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Como a coragem dessa jovem aventureira mudou os rumos da aviação e inspirou Hollywood

Nos últimos tempos, as mulheres têm conseguido mais espaço na sociedade, com independência emocional e financeira cada vez maior. Mas, se hoje é possível celebrar essas conquistas, devemos muito a mulheres que se destacaram em épocas e localidades nas quais nem sequer eram consideradas cidadãs. Uma dessas pessoas foi a britânica Beryl Markham, a primeira pessoa a cruzar o Oceano Atlântico, de leste a oeste, pilotando um avião.

Incrível.club encontrou a história dessa pioneira do século XX e se inspirou para contá-la. Uma trajetória de determinação e coragem, que rendeu livros e até filme em Hollywood. Vamos saber mais sobre essa mulher valente a partir de agora. Venha com a gente!

Quem foi a jovem Beryl Markham?

Beryl Markham nasceu em 1902, na Inglaterra. Filha de nobres ingleses, se mudou para o Quênia quando tinha cerca de 4 anos — o pai levara toda a família para o continente africano, mas a mãe não se adaptou e voltou para a Europa, deixando a jovem garota. Enquanto o pai de Beryl trabalhava, a menina era cuidada por membros da tribo suaíli, e cresceu como uma nativa.

Ainda que pequena, a presença do pai foi marcante na vida da menina Beryl. Foi ele quem a ensinou montar a cavalo, fato que a colocaria em destaque anos mais tarde. No entanto, quando a menina ainda era adolescente, o pai perdeu toda a sua fortuna. Desesperado, foi embora para o Peru, deixando a filha para trás.

Pobre e sozinha, ela foi acolhida pela tribo africana. Ainda que tivesse sido matriculada em uma escola inglesa, a garota se sentiu deslocada e voltou para a convivência e a educação na tribo, onde desenvolveu sua habilidade na montaria e outros esportes de competição.

Os casamentos e a postura pioneira

Quando tinha 16 anos, Beryl se casou pela primeira vez — foram três casamentos ao longo da vida. Nesse período, continuava a se dedicar à sua paixão pela montaria e, aos 19 anos, tornou-se a primeira mulher na África a receber uma licença de treinadora de cavalos de corrida. O primeiro divórcio veio no ano seguinte e foi quando a jovem começou a se enveredar pelo mundo da aviação.

No entanto, a preparação de cavalos ainda era a sua ocupação principal. Em pouco tempo, ela já havia treinado diversos campeões. E, em 1926, seu cavalo foi vencedor da prestigiada St. Leger, uma corrida dos melhores cavalos do Reino Unido.

A vida como piloto na década de 1930

Logo que começou as aulas de voo, Beryl comprou seu próprio avião. O plano era operar com fretamento aéreo. Mas antes de tirar esse projeto do papel, ela tinha outro: em abril de 1931, ela voou do Quênia para a Inglaterra — cruzando o deserto e o mar, navegando pela vista e parando no caminho para consertos de motores.

Quando voltou para o Quênia, ela fez o exame para piloto comercial. O teste envolvia desmontar um motor, limpar jatos e filtros, trocar plugues e pontos, além de um teste escrito sobre teoria e prática de direito aéreo e navegação. Assim, Beryl tornou-se a primeira pessoa treinada no Quênia a obter uma licença de piloto comercial. Com pouco mais de 20 anos, a determinada jovem já trabalhava com transporte de mercadorias, correspondências e pessoas, incluindo transferência de pacientes para o hospital de Nairobi.

Uma mulher na travessia do Atlântico

Aos 32, ela fez um voo solo histórico atravessando o Atlântico Norte da Inglaterra para o Canadá. Cruzar o oceano de leste para oeste naquela época era um feito inédito, já que os ventos contrários tornavam o voo quase impossível com os equipamentos do início do século. Por isso, ela considerou essa viagem como algo que iria muito além de uma aventura.

Em uma entrevista da época, Beryl declarou: “Se eu atravessar, terá valido a pena porque acredito no futuro de um serviço aéreo do Atlântico. Planejei este voo porque queria estar nesse serviço aéreo. Se eu atravessar, acho que terei conquistado meu lugar”. E assim, em 1936, num trajeto que durou 21 horas sob neblina, a desbravadora conquistou aqueles céus ainda não explorados.

O que Beryl Markham deixou ao mundo?

Anos depois de ter se tornado uma pioneira da aviação, Beryl Markham escreveu o livro West with the Night. Traduzido, o título significa Oeste Com a Noite. Ali, a agora escritora narrou suas vivências desde a infância no Quênia até a sua chegada ao Canadá, um marco na história da aviação mundial. Apesar de não ter feito muito sucesso na época do lançamento, em 1942, a narrativa empolgante do livro conquistou gerações e, em 2014, ficou em 8º lugar na lista dos 100 melhores livros de aventura de todos os tempos.

A melhor crítica que o livro recebeu veio de ninguém menos que Ernest Hemingway. O escritor ficou muito impressionado com a escrita de Beryl e confessou: “Ela escreveu tão bem, e maravilhosamente bem, que me deixou completamente envergonhado de mim mesmo como escritor”.

Depois desse sucesso, a história ainda virou filme em Hollywood. Ela foi retratada em Out of Africa, uma adaptação literária do livro de memórias da dinamarquesa Karen Blixen, que conviveu com Beryl na juventude. Além disso, ela teve um documentário e uma série (Beryl Markham: A Shadow on the Sun) na TV americana, na década de 1980.

Se ainda hoje perseguir os próprios sonhos pode ser um grande desafio, imagina há quase 100 anos... por isso, podemos ter essa história como fonte de inspiração, não é mesmo? E você, conte para nós o que te motiva no dia a dia.

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