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A origem surpreendente de 15 expressões que usamos no dia a dia

Fazer uma vaquinha, estar na pindaíba, rodar a baiana, chegar de mãos abanando, pagar o pato... Com certeza você já ouviu ou usou algumas dessas expressões e sabe o que elas significam. E, se não sabe o que significam, com certeza as pessoas mais velhas de sua família podem explicar. Afinal, que neto nunca ouviu da avó: “Você é um santinho do pau oco”?

O que muita gente às vezes não sabe é que os ditos populares têm origens em fatos históricos, em comentários jornalísticos, em modos e costumes de nossos antepassados e até na necessidade de juntar dinheiro entre torcedores para pagar o salário de um jogador de futebol.

Para esclarecer a origem histórica de algumas expressões que usamos o tempo todo, o Incrivel.club fez uma pesquisa que vai encher seu dia de conhecimento. Vamos aprender e nos divertir?

1. Estar na pindaíba

A expressão “estar na pindaíba”, todo mundo sabe, quer dizer estar mal de dinheiro, com as finanças curtas. Mas há duas hipóteses para a origem da expressão:

  • Pindaíba, do tupi, é o nome de uma árvore cuja madeira era usada para fazer varas de pescar. Quem estava na pindaíba, portanto, era alguém que dependia da pesca como forma de sustento. Na impossibilidade de comprar comida, o jeito era pegar um peixe.
  • A palavra também poderia ter se originado de “mbindaíba”, da língua quimbundo, trazida pelos africanos que habitavam a região de Angola, e que quer dizer miséria.

2. Chato de galocha

O chato de galocha é aquele que ninguém quer ver por perto. É o sujeito inconveniente que estraga a festa, conta a mesma história mil vezes ou reclama da vida o tempo todo.

Acredita-se que a expressão tenha surgido no Brasil de outros tempos, quando era hábito usar galochas para proteger os sapatos da chuva. O chato de galochas entrava na casa dos outros sem tirar o calçado de borracha, enchendo o ambiente de água e de lama. Ninguém merece!

As galochas antigas eram bem diferentes dos nossos modelos modernos e coloridos. Acima, um exemplar fabricado no Brasil na década de 1830, hoje em exposição no Bata Shoe Museum, do Canadá, que tem uma coleção histórica de calçados.

3. Fazer uma vaquinha

Quando precisamos juntar algum dinheiro para ajudar uma pessoa, organizar uma festa ou fazer uma compra coletiva, alguém sempre sugere: “Vamos fazer uma vaquinha”.

A expressão, acredita-se, nasceu no Rio de Janeiro, nos anos 1920, entre os torcedores do Vasco da Gama, quando o futebol brasileiro ainda não pagava uma fortuna para seus jogadores. A torcida se reunia para arrecadar dinheiro a fim de pagar o salário dos jogadores e contabilizava o total com base nos prêmios do jogo do bicho (prática ilícita no país desde os anos 1940). Quando conseguiam juntar 25 mil réis, o prêmio máximo do bicho na época, diziam ter conseguido “fazer uma vaca”.

4. Acabar tudo em pizza

Quando uma investigação termina e os responsáveis não são punidos, o povo e a imprensa declaram: “Acabou tudo em pizza”.

A origem da expressão também tem a ver com o futebol, só que dessa vez na cidade de São Paulo e na década de 1960. O Palmeiras enfrentava uma crise complicada entre seus dirigentes e, depois de uma reunião de 14 horas, para acalmar os ânimos, aliviar o cansaço e a fome, foi feito um pedido de 18 pizzas gigantes.

Depois da rodada de comilança, a discussão acabou em um acordo entre as partes que brigavam. O que fez o repórter Milton Peruzzi, da Gazeta Esportiva, cravar a expressão na manchete do jornal: “Crise do Palmeiras termina em pizza”.

5. Rodar a baiana

Quando pisam no seu calo ou mexem com alguém da família, já viu: é hora de rodar a baiana!

A expressão teria nascido nos carnavais do Rio de Janeiro, no começo do século 20. Para defender as moças dos blocos, alguns capoeiristas desfilavam fantasiados com saias compridas. Literalmente, rodavam a baiana, aplicando uma voadora no engraçadinho que ousasse mexer com alguma passista. E as saias voavam...

6. Santa do pau oco

A santa do pau oco é aquela pessoa que finge um determinado comportamento, mas possui segundas intenções.

expressão vem do Brasil colonial, quando contrabandistas de ouro e pedras preciosas usavam estátuas sacras de madeira oca para transportar sua carga e fugir dos impostos que deveriam ser pagos à Coroa Portuguesa. De santo ou de santa, aquelas imagens não tinham lá muita coisa...

Na foto acima, uma antiga imagem de Nossa Senhora da Conceição usada por malfeitores da época.

7. Custar os olhos da cara

Na feira ou no mercado, com certeza já ouvimos alguém dizer: “O tomate está custando os olhos da cara!”, quando alguém quer se referir a um produto muito caro.

A expressão é bem antiga e vem da ganância de conquistadores da América. Diz a história que Diego de Almagro (no quadro acima), a mando da Coroa Espanhola, chegou a uma fortaleza inca em busca de ouro e prata, abundantes na região (hoje território do Peru). Teve um olho ferido e cego durante a invasão e teria dito: “Defender a Coroa da Espanha me custou um olho da cara”.

8. Amigo da onça

A expressão vem do tempo dos nossos avós e é destinada àquela pessoa que, em vez de ajudar, só faz atrapalhar. Ou, pior, acaba colaborando com o inimigo.

A gíria vem de uma piada em que dois caçadores conversavam e um terminava dizendo: “Você é meu amigo ou amigo da onça?” Mas a expressão tornou-se realmente popular quando, nos anos 1940, o cartunista Péricles criou o personagem Amigo da Onça, que aparecia semanalmente na revista O Cruzeiro, inspirando-se em um garçom inconveniente que conhecia no Rio de Janeiro.

9. Chegar de mãos abanando

Sabe aquela festinha em que fica combinado de cada um trazer um doce ou um salgado? Pois é, tem sempre aquele que se faz de desentendido e chega de mãos abanando.

A expressão remonta ao século 19, quando os primeiros imigrantes europeus chegavam ao Brasil com suas ferramentas de trabalho (e desembarcavam carregando essas ferramentas nas mãos), o que indicava sua profissão: marceneiro, lavrador, artesão... Quem chegava de “mãos abanando” era visto como preguiçoso ou indolente.

10. Motorista barbeiro

Quando alguém faz uma trapalhada muito grande no trânsito, é inevitável que outro motorista grite: “Ô, seu barbeiro!!!”

No Brasil colonial, era comum que barbeiros fossem responsáveis por outros serviços além de aparar barbas, bigodes e cabelos, um hábito importado de Portugal. Eles cuidavam de calos, cortavam unhas e até extraíam dentes! Como ninguém consegue fazer tudo perfeitamente, a expressão “coisa de barbeiro” passou a definir um trabalho malfeito. Não se sabe a razão, mas, no século 20, a barbeiragem começou a ser usada para se referir a quem dirige mal e infringe as regras de trânsito.

11. Maria vai com as outras

Quem não tem opinião própria e precisa ter a aprovação do grupo para tomar decisões, você já sabe o que é: uma ’Maria vai com as outras’.

A expressão teria origem em Portugal, no final do século 17, quando a rainha Dona Maria I, mãe de Dom João VI, enlouqueceu e só saía para seus passeios na companhia de damas. Quando o povo avistava o cortejo, dizia: “Lá vai Maria com as outras”. Dona Maria veio para o Brasil com a corte de Dom João e morreu no Rio de Janeiro em 1816.

12. Pagar o pato

Pagar o pato é levar a culpa por algo feito por outra pessoa. Lembra da bagunça que seu irmão fez, mas quem levou a bronca foi você? Então, você pagou o pato!

Uma das explicações para a origem da a expressão vem de uma antiga disputa portuguesa, em que um pato era amarrado em um mastro e os competidores tinham que cortar as cordas que o penduravam ali com um só golpe. Ao perdedor cabia pagar o pato sacrificado.

13. Ver passarinho verde

Quando o crush chega e você fica com as faces coradas de vergonha e emoção, é hora de as amigas zoarem: “Viu passarinho verde!”

Segundo o historiador Luís da Câmara Cascudo, era costume, entre os jovens do século 19, treinar periquitos verdes para que enviassem bilhetes de amor. Outra versão dá conta de que as moças da época punham gaiolas com pássaros verdes na janela para que seus amados soubessem que uma mensagem romântica estava a caminho.

14. Olha o passarinho!

“Olha o passarinho!” Quem nunca ouviu essa frase ao ser fotografado?

Quando a fotografia começou a se popularizar no Brasil, no final do século 19, o tempo de captação das imagens era muito longo. Isso exigia que os retratados ficassem parados por um bom tempo para que a imagem não saísse borrada. Os fotógrafos usavam gaiolas com passarinhos atrás de si, para manter atentos os fotografados, especialmente as inquietas crianças.

15. Farinha do mesmo saco

Você já deve ter ouvido sua avó dizer: “Vocês são farinha do mesmo saco”. Com certeza, ela estava brava por causa de uma travessura cometida entre irmãos, primos ou amigos.

A expressão, que denota um comportamento reprovável por parte de pessoas parceiras no “crime”, vem do latim da Roma Antiga: “Homines sunt ejusdem farinae” (são homens da mesma farinha). Isso porque a farinha de melhor qualidade era armazenada em sacos diferentes, para não ser confundida com o produto menos nobre.

Você conhecia a origem de algumas dessas expressões? Ou teve surpresa ao conhecê-las? Quais delas costuma usar frequentemente? Conhece alguma história parecida? Conte nos comentários!