Incrível

Como a obsolescência de equipamentos está afetando negativamente o Planeta (e o que fazer para lidar com ela)

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O termo “obsolescência” tem vários significados, sendo o principal deles, o de redução da vida útil e do valor de um produto devido ao surgimento de outros semelhantes. Você provavelmente já ouviu falar desse termo. Mas existe uma outra expressão derivada, muito conhecida na indústria, a chamada obsolescência programada. Nesse caso, um produto se torna obsoleto por decisão do próprio fabricante.

Afinal, quando nosso celular ou notebook, por exemplo, se torna obsoleto (seja por incompatibilidade do sistema operacional ou dos cabos, por exemplo), a tendência é adquirirmos um novo, estimulando, assim, as vendas desse produto. O fato é que, por conta dessa questão, muitas vezes, descartamos produtos em perfeitas condições de uso.

Incrível.club mostra, neste post, como funciona a obsolescência programada e como resistir à tentação de se livrar de um produto que ainda funciona bem, evitando, assim, descartar mais lixo (sobretudo eletrônico) que causa enormes impactos ao Meio Ambiente e economizando um bom dinheiro. Fique conosco e confira.

Durante Grande Depressão, na década de 1930, houve um esforço deliberado dos governos, sobretudo dos Estados Unidos, para estimular a economia por meio do investimento maciço em obras de infraestrutura (que geram uma enorme quantidade de empregos) e apoio às famílias. Foi o chamado New Deal. Atribui-se o surgimento do conceito da obsolescência programada a esse momento, em que era necessário estimular a economia, como forma de combater a situação de miséria que atingiu a população americana e mundial após a Grande Depressão. O termo teria sido criado pelo americano Bernard London, que sugeria o estabelecimento de uma vida útil programada como forma de combater a crise por meio do aumento do consumo. Foi nessa época que os fabricantes de lâmpadas dos EUA e da Europa teriam decidido, em comum acordo, que esses produtos teriam uma vida útil de 2,5 mil horas de iluminação.

A ideia, no entanto, só ganharia mais força depois, na década de 1950 (quando, aliás, a economia americana já havia se recuperado), pelas mãos do também americano Brook Stevens, um designer e empresário das áreas de móveis, veículos e motocicletas. Stevens defendia veementemente a ideia da obsolescência programada.

A questão é que, nas últimas décadas, com o aumento da importância do debate sobre sustentabilidade e uma preocupação cada vez maior com o Meio Ambiente, a obsolescência programada vem sendo cada vez mais criticada por governos, ONGs e por cidadãos comuns, o que tem levado a um aumento da pressão sobre as empresas que adotam essa estratégia. Afinal, está claro que qualquer esforço pode ajudar a humanidade a evitar uma catástrofe ambiental capaz de comprometer o futuro do Planeta.

Conheça, agora, os diversos tipos de obsolescência determinados pela indústria.

Obsolescência programada

Em boa parte dos casos, o próprio fabricante programa, de forma intencional, uma determinada vida útil para um produto — o caso clássico é o de uma lâmpada que já sai de fábrica programada para deixar de funcionar após um determinado número de horas acesa ou mesmo de smartphones que já saem de fábrica com uma vida útil pré-estabelecida. Essa estratégia levou o youtuber e influenciador americano Casey Neistat a mover um processo contra a Apple, por conta de um iPod defeituoso. Após a repercussão negativa do caso, a empresa decidiu trocar peças e estender a garantia do produto.

Obsolescência perceptiva

Essa estratégia é aquela em que os fabricantes lançam um produto que não necessariamente apresenta avanços em relação ao modelo anterior, mas que, aos olhos do consumidor, possui esses avanços. Em geral, as vantagens estão associadas ao design. Isso provoca o desejo de ter um produto novo, mesmo que o velho ainda esteja funcionando. O usuário considera que o produto que tem em mãos está ultrapassado. Um exemplo clássico desse tipo de estratégia é o dos fabricantes de veículos, que, em meados do ano, já lançam o modelo do ano seguinte.

Obsolescência tecnológica

Essa ideia faz com que um produto, mesmo que funcionando, tenha de ser substituído por outro que tem uma tecnologia mais avançada. O novo aparelho é mais eficiente e dá aos consumidores uma falsa percepção de avanço. Isso acontece, por exemplo, no mercado de celulares, que em apenas duas décadas, teve milhares de novas versões lançadas, muitas vezes incorporando poucas funcionalidades a mais.

Como evitar as armadilhas da obsolescência programada

A dificuldade de descarte de toneladas de produtos quebrados, ou ainda em funcionamento, só intensifica os graves impactos ambientais que já ocorrem no Planeta. Nosso País é um dos que mais produzem lixo eletrônico e embora haja leis que exigem o descarte correto, dificilmente são cumpridas. A maioria das pessoas não tem ideia de que tais aparelhos podem contaminar seriamente a natureza.

Uma alternativa é a chamada economia circular que prevê, sobretudo, a adoção de técnicas de reutilização e reciclagem. Há, inclusive, diversas empresas que aceitam descarte de lixo eletrônico para reuso. No Incrível.club, já escrevemos diversos posts sobre o tema, como este aqui.

Lixo eletrônico

O lixo eletrônico geralmente é composto de materiais que não se decompõem no Meio Ambiente. A maioria é plástico ou materiais contaminantes, como lítio ou chumbo, que são os componentes principais das baterias de celulares, laptops e até de peças de carros. O Brasil é líder de produção do chamado e-lixo na América Latina e o 7º do mundo, segundo uma pesquisa feita pela ONU. Nossa produção é de cerca de 1,5 mil toneladas por ano.

Descarte seguro

No Brasil, como já mencionamos, existem leis para lidar com esse problema. A principal delas é a Lei nº 12.305/10, que obriga os fabricantes a adotarem medidas para minimizar o problema. Os sites de fabricantes como Motorola, Apple, LG, Nokia, Dell, Positivo e HP dispõem de informações úteis de como e onde fazer o descarte correto. Há ainda instituições beneficentes que coletam esses materiais para reciclagem.

Gostou de saber mais sobre o assunto? O que você tem feito para evitar problemas ao Meio Ambiente? Se preocupa com o descarte correto? Conte para nós.

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