Incrível
Incrível

Histórias sobre pais que, através de ações, provaram o quanto amam seus filhos

As crianças, até pelo fato de terem uma memória mais ’afiada’, costumam ter facilidade para reviver momentos em que experimentaram grandes emoções. E esses momentos podem ocorrer em situações que, para os adultos, são comuns e corriqueiras. Pode ser, por exemplo, a entrega de um presente (mesmo que pequeno) ou a alegria de receber a aprovação dos pais em uma situação inesperada ou difícil.

Nós, do Incrível.club, pedimos aos nossos leitores para relatar alguns desses momentos inesquecíveis vividos na infância.

1.

2.

Ainda me lembro do dia em que fui acusado de roubar a carteira de uma menina porque ela sumiu bem quando fui visitá-la. A avó da garota foi à minha casa falar com meu pai e resolver a situação. Meu pai me perguntou se eu havia roubado ou não. Eu respondi que não. Ele disse para a senhora que a conversa estava encerrada e a aconselhou a procurar melhor a carteira. Por muito tempo, ficou indignado porque eu fui chamada de ladra. Sempre soube que meus pais estavam do meu lado! © Vera Ryndich / Facebook

3.

Em meados dos anos 90, minha mãe trabalhava muito e eu só pensava em exigir sua atenção e em curtir uns dias de diversão. Por esse motivo, em um domingo, fomos ao parque da cidade, para um ’passeio cultural’. Levamos suco na garrafa térmica, sanduíches e bolo. Eu conversava com minha mãe sobre tudo, enquanto admirava a arquitetura e a paisagem — aquilo, para mim, era pura felicidade. Conforme fui crescendo e comecei a ter uma vida mais cheia de compromissos, passei a valorizar o domingo como um dia em que podia dormir mais e percebi o quanto aqueles finais de semana de passeio custavam à minha mãe depois de uma semana de trabalho pesado.

O que mais me emociona não é a lembrança de como éramos próximas naquela época, mas de como ela começou a me deixar assumir certa independência. Mamãe me levou à escola até eu completar 12 anos. Ela ficava muito preocupada em me deixar ir sozinha, pois o bairro tinha muitas construções. Havia um canteiro de obras abandonado, um terreno baldio e demorava muito para passar o ônibus. Eu realmente queria ir sozinha, já que todos da minha classe iam por conta própria e eu, como uma garotinha, chegava ’acompanhada da mamãe’. Então, pedi para minha mãe deixar eu ir sozinha para a escola e ela concordou. Ela ficou preocupada, com medo, contou os minutos até eu voltar, mas deixou.

Quando fiz 15, ela me deixou ir com um grupo da escola a um acampamento de férias. Apesar de apavorada, ela concluiu que já era hora de eu viver aquela experiência.

Essa é, provavelmente, a maior e mais difícil prova de amor materno: deixar o filho que você ama loucamente trilhar o próprio caminho, ’andar com as próprias pernas’. © Melissa / AdMe

4.

Em 1985 precisei ser hospitalizada. Minha mãe veio me visitar depois do trabalho e trouxe algumas roupas que eu havia pedido, ficou um pouco e foi para casa. No caminho, viu em uma confeitaria um bolo de nozes, doce que eu adoro. Então, comprou e voltou com ele ao hospital. O horário de visita já havia terminado e minha mãe passou o bolo por uma fresta da janela. Comi junto com todos os pacientes do meu quarto. Ainda me lembro de mamãe parada na chuva com aquele bolo nas mãos. Hoje, ela está com 80 anos. Deus, lhe dê saúde! © Tatiana Kameneva / Facebook

5.

6.

Na sexta série, decidi que iria fazer um permanente para cachear meus cabelos. Choraminguei e pedi dinheiro para minha mãe. Ela, então, enrolou meu cabelo ainda molhado em panos com pedaços de papel e eu passei a noite toda com eles. Pela manhã, feliz, fui olhar no espelho para conferir o resultado, mas não gostei. Fui tentar pentear, mas era impossível. Fiquei chocada e desesperada. Minha mãe apenas disse: “Vai dar tudo certo, vamos molhar seu cabelo e vai voltar tudo como era, mas, se você tivesse feito o ’permanente’, iria ficar assim por seis meses.”

Quero agradecer a ela, porque éramos três filhos. Ela trabalhava e ainda encontrava maneiras criativas para dar tais explicações a todos nós. Mamãe te amo muito, você é a melhor! © Irina Sherbakova / Facebook

7.

No jardim de infância, eu já sabia que o pão era feito de farinha e que a farinha era feita a partir do trigo. Eu nunca tinha visto um trigo de verdade, apenas desenhos e achava muito parecido com um tipo de capim comum. Depois de fazer uma aula de jardinagem no parque, juntei um pouco daquele tipo de mato e, toda feliz, entreguei à minha avó. Achando que eu tinha colhido trigo, pedi a ela que fizesse pão com aquilo. No dia seguinte, minha avó veio me buscar na escola com um pedaço de pão preto fresco e disse que tinha sido feito com o trigo que eu havia colhido. Por muito tempo ela sustentou aquela história. Cresci, e não falamos mais sobre o assunto. Mas foi tão bom! © Margarita Tiumentseva / Facebook

8.

Não me lembro de um único momento em que meus pais não me apoiaram e ao meu irmão. Sabemos bem a sorte que temos de ter pais como os nossos. Me lembro de que todo ano, eu e meu irmão recebíamos um grande pacote de presentes do meu pai. Era a década de 90 e nessa época ele não recebia um bom salário. Vivíamos muito mal e só hoje tenho essa consciência. Nossos pais preparavam todos os presentes com bastante antecedência.

Então, uma vez, antes do Ano Novo, meu irmão e eu, por algum motivo, fomos a uma estação de metrô. Havia uma loja na região e vi uma boneca Barbie de cabelos brancos. Na mesma loja, meu irmão viu um carrinho de corrida. Fomos para casa e pedimos aqueles brinquedos aos nossos pais, sem muita esperança. Afinal, sabíamos que eles não tinham dinheiro, mas minha mãe nos deu uma nota de 50.

Pelo que me lembro, compramos a boneca e o carrinho. Pelo que me lembro, compramos a boneca e o carrinho. Usamos todo o dinheiro, que, aliás, era o último recurso que tínhamos para passar o mês. Me diverti muito com aquela boneca e agora minha filha brinca com ela. Amo muito meus pais. Afinal, mesmo naquele momento difícil, eles foram capazes de nos dar uma infância maravilhosa. © Anastasia Mudrova / Facebook

9.

10.

Uma vez, tive uma vizinha que se exibia por uma boneca que foi comprada para ela (sua família era bem rica). Eu nunca tinha visto uma boneca como aquela; tinha bonecas comuns, mas aquela era magra, tinha longos cabelos brancos e um vestido de seda com renda, além de uma coroa na cabeça. Olhei para ela fascinada e percebi que nunca teria uma igual.

Tínhamos uma vida modesta e minha mãe ainda estava de licença-maternidade do terceiro filho. Durante vários dias, quando eu voltava da escola, minha mãe ia a algum lugar e lá ficava por várias horas. E então, inesperadamente, apareceu certo dia com a boneca dos meus sonhos. Só que a minha tinha um vestido azul. Mantive ela bem conservada até crescer. Minha mãe, como fiquei sabendo mais tarde, foi costurar para fora só para comprar aquela boneca. Obrigada, mamãe © Angelica Popinako / Facebook

11.

Quando eu tinha dez anos, vi, pela primeira vez, um cachorro collie e perdi a cabeça. Naquela época, um cachorro custava 400 dólares, muito dinheiro. Minha mãe me dava um dólar por semana para eu almoçar na escola. Mas decidi economizar; só comprava biscoito e suco e o que sobrava, colocava em um cofrinho... também fazia entregas e, às vezes, guardava o troco quando ia ao mercado para minha mãe.

Contava minha ’fortuna’ toda semana e já me imaginava passeando com o cachorro todos os dias. Entrei para um clube de criação de cães, li dez vezes todos os livros sobre filhotes que ofereciam. Depois de cinco anos, o cachorro custava 500 dólares... e eu tinha cerca de 150 no meu cofrinho.

Certa vez hospedamos um parente em casa, que roubou quase todas essas suadas economias. Quando descobrimos, já era tarde demais; restavam, em moedas, apenas 20 dólares. Chorei muito quando contei o que sobrou. Seis meses depois, minha mãe me deu o dinheiro para comprar um cachorrinho. Jamais me esquecerei disso: ela me deu todo o salário e todo o pagamento das férias. Pude ter o sonho da minha vida. Minha querida Elo viveu comigo por 11 anos. Há 20 anos, ela se foi e eu guardo até hoje as medalhas que conquistou nas exposições... Por toda a minha vida serei grata à minha mãe, pois ela realizou meu sonho e ainda cuidou de mim até eu me tornar uma adulta. © Olga Aksionova / Facebook

12.

13.

Em meados dos anos 90 eu cursava a sexta série e tinha aulas até tarde da noite. Um dia eu senti uma dor de dente tão forte que até comecei a chorar. Era por volta de 18h00 durante uma aula de Matemática, e eu sabia que a clínica odontológica iria fechar às 19h00. Com lágrimas nos olhos, pedi à professora que me deixasse ir ao dentista. A professora não acreditou, mandou eu parar de fingir. Coloquei meus livros dentro da mochila e saí da aula mesmo sem autorização. Foi quando ouvi a professora dizendo: “Amanhã não venha para a escola sem trazer seus pais!”

No dia seguinte, minha mãe foi à escola. O diretor nunca tinha visto nada parecido; ela quase quebrou tudo e conversou com todos os professores em um tom que até ele, o diretor, ficou calado. E tudo porque, quando cheguei em casa, já estava com tanta inflamação que a febre beirava os 40 graus e minha mãe teve de correr comigo para o hospital.

Minha mãe ainda é minha protetora! E o mais importante, ela nunca, nunca gritou comigo! Sabe como me educar, falando com calma, mas em um tom firme. © Elena Zhvavaya / Facebook

14.

Pais: amem e protejam seus filhos. Ninguém vai fazer isso tão bem por eles como vocês. Sou muito grata à minha mãe. Ela criou nós três sozinha e sempre encontrava tempo para nos levar para passear na praia. Nunca se recusava a dar dinheiro para que comprássemos um sorvete e um ingresso para o cinema.

Minha mãe sempre me protegeu, mesmo depois que cresci. Tive um namorado compulsivo, que não queria aceitar, de jeito nenhum, o fim do namoro. Até que reclamei com minha mãe. Então, ela conversou com ele e o cara nunca mais apareceu na minha vida. © Nara / AdMe

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