foi costurado pela mãe na parte inferior da saia. Sempre colocar o mesmo vestido era um tanto triste, de verdade.

Helena não demonstrou indignação com esse comentário irônico nem com os sorrisos sarcásticos de suas colegas. Ela não voltou para casa chorando nem pedindo um vestido novo. Não passou a se sentir envergonhada nem desistiu dos bailes, realizados duas vezes por semestre. Helena fez o seguinte: matriculou-se em um curso de danças e começou a aprender a dançar, um dia de maneira mais atraente, e outro, de maneira mais expressiva, dependendo da música. Ela era uma aluna dedicada. Então quando foi para o próximo baile, encantou a todos com a sua dança, fazendo com que ninguém tirasse os olhos da sua performance e recebendo aplausos muito calorosos depois. As aulas de dança deixaram o corpo de Helena mais esculpido; os movimentos dela ficaram mais suaves e os olhos tinham um brilho especial, além dos cabelos que estavam espalhados sobre os ombros de uma maneira tão elegante... Ninguém estava prestando atenção no vestido dela, nem nos sapatos ou na meia-calça. Isso era completamente irrelevante. Todos estavam assistindo à sua bela dança, inclusive os meninos que também queriam dançar com ela e não davam a mínima importância ao vestido xadrez.

Depois de mais algum tempo, descobriu-se que a menina era uma dançarina muito talentosa. Ela passou a participar de concursos e performances e ganhar trajes fascinantes! Certa vez, Helena chegou a mais um baile na escola, pediu para colocar uma fita com a música que ela trouxe e trocou de roupa no banheiro, pois não havia um lugar melhor para se esconder. É impossível imaginar a reação dos alunos naquela noite! Todo mundo ficou maravilhado. Helena tinha ganhado um vestido de dança espanhola, uma meia-calça preta grossa (o sonho de qualquer menina soviética naquela época), sapatos de salto baixo elegantes e, por fim, um vestido preto bem justo na cintura, com lantejoulas e saias volumosas que flutuavam em uma dança poderosa. Helena estava fazendo movimentos impressionantes com as pernas e mãos, ao som daquela música contagiante. Foi uma performance impecável!

Depois, ela voltou a colocar seu vestido xadrez amarelo, pegou o traje espanhol e foi embora com o menino mais bonito do time de hóquei. Eles fizeram amizade e começaram a “passear” juntos (o que significava namorar). Vale a pena destacar que a menina de vestido refinado bateu palmas junto com os outros, batendo os pés no chão e assistindo empolgada à dança. Irene não era uma pessoa má, mas essa é a natureza de algumas meninas. Elas desprezam as outras até se depararem com uma pessoa emocionalmente mais forte. Na maioria das vezes, esses “encontros” são necessários para ambas as partes. Não é preciso pedir um vestido novo, mas sim dar a volta por cima. É assim que aparecem vestidos elegantes, aplausos carinhosos e ovações com gritos de “Bravo!”, além das vaias dos invejosos, obviamente. Mas não é um vestido que conta.

Helena se tornou uma dançarina famosa depois da escola, e se mudou para outro país. Quem sabe, talvez ela tenha uma vida mais interessante por lá? E eu me lembro da história daquele único vestido xadrez amarelo. Eu também não tinha muitos vestidos: só dois, além do uniforme escolar, que definitivamente tornava o nosso guarda-roupa bem “diversificado”.

A história de Helena nos impressionou tanto que prometemos nos lembrar dela sempre que alguém tentar ferir nossa autoestima.

E você, conhece alguém que conseguiu dar a volta por cima e ganhar o respeito dos outros? Ou você mesmo pode ser um exemplo de motivação para outros leitores? Conte a sua história nos comentários.

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