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“Os pais são quem deve usar os telefones antigos dos filhos” — um texto reflexivo sobre como os pais não devem esquecer de si mesmos

Certamente, busca-se sempre dar o melhor para as crianças. Mas isso significa que os pais devem esquecer de seu próprio conforto e usar apenas o que seus filhos não têm mais interesse ou foi substituído por um novo, mesmo que na situação oposta não pensassem duas vezes em descartar o objeto? Foi com essa pergunta que a autora da página russa Sasha e uma Xícara decidiu lidar em seu blogue. E foi acompanhada por diversos internautas que se juntaram à discussão e expuseram sua opinião.

Nós, do Incrível.club, acreditamos na pluralidade de ideias e opiniões. Com isso em mente, convidamos você a conferir o ponto de vista da blogueira e dos internautas sobre esse tema com a gente. Acompanhe!

A minha querida amiga Kristina me contou que usa as calças da filha, que tem 13 anos. A “Kris” é magrinha e baixinha. Então, por que não?

Uma colega me disse toda animada uma vez que tinha comprado um vestido para a filha, mas que ela tinha usado ele poucas vezes antes de tê-lo doado para a mãe. Só que aí a peça já tinha saído de moda.

No meio de uma discussão em tom de brincadeira sobre um cara que tinha comprado um celular novo para ele e dado o antigo para a namorada, uma conhecida, de cerca de 20 anos, ficou indignada: para ela, os pais são quem deveria ficar com os telefones antigos dos filhos!

E foi aí que eu pensei de fato: em que momento nós perdemos o controle sobre vocês, crianças?

Entendi também que não serei esse tipo de mãe que usa o celular antigo do filho. Eu não quero usar nada que foi de ninguém. Sou uma mulher adulta, eu mesma posso comprar aquilo que quero! Resumindo, eu me peguei em um tipo de conflito geracional. Que divertido.

Eu não gosto da frase “no nosso tempo”, mas, caros amigos... No nosso tempo, as crianças costumavam fazer visitas escondidas ao guarda-roupa da mãe. Isso porque era lá onde ficavam as camisas mais bonitas, as saias da moda e os vestidos mais cobiçados. E ganhar o telefone antigo do pai (porque ele tinha comprado o modelo mais moderno da Siemens) era o sonho de muitos.

Como foi que o lema “Dar tudo de melhor para as crianças!” ganhou uma escala verdadeiramente assustadora? A infância dos “pés descalços” atingiu os adultos de hoje com tanta força, que essas mesmas pessoas estão dispostas a abrir mão até da qualidade da roupa íntima para que o filho possa andar por aí com um telefone novo todo ano? Eu não estou pronta para isso, me desculpem.

Na minha família, pelo contrário, ninguém usa nada que foi de ninguém. Objetos pessoais — não, até porque na nossa casa moram pessoas com idades, gêneros e complexos muito diferentes. Celulares — não, porque... ah, não sei o porquê. Certamente, isso nem veio à cabeça de ninguém. Coisas para reutilizar ou doar para alguém — desculpe, também não tem nada: a sua blogueira Sasha, por exemplo, não compra um celular novo até que o antigo pare de funcionar de vez.

Eu não estou dizendo que essa é a maneira correta de se viver. Só queria que as pessoas tivessem mais discernimento.

As crianças — não passam de crianças. Elas precisam de amor e atenção (claro, além de terem todas as suas necessidades básicas atendidas, porque eu conheço vocês, e agora vão me acusar de encorajá-los a alimentar os filhos com pão e água e vesti-los com trapos, porque o que importa é o amor!). E também de pais normais. Ou de pelo menos minimamente satisfeitos com a vida.

Sim, a moral da história. Se você anda com sapatos furados enquanto o seu filho desfila com o último modelo do iPhone, achando que é assim que tem de ser, pare e analise: você tem certeza de que está tudo bem na sua família?

Eis os comentários de alguns dos leitores da autora

  • Eu uso os tênis e suéteres antigos das minhas filhas adolescentes. O meu guarda-roupa é bastante feminino, com vestidos, saias e vestidinhos; e preciso vestir algo para ir passear com o cachorro. Não vejo sentido em comprar roupas esportivas novas, pois depois de uma semana passeando com um cachorro bastante ativo elas não vão ficar muito diferentes das usadas das minhas filhas. © Yuliya S. / Yandex.Zen
  • A minha filha mais nova usou as botas da mais velha quando cresceu e ficou do mesmo tamanho da irmã. Mas isso só aconteceu uma vez, pois a pequena destrói tudo que tem o azar de cruzar o seu caminho. Teve uma vez que eu tomei o celular quase sem vida dela e, depois de consertá-lo pela garantia, o usei ainda por sete anos com o chip do trabalho. Aqui seguimos a lógica de quem é mais velho passar tudo que der para o mais novo. No geral, as crianças têm uma relação tão negligente com as coisas que você precisa pensar bem antes de comprar algo caro. © Irina Irina / Yandex.Zen
  • Quando o meu filho tinha 13 anos, ele me perguntou por que o meu celular era melhor do que o dele. Eu respondi calmamente: “Provavelmente, porque sou eu que ganho dinheiro na família”. Desde então ele nunca mais fez perguntas como essa. Hoje, meu filho tem 16 anos e encontrou um trabalho temporário durante as férias. P.S.: ele tem tudo que precisa. © Viktoriya Gerasimova / Yandex.Zen
  • Às vezes, os pais não têm condições de comprar um celular novo. Ou por alguma razão não o querem. A minha filha tinha dois celulares, um antigo, daqueles que dobravam, e o meu antigo iPhone. Comprei um aparelho novo bom para ela, daqueles que aceitam dois chips e que têm a tela grande. Pensei que ela fosse pegar os chips dos telefones antigos e colocar no novo, mas em vez disso decidiu comprar mais um cartão SIM. Agora ela tem três celulares e quase não usa o novo. © Lana / Yandex.Zen
  • Não vejo nada de errado em reaproveitar as roupas do filho adolescente que cresceu demais. Por que jogar fora peças boas e da moda que ficaram pequenas para o seu filho, mas cabem bem em você? Ou então dá-las para alguém e comprar as mesmas, só que novas, para você? Para mim, isso é tolice. © Golden Dragon / Yandex.Zen
  • Quando a minha filha mais nova perde ou quebra o celular, eu compro um novo para mim e dou o antigo para ela. Não sei por que os jovens têm o costume de ficar tirando os acessórios do telefone, tipo a capa, a alça de apoio, essas coisas. Já a minha filha mais velha aprontou uma na escola. Um garoto passou por ela e começou a encher sua paciência. Ela, então, jogou o seu iPhone nele. A tela quebrou. Ainda veio me dizer depois: “E o que eu deveria ter feito?” Eu não fiz nada a respeito, e ela continuou usando o celular com a tela quebrada. © kkirill / Yandex.Zen

Você usa as roupas que não cabem mais nos seus filhos ou as doa? Dá preferência em comprar um celular novo para si ou para os pequenos? Compartilhe sua opinião com a gente na seção de comentários.

Imagem de capa kkirill / Yandex.Zen
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