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Projeto voluntário utiliza a prática da ioga para aumentar a qualidade de vida dos moradores de comunidades em São Paulo

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O mundo atual, definitivamente, é um lugar desafiador. Todos temos nossos problemas, sejam eles grandes ou pequenos. Mas, vale lembrar que estamos nessa juntos. “Gentileza gera gentileza”, como já dizia o profeta. E mesmo diante desse caos, existem exemplos a serem seguidos, e que são provas de que a generosidade pode mudar vidas.

Hoje, o Incrível.club traz para você a história de Sophia Bisilliat em uma entrevista exclusiva. Ela, uma mulher forte com um coração enorme, ajuda outras mulheres nas periferias de São Paulo a resgatarem sua autoestima e a se manterem saudáveis de corpo e alma através da ioga. Confira!

Nascida em São Paulo, filha de um pai francês e de uma mãe inglesa, com meios-irmãos dos dois lados, Sophia traçava seu caminho. Ela começou na dança, depois levou sua grande personalidade para o teatro, em seguida se desenvolveu no circo e, então, encontrou na ioga sua vocação.

Desde pequena ela tinha prazer em ajudar as pessoas. Sempre foi seu foco. Sua formação em dança e teatro foi um veículo para que começasse a fazer o que amava. Ela trabalhou por 20 anos como voluntária no Carandiru, organizando cursos nas áreas de música, artes plásticas, literatura e teatro. Sendo conhecida como a “Madrinha dos Presos”, ela foi a idealizadora do projeto “Talentos Aprisionados”, que revelava e auxiliava na divulgação dos trabalhos artísticos dos detentos.

Com o fechamento do presídio, Sophia passou a dar aulas particulares de ioga. Quando uma de suas alunas perguntou se ela dava aulas na favela, negou, mas percebeu aí uma oportunidade de voltar a fazer o que amava: ajudar as pessoas.

Sua iniciativa levou a prática da ioga para as comunidades. As aulas, realizadas na laje por escolha da própria Sophia, deram nome ao projeto “Treino na Laje”.

O projeto começou com apenas duas alunas. Desde o primeiro dia, Sophia usou o Instagram para a divulgação da sua proposta, o que ajudou bastante. A quantidade de alunas foi aumentando. E hoje, depois de quase 2 anos e meio, o projeto conta com 150 alunas distribuídas em 4 lajes. Aos sábados no Capão Redondo (Jardim Imbé, Cohab Adventista e Parque da Independência), e aos domingos no Jardim Guacuri, em Diadema.

“A princípio eu mesma dava as aulas. Aos poucos, vários professores foram se interessando e se convidando para participar, e eu sempre dei oportunidades a todos. Então, hoje trabalho num sistema de revezamento. O professor que foi um dia voltará provavelmente dali a 2 meses”, conta Sophia.

“O projeto se mantém de forma totalmente voluntária e hoje estamos conquistando alguns parceiros como a ‘Botões Clássicos’, que dá aula de futebol e tem ajudado com a distribuição de produtos de limpeza para comunidades extremamente necessitadas; o salão ‘NaBahia’, que já ofereceu curso de cabeleireiro; o ‘Quitanda Gourmet’, que ofereceu curso de culinária; ‘Scansource’, que doou 3,5 toneladas de alimentos para famílias carentes cadastradas pelo projeto; o ‘Konecta’, que arrecadou centenas de livros e brinquedos para serem distribuídos a crianças em situações de risco; e a Adidas, que entrou agora como parceiro doando material esportivo e uniforme aos professores, que atualmente são 30.”

“Na minha vida o projeto veio para ocupar um espaço gigante, passo boa parte do dia produzindo o que será feito no final de semana e quanto mais o projeto cresce maiores ficam as funções”, relata Sophia.

Não é difícil de encontrar depoimentos das alunas nas páginas do FacebookInstagram, relatando como o projeto as tem ajudado.

“Se fosse um tempo atrás eu estaria arrumando a casa e cuidando dos filhos. Com o cabelo um ’fuá’, sem nenhuma maquiagem, nem sabia como passar um batom. Hoje me olho no espelho e vejo o quanto eu mudei. Depois que comecei a participação dos treinos e conviver com vocês, meninas. Hoje, eu posso dizer que o treino na laje só me fez ver o quanto eu sou bonita e pensar que sim toda mulher tem uma princesa dentro dela. E melhor, descobrir um amor-próprio, melhor coisa é nós mulheres nos amarmos em primeiro lugar”, conta a aluna Cris.

“Sophia, eu agradeço mesmo todo cuidado que tem conosco. Da aula magnífica. Minha autoestima aumentou demais. (...) Estas aulas vêm me mostrando tantas coisas. Sei que já eliminei uns quilos, porém quero mais. Minha autoestima aumenta a cada dia mais e agradeço de coração sua dedicação a nós, por todo carinho que tem a cada uma”, depoimento da aluna Daiane.

“Antes do treino eu estava com minha autoestima muito baixa. Me achando feia. Hoje, ela já está em alta. Estou me achando mais bonita. Obrigada professora Sophia e meninas por vocês me aceitarem, estou amando”, depoimento da aluna Cristiane.

E, se você pensa que o projeto entraria em pausa durante a quarentena, está muito enganada. Sophia se recusou a deixar suas alunas na mão e logo encontrou uma solução. As aulas hoje estão sendo feitas a partir de lives nas páginas do FacebookInstagram do projeto Treino na Laje. Possibilitando a quem quiser assistir aulas todos os dias e em 2 horários diferentes.

Quando perguntamos sobre o que ela esperava para o futuro em relação ao projeto, Sophia respondeu que gostaria de incorporar mais lajes a fim de receber mais alunas.

Quem frequenta as aulas da Sophia não aprende somente ioga. Aprende também, com uma professora incrível, uma lição de perseverança, altruísmo e compaixão.

Para finalizar a entrevista, perguntamos qual conselho ela daria para alguém que também tem a vontade de mudar o mundo, seja uma ou um bilhão de pessoas. Sophia respondeu: “Se quiser mudar algo, o que fazer? Arregaçar as mangas e começar seja lá o que for!”

Se você tem interesse em ser parceira do projeto Treino na Laje, entre em contato com Sophia pelo Facebook ou Instagram, e seja recebido pelo amor de pessoa que é essa incrível mulher.

Ajudar o próximo pode parecer irrelevante quando se há mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, mas, para a pessoa que você ajudou, mesmo um pequeno gesto, pode fazer toda a diferença. Conte para a gente o que achou da iniciativa da Sophia na seção de comentários.

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