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3 coisas que os bebês aprendem ainda no útero

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A sépia (um tipo de molusco) consegue reconhecer sua presa antes, ainda, de sair do ovo. E o pintinho recém-saído do ovo já sabe a 'senha' de como se comunicar com seus pais por meio do som. Sim, os animais têm essa capacidade de aprendizagem ainda antes do nascimento. Mas nós, humanos, também temos.

O Incrível.club recolheu opiniões dos cientistas sobre como e o que uma criança aprende ainda no útero.

1. Sentir o sabor

É possível adquirir preferência pelo gosto de alguns alimentos antes do nascimento? Esta pergunta interessou o professor Peter Hepper, da Universidade Real de Belfast, na Irlanda.
Juntamente com seus colegas, ele realizou um estudo com 33 crianças, dividias em dois grupos: um cujas mães no final da gravidez comiam alho com frequência e outro, das que nunca ingeriam este alimento. O alho não foi escolhido aleatoriamente. Seu suco é capaz de ser retido no corpo por várias horas após o consumo, e o bebê consegue perceber seu gosto ao engolir líquido amniótico. Isso geralmente acontece depois da décima semana de desenvolvimento. Além disso, o sabor pode ser transmitido diretamente do sangue materno ao sangue da criança, sem passar pelo sistema digestivo.

Descobriu-se que as crianças, cujas mães durante a gravidez escolhiam pratos com alho, comiam batatas com alho com prazer, mesmo quando tinham de oito a nove anos.

Os pratos com sabores menos pronunciados também influenciaram no desenvolvimento do gosto da criança, por exemplo, o suco de cenoura. Os cientistas observaram o desenvolvimento dos bebês cujas mães no final da gravidez tomavam ou suco de cenoura ou apenas água. Depois de analisar as reações no rosto dos bebês com idade de cinco a seis meses de idade, que beberam suco de cenoura e água, os pesquisadores concluíram que as crianças podem ter preferido a cenoura, ainda quando estavam no útero.

"Quando a criança começa a mamar no peito, ela sente o mesmo gosto, ao qual se acostumou durante as últimas 30 ou mais semanas antes do nascimento", diz Hepper. "Se o gosto é diferente, pode haver problemas. É assim que funciona o mecanismo de reconhecimento dos pais. E não só em seres humanos, mas também em animais".

2. Ouvir sons

Uma equipe de pesquisadores finlandeses realizou uma experiência na qual um grupo de mulheres no final da gravidez ouvia quase todos os dias a melodia da canção de ninar 'Brilha, brilha estrelinha' (Twinkle Twinkle Little Star). Já um segundo grupo de mães não ouvia a melodia.

"Durante o experimento, as crianças estavam dormindo", diz Minna Huotilaynen, da Universidade de Helsinki (Finlândia), que liderou o estudo. "A fim de determinar a reação, usamos EEG, ou seja, registramos continuamente o sinal proveniente de diferentes partes do cérebro".

Os cérebros das crianças que ouviram a melodia antes de seu nascimento registraram impulsos mais fortes, em comparação com os das crianças que não a ouviram. Além disso, estas crianças reconheceram quando a melodia era tocada com erros e reagiam a isso. Enquanto isso, para o segundo grupo de crianças, tanto fazia se havia ou não alterações na melodia. Isso levou à conclusão de que aprenderam e memorizaram a melodia quando ainda estavam no útero.

3. Reconhecer a fala

Um psicólogo da Universidade de Nova York Athena Vouloumanos comparou a reação de recém-nascidos à voz humana e a outros sons. Experimentos têm mostrado que os bebês preferem a fala humana a quaisquer outros sons.

Além disso, as crianças reconhecem os sons de sua língua nativa e sentem prazer ao escutá-los. "Os filhos de pais que falam inglês sugam ativamente uma chupeta quando escutam sons da língua inglesa, em comparação quando ouvem sons da língua francesa", disse Vouloumanos. "Enquanto os filhos de pais de língua francesa faziam mais esforço quando ouviam a língua francesa misturada ao russo durante o experimento".

Também se descobriu que as crianças foram capazes de reconhecer os sons de sua língua materna, não só quando pronunciada por sua mãe, mas também por outras pessoas.

O estudo revelou ser muito útil, já que os cientistas têm mostrado o quão importante é dedicar especial atenção ao som ambiente aos bebês nascidos prematuramente. Se houver demasiado ruído mecânico na maternidade, as crianças vão se lembrar desses sons em vez dos sons da fala. No futuro, isso pode levar a problemas na aprendizagem da língua, dizem os cientistas.

Imagem de capa (с)DEPOSITPHOTOS
Produzido com base em material de bbc
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