Incrível
NovoPopular
Inspiração
Criatividade
Admiração

Autores do Incrível.club contaram sobre os constrangimentos que passaram por conta de suas aparências

1---
16k

Todos nós já passamos por situações que queríamos esquecer que existiram. Em certos casos, no entanto, não é nem por culpa nossa, mas sim por conta daqueles à nossa volta que não tem bom senso suficiente. É claro que podemos olhar para isso com certo humor, mas às vezes só queremos nos esconder o mais rápido possível ou usar uma capa de invisibilidade. Tudo pode acontecer, incluindo pessoas “sem noção” que querem te ensinar como se livrar de parasitas.

Incrível.club pediu para seus autores para compartilhar histórias sobre como certas pessoas reagiram às suas aparências. Acompanhe!

  • Eu tenho dreads. Em um belo dia, estava bebendo café no parque, e passou uma mulher perto de mim com seu filho de uns 3 anos. O menino ficou paralisado, olhando para mim com os olhos abertos e murmurando alguma coisa à sua mãe. A mãe disse: “O que foi?”, Ele sussurrou novamente e apontou o dedo para mim. A mulher ficou vermelha e disse (alto e em bom som): “Ah, ela é alguma bruxa do parque! As moças que usam tranças”. A criança esbugalhou os olhos ainda mais até a mãe pegar ele pelo braço e levar embora.

  • Uma vez, eu alugava um quarto no apartamento de uma senhora. Andava sempre escondendo as tatuagens que tinha pelo corpo, pois ela adorava dizer que quem tem tatuagem é ajudante do diabo. Saía de casa sempre com blusas de manga comprida para evitar problemas, e ela levava frequentemente panfletos de cunho religioso para casa. Certa vez, decidi dar uma lida em um deles, e dizia que o “McDonald’s” usava carne de bebês recém-nascidos. Me assustei na hora e nunca mais cheguei perto de nenhum desses panfletos. O interessante é que pela aparência, ninguém imaginaria isso dela. Ela era uma senhora bem moderna na forma de se vestir, simpática e sorridente.

  • Eu era gótica aos 17 anos: usava roupas pretas, vestidos com espartilho, colares com espinhos, meus cabelos eram ruivos e longos, deixava o rosto bem pálido e fazia uma maquiagem assustadora. Uma vez, estava passeando pelo cemitério ao anoitecer quando escutei uma música. Eu estava com um vestido preto e longo. Fui descobrir de onde vinha a música e encontrei um casal, que parecia estar criando um clima romântico: eles acenderam velas por todos os lados. Quando me aproximei, eles gritaram e correram. Ah, sim, eu apareci logo por trás de uma das covas.
  • Uma vez, a cabeleireira da minha mãe me viu na rua pela janela do salão, enquanto cortava o cabelo da minha mãe. Eu também cortava o cabelo com ela, então ela me reconheceu imediatamente. Naquela época eu estava namorando um certo rapaz, e estava passeando de mãos dadas com ele. Assim que ela me viu, disse à minha mãe: “Nossa, como você deixa sua filha namorar um rapaz desses? Ela é uma menina ainda, e ele deve ter 20 anos a mais do que ela!” Na realidade, eu tinha 22 anos e ele era mais velho apenas 2-3 anos.

  • A cor do meu cabelo é ruivo claro. Uma vez no ônibus, uma pessoa disse que eu iria queimar no inferno por ter cabelos dessa cor. Todos escutaram.

  • Eu tinha uma vizinha muito desagradável no prédio onde morava. Ela reclamava de tudo, até do meu filho quando ele era pequeno e estava aprendendo a andar. Certa vez, ela não aguentou e disse: “Mas onde é que está a mãe desse menino? Por que ela está deixando a criança brincar no relento?” Bom, ela achou que eu era a irmã mais velha dele, que não tomava conta da criança direito. Ela ainda me ameaçou dizendo que se queixaria para a minha mãe, depois que eu fui grossa com ela.

  • Um belo dia, eu estava indo para outra cidade de ônibus quando uma velhinha começou a implicar com os meus dreads. Muitas pessoas fazem a associação de que dreads é sinônimo de piolho. Então, ela decidiu que eu também tinha piolhos, e começou a conversar com alguém bem alto no ônibus na esperança de que eu fosse escutar: “E, sabe, isso é muito bom para quem tem piolho...”

  • Eu sou baixinha e aparento ser bastante nova. Meus cabelos são bem curtos também, e às vezes pinto de cores bem diferentes. Certa vez, estava no ponto de ônibus com a minha mãe, e se aproximou uma conhecida dela. Elas não se viam há bastante tempo e começaram a conversar. A mulher perguntou para onde estávamos indo, e minha mãe respondeu: “Vamos ao supermercado”. Nessa hora, ela notou que eu estava ao lado, se assustou, e perguntou: “Nossa, essa é sua neta? Ela já está tão grande assim?” Minha mãe: “Não. Essa é minha filha”. A mulher arregalou os olhos, parou por alguns segundos, e disse: “Mas quantos anos você tem para ter os cabelos dessa cor e curtos ainda?”. Eu disse: “Farei 38 no mês que vem”. Ela se calou, se despediu e foi embora.

  • Esta história aconteceu com uns amigos meus, de quando todos estavam vestindo casacos pretos e calças pretas. Todos eles tinham cabelos longos, presos em um rabo de cavalo, e alguns ainda tinham barbas. Sabe quando você já está trabalhando para uma empresa relativamente séria, mas ao mesmo tempo não quer perder o estilo? Então, eles estavam na entrada de um prédio esperando um amigo, um do lado do outro. Duas mulheres passaram perto, e uma disse à outra: “Olha só, os vampiros vieram sugar o sangue de alguém hoje”.

  • Deixo meu cabelo bem curto e uso, normalmente, roupas mais masculinas. Por isso, é comum ter problemas com certas mulheres em banheiros públicos. Quando estou no shopping, escuto sempre alguém dizendo que “o banheiro masculino é do outro lado”. Normalmente, eu não digo nada, mas certa vez, uma mulher correu atrás de mim, me segurou pelo braço e disse: “Eu estou falando com você, mas parece que você não me escuta. Você está no lugar errado”. Eu respondi, dizendo que até poderia ir ao banheiro masculino, mas teria dificuldade de mirar no mictório.

  • Eu tinha 6 anos quando meus pais permitiram que eu fosse para um passeio do jardim de infância para a praia. Por algum motivo, eles cortaram meu cabelo curto demais, meu nariz estava coçando por conta dos pelos gato e ainda estava sem o dente da frente. Ai, aqueles tempos. Então, uma das professoras que não me conhecia, disse à minha amiga: “Por que você está parada? Dê a mão ao seu amigo e vão nadar! Como você se chama, menino?” Foi então que minha feminilidade levou o primeiro soco.

  • Tenho um metro e meio de altura. Preciso escolher roupas da seção infantil e, por isso, meu estilo não é muito “adulto”. Depois que me mudei para outro país, não tinha condições de comprar livros nas lojas ou até de encontrar online. Queria muito ler alguma coisa. Perto da minha casa, havia uma biblioteca infantil. Eu não sabia naquela época que só era possível pegar livros em bibliotecas infantis se você fosse aluno de escola. Por isso, não pensei antes de ir fazer o cadastro. Tive o seguinte diálogo com a moça da recepção, que não me esquecerei nunca:
    — Oi, gostaria de fazer o cadastro.
    — Oi, lindinha! Você deve ser da escola da esquina, certo?
    — Hm....
    — Qual a série?
    — Hm...
    Aqui eu comecei a entender por que bibliotecas infantis têm esse nome, e não quis perder a chance que estava escancarada à minha frente. Por fim, segui o fluxo, e me cadastraram. Não tinha ideia do que dizer, mas parece que deu certo e frequento essa biblioteca há mais de 2 anos.

  • Desde a 8ª série, tenho um dente da frente escuro. O dentista fez o tratamento por muito tempo, fez canal, perfurou, removeu tudo o que podia, mas meu dente ficou levemente acinzentado. A diferença era pequena e, por isso, não me incomodava muito. Uma vez, porém, o novo namorado de uma amiga me perguntou onde eu tinha feito o implante, e quanto tinha custado. O menino me viu pela primeira vez, e a primeira coisa que ele notou foi meu dente escuro! Não aguentei de vergonha na hora. Não sabia como dizer que o dente era meu.

  • Tenho 2 cachorros. Quando saio para passear com eles, o estilo é quase sempre o mesmo: moda “mendigo”. Quem tem cachorros vai entender o que eu estou dizendo. Sem contar que eu sou freelancer e, por isso, ando com os cachorros normalmente à noite ou de madrugada. Então, meu marido e eu decidimos passear com os cachorros. Passamos em um mercadinho 24h para comprar cerveja. Entrei no mercado com os cachorros, enquanto meu marido me esperava na rua. Horário: 1:40. Comprei duas garrafas, e quando me virei, vi o rapaz por quem eu era apaixonada uns 15 anos atrás. Ele me olhou com tal desgosto e pena, que eu quis abrir as garrafas antes mesmo de sair do mercado. Meu cabelo estava preso em um coque com lápis, sem contar que estava todo embaraçado, meu casaco estava sujo e cheio de saliva de cachorro, minhas calças e sapatos estavam cobertos com tanto pelo que era difícil saber a cor exata. Nessa mesma hora, eu abraçava as duas garrafas de cerveja, olhando para ele, guardando as moedinhas do troco no bolso. Parecia que ele estava prestes a me dar uma esmola. Fim de carreira.

  • Em primeiro lugar, eu moro no 3º andar. Durante um verão extremamente quente, decidi tomar um banho e trabalhar no computador fazendo topless, sem nada. Estava sozinha em casa, então não me preocupei. Enquanto trabalhava, sentindo a brisa do vento bater, de repente vi na janela um homem descer em um daqueles guindastes para limpar janela. Nesse momento, uma longa pausa no tempo: eu, a moça indefesa e fazendo topless em frente ao computador, e ele, o malvado da serra elétrica, pronto para pegar sua próxima vítima. Ele, na verdade, ficou tão sem reação, que parecia que não lembrava mais por que estava ali. Felizmente, ele foi bem amável: não desviou o olhar, mas pelo menos deu “oi”.

Você já teve alguma situação curiosa (ou desconfortável) por conta da sua aparência? Comente!

Ilustradora Ekaterina Gapanovich exclusivo para Incrível.club
1---
16k
Compartilhar este artigo