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Este artista desenha grandes cidades. De memória e com detalhes

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Este é Stephen Wiltshire, artista e dono de uma galeria de arte em Londres.

Ele é famoso por sua obra artística surpreendente, não apenas pela precisão dos detalhes, mas também porque cada desenho que ele faz reproduz com perfeição uma cidade que ele viu apenas por alguns minutos e lembra de memória.

Porém, ao contrário do que você poderia pensar, Wiltshire não aparece durante suas exposições, nem entrou em contato com centenas de galeristas e vendedores de arte para mostrar sua obra. Quando as pessoas visitam suas exibições artísticas, ele permanece numa pequena mesa, num cantinho, recebe elogios com timidez e apenas sorri. Isso se deve ao autismo, condição com a qual foi diagnosticado quando criança. Os médicos disseram à mãe que seu filho teria sempre dificuldades na relação com outras pessoas, que sua inteligência emocional não se desenvolveria como nas demais crianças da mesma idade. O que talvez os psicólogos e especialistas que cuidaram de Stephen desde cedo não tenham calculado é que, compensando sua pouca habilidade social, ele teria outras grandes habilidades para se comunicar com o mundo. 

Incrível.club quer que você conheça esta história vinculada a uma grande obra artística que demostra que os meios para nos relacionarmos com o mundo exterior e as linguagens expressivas podem ser tão diferentes como as pessoas que existem no mundo.

Para Stephen, é mais fácil desenhar do que conversar ou ter contato físico; sua janela para os outros é um pincel com tinta e uma grande folha de papel. 

Ele afirma que gosta de observar paisagens urbanas; se deleita com as formas dos edifícios e as curvas das ruas: "As cidades são tão bonitas... esses prédios, tão altos", diz, num suave tom de voz.

Sua técnica foi analisada por especialistas em arte e estudiosos do cérebro humano. Para estudiosos de ambas as áreas, as habilidades do artista são consideradas impressionantes. Afinal, como ele consegue guardar tantos detalhes das fachadas dos edifícios, das sombras feitas pelo sol e do número correto de janelas em um arranha-céu?

Até agora é impossível determinar como este tipo de memória funciona, como ela é produzida e como se relaciona com o autismo. Quando perguntam como ele consegue, o artista responde apenas: "Faço um esboço rápido no meu caderno", e encolhe os ombros, como se o resto do processo fosse muito fácil. 

Um dos seus trabalhos mais impressionantes é um detalhado desenho panorâmico 10 metros de largura retratando a cidade de Tóquio, que fez de memória depois de sobrevoar em um helicóptero a capital japonesa uma única vez. Ele fez isso pela primeira vez há dez anos, e desde então é convidado a visitar dezenas de cidades fazendo sobrevoos e depois desenhá-las. Na foto, Stephen aparece trabalhando nessa magnífica obra. 

Quando começou a frequentar a escola e se relacionar com outras crianças, Stephen não falava sequer uma palavra. "Era um aluno calado que se sentava no canto. Não dizia nada e nem se relacionava com os outros. Ele mantinha a cabeça baixa enquanto desenhava no papel", lembra sua irmã.

A cada semana, a classe de Stephen e de sua irmã visitava Londres, sua cidade de origem, algum monumento ou lugar emblemático. De volta à escola, pediam às crianças que desenhassem o que haviam visto.

Foi quando os professores de Stephen se deram conta de que suas habilidades artísticas superavam muito a de seus colegas e que seu traço era extraordinariamente avançado para sua idade.

Tanto sua mãe quanto os professores souberam apreciar o talento de Stephen, e lhe ajudaram a desenvolvê-lo. Isso fez com que se transformasse num artista e pudesse se dedicar ao que mais ama na vida: lembrar e desenhar. 

Stephen passou de um garoto calado e retraído para um artista com vídeos que se tornaram virais no YouTube, e finalmente para um reconhecido desenhista cuja obra é avaliada em milhares de libras esterlinas.

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