6 Dicas de amamentação que podem preparar novas mamães para esse momento tão especial (+ bônus)

A amamentação é muito importante para a saúde do bebê e pode estreitar os laços afetivos entre a mãe e o recém-nascido. Apesar disso, essa tarefa pode ser bastante desafiadora, pois como diz um ditado, “bebês não vêm com manual”. Por isso, o ideal é estar preparada para tirar o melhor proveito desse momento e deixá-lo o mais confortável possível.

Incrível.club reuniu algumas dicas práticas para ajudar novas mamães na hora da amamentação. Assim, será possível evitar alguns percalços e facilitar essa tarefa. No final, trouxemos um bônus que pode ser muito útil para que algumas mães não se sintam culpadas.

1. Ter referências de amamentação

Apesar de ser algo instintivo, amamentar é um processo que precisa ser desenvolvido, tanto pela mãe quanto pelo bebê. Isso foi detectado em um estudo com mamães de chimpanzés “de primeira viagem”, que eram menos habilidosas em relação às que já amamentaram. As dificuldades eram maiores para aquelas que não tiveram uma referência visual para aprender. Algo que muitas mães humanas também experimentam.

Os recém-nascidos são atraídos pelo cheiro da mãe e nascem com o reflexo de sucção, mas é preciso alguma prática para a correta extração do leite, já que não se trata apenas de apertar os mamilos e sugar diretamente. É necessário que o bebê coloque pressão na aréola e se agarre da maneira certa — você saberá que está errado se doer. Então, para evitar a tentativa e o erro e acelerar esse processo, é interessante ter algumas referências para se conscientizar da prática. Isso pode ser feito observando e conversando com uma amiga, parente (as avós são excelentes professoras) ou, se não tiver ninguém por perto, em um centro de amamentação.

2. Garantir uma posição correta

Para que o bebê “trave” no momento da amamentação, posicione-o corretamente. Alinhe o nariz dele com o seu mamilo e cole barriga com barriga. Assim que a boca estiver totalmente aberta, leve ao peito para que cubra toda a auréola. Isso evitará ferimentos. Então, insira o mamilo bem no fundo da boca. Os lábios devem ficar dobrados para fora, como os de um “peixinho”. Já o queixo deve estar encostado no seio, para ele conseguir mexer a língua e extrair o leite corretamente.

Para trazê-lo mais para perto de você, pressione entre os ombros. Se ainda doer depois das primeiras sugadas, desenganche e se reposicione. Da mesma forma, se não estiver bom para o bebê, ele vai chorar. A dor e a sensação de pressão são normais nos primeiros dias, já que o recém-nascido suga bem forte. Se o incômodo persistir e o seio ficar machucado, é um indicativo de que posição não está certa e deve ser corrigida. Fique atenta, ainda, a sons e covinhas na bochecha que podem indicar a sucção de ar. Para ajustar, deslize seu dedo dentro da boca do bebê e recomece.

3. Aproveitar a primeira hora após o parto

É recomendado que a mãe fique em contato — pele com pele — com o bebê por, pelo menos, uma hora após o nascimento; essa é a chamada Hora de Ouro. Nesse momento, é possível dar apenas algumas gotas de colostro, já que o estômago dele é bem pequeno. Essa atitude acelera a adaptação à vida fora do ventre, reforça o sistema imunológico, fortalece os vínculos afetivos e ajuda a produzir ocitocina, hormônio que auxilia na contração do útero e faz com que a mãe perca menos sangue após o parto.

Amamentar logo depois do parto ajuda, ainda, o leite a descer pelos dutos e educa o recém-nascido para esse momento de alimentação. Também auxilia na expulsão da placenta, caso isso ainda não tenha ocorrido. Vale destacar que nem todos os bebês estão preparados para sugar, o que pode sugerir que a mãe não consegue produzir leite (ou produz pouco). Há, ainda, aqueles casos de crianças mais sonolentas, que têm “preguiça” de amamentar. Mas o fato é que é importante estimular o contato e dar algumas gotas, que já serão suficientes nesse primeiro momento. Depois, se quiserem, os dois podem dormir juntos.

4. Usar todos os tipos de leite materno

leite materno vai se transformando em termos de espessura, cor e nutrientes nas primeiras semanas da amamentação. São três estágios de mudança: colostro, leite de transição e leite maduro. Todos eles são importantes e têm uma função no desenvolvimento infantil. Portanto, a melhor opção é evitar as fórmulas, salvo indicação médica, e só alimentar o recém-nascido com leite materno.

O primeiro tipo, o colostro, começa a ser produzido ainda na gravidez e dura alguns dias após o nascimento. Ele é mais amarelado, cremoso e espesso, com muitos minerais, vitaminas e anticorpos, fornecendo proteção contra diversas bactérias e vírus. Já o leite de transição dura cerca de duas semanas e é rico em lactose, vitaminas e gordura, sendo mais calórico que o anterior.

Por fim, o leite maduro é o que permanece no restante do período de amamentação. Ele tem 90% de água e 10% de proteínas, carboidratos e gordura, tornando-se essencial para o crescimento do bebê. Ele é dividido em anterior e posterior. O leite anterior é composto por água, proteínas e vitaminas. Depois dele vem o posterior, que tem mais gordura e menos água, sendo importante para o ganho de peso. Além disso, a cor do leite pode ser branca, azulada ou amarelada, mas dependendo do que você comeu, ele pode ganhar um tom laranja, rosa, verde ou marrom.

5. Conversar com outras lactantes

Criar uma rede de apoio com outras mães é muito importante para se manter firme durante o período de amamentação e isso pode ser feito até mesmo por telefone. A intenção é trocar experiências e falar sobre os desafios e os benefícios do aleitamento.

Segundo um estudo, conversar com outras lactantes fez 75% das mães continuarem a amamentação por, pelo menos, seis meses. Entretanto, apenas 69% de quem só recebeu orientações na maternidade chegou a esse mesmo tempo. Essa troca é efetiva porque é possível solucionar dúvidas, normatizar comportamentos e levantar questões. Além disso, gera um sentimento de empatia, o que motiva a continuar alimentando no peito.

6. Criar um espaço de amamentação

Antes de o bebê chegar, crie um ambiente confortável e funcional, com utensílios que tornem esse momento mais fácil e agradável. Você não precisa gastar muito, basta providenciar uma poltrona ou uma cadeira, normal ou de balanço, pois o movimento ajuda os bebês a se acalmarem. Outra dica são as almofadas de amamentação, que suportam o peso do bebê e aliviam o pescoço, os braços e os ombros.

Você pode comprar uma específica, usar uma almofada de sofá ou um travesseiro, ou mesmo fazer uma em casa. Por fim, coloque uma mesa por perto, com lanches, água, absorventes para seios, babadores e alguma distração, afinal, você passará um bom tempo por lá.

O ideal é criar uma atmosfera de positividade. Para isso, vale decorar com plantas como gérberas, lírios-da-paz e antúrios, que filtram o ar de substâncias como benzeno, tricloroetileno e formaldeído. Também é possível pintar o quarto ou esse cantinho com cores como violeta, azul, rosa pálido, verde, cinza e branco, que são calmantes e trazem paz ao ambiente.

Você ainda pode usar fotografias, frases e o que mais colaborar para deixá-la menos estressada e o bebê mais calmo. Por isso, pode ser legal se afastar dos barulhos, reduzir as luzes e colocar uma música relaxante de fundo. Você também pode aproveitar esse momento para ler ou ouvir um livro, escrever um diário de maternidade ou mesmo meditar.

Bônus — Não se sentir obrigada ou culpada por não amamentar

Apesar de todos os benefícios vinculados à amamentação e ao contato direto com o bebê, algumas mães podem não ter condições de alimentar seus filhos direto do peito. Isso pode se dar por diversos motivos, como dores excessivas, leite que secou, certas doenças ou mesmo porque não querem. E esse não deve ser motivo para se sentir culpada ou com vergonha, afinal, é uma decisão que cabe apenas à mulher. A questão foi bem expressa pela apresentadora Fernanda Gentil, que há alguns anos fez um desabafo e chamou atenção para essa situação.

Então, caso você passe por isso, o mais importante é procurar ajuda especializada e buscar apoio, pois pode ser que algo esteja errado e sempre há maneiras de facilitar o processo. Isso é importante para evitar o desmame precoce, comum no nosso País, onde a amamentação dura apenas 54 dias, em média. Também é bom se consultar com mais de um médico. Afinal, mesmo os pediatras podem desencorajar as mães, dando um diagnóstico negativo ainda na maternidade e receitando fórmulas. Converse com um médico especializado e de sua confiança.

Outra dica é procurar ajuda com uma consultora, um banco de leite — o Brasil tem o maior do mundo — ou grupos de apoio, como o Grupo Virtual de Amamentação ou o IBFAN. E se não quiser, você poderá alimentar seu bebê com fórmulas, que são recomendadas em muitos casos. Uma outra opção pode ser a relactação, na qual o bebê suga o peito da mãe e recebe fórmula por uma sonda. Isso faz com que a produção seja estimulada e fornece os nutrientes necessários.

Você está ansiosa para amamentar ou já é craque? Deixe suas expectativas ou conselhos sobre a amamentação nos comentários.

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