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Como nosso cérebro fabrica o estranho conteúdo dos sonhos ?

Como nosso cérebro fabrica o estranho conteúdo dos sonhos ?

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Os sonhos têm sido desde sempre um grande mistério para o homem. Inúmeros cientistas têm dedicado seu trabalho a esse assunto, impulsionados pelas mesmas perguntas: de que são feitas as paisagens surreais que nossa mente elabora quando dormimos? Como se fabricam os sonhos em nossa cabeça? Alguns estudos têm permitido estabelecer algumas certezas sobre este fenômeno.

O Incrível.club quer compartilhar com você o que se sabe sobre o funcionamento das engrenagens de nosso cérebro e de onde vêm as informações que formam os sonhos.  

A psicanálise foi uma das primeiras disciplinas a se interessar pelo tema. Freud teorizou a respeito, estabelecendo que os sonhos são feitos de uma combinação entre o que ele batizou de 'resíduos diários' (elementos do cotidiano recente), e o material profundo que nosso subconsciente deseja liberar.

Segundo essa teoria, os sonhos têm a função de ‘liberar’ elementos reprimidos como desejos e temores que nos envergonham, mas palpitam profundamente em nossa psiquê. Como não somos capazes de racionalizar e verbalizar esses conteúdos, deixamos eles saírem aos poucos, usando os sonhos como uma válvula de escape para manter um equilíbrio psicológico.

Essa teoria foi uma das mais aceitas. Mas, há pouco tempo tiveram início novas pesquisas com o propósito de ir além.

Hoje, existem múltiplos estudos a respeito. Um dos maiores desafios enfrentados por quem se dedica a essas pesquisas é material de estudo: os sonhos não podem ser analisados diretamente como o sangue, os músculos ou outra substância no corpo humano. A matéria-prima são as interpretação de quem o sonhou, uma vaga lembrança de uma experiência.

Apesar disso, especialistas como o Dr. Tore Nielsen, do Laboratório Dream and Nightmare, de Montreal, têm dedicado seus esforços para estudar a misteriosa máquina que produz os sonhos.

A pesquisa realizada por Nilsen revela que a produção dos sonhos está associada às lembranças e à região do hipocampo, localizado abaixo do córtex cerebral e que desempenha um papel importante na memória.

Segundo o estudo, os sonhos cumpririam uma função muito importante na consolidação das lembranças. Quando aparecem lembranças recentes em nossos sonhos, isso significa que aquilo que estamos sonhando foi escolhido pelo cérebro para ser enviado à memória de longo prazo. A passagem dessas lembranças por nossos sonhos é uma etapa fundamental para que eles se armazenem de forma definitiva em nossa memória.

As imagens e situações que surgem em nossos sonhos são fabricados pelo cérebro de forma arbitrária. A encarregada dessa produção é a chamada memória implícita, a mesma que usamos para fazer coisas 'no automático'. 

Pensando pela lógica de quando estamos acordados, os enredos criados em nossos sonhos são absurdos e os elementos, sem nexo. Mas esse é um mecanismo que o nosso cérebro usa para gravar esses elementos de forma definitiva, na memória de longo prazo. 

Outro grande descobrimento de Nielsen é que as lembranças que nos permanecem presas na memória durante o dia, podem aparecer cinco ou sete dias mais tarde em nossos sonhos, e não necessariamente na noite subsequente aos fatos, como acreditava Freud.

Finalmente tem se descoberto que sonhar é um dos processos que mais requerem imaginação. Essa descoberta tem como base imagens da atividade cerebral captadas durante o sonho. Elas mostram que a atividade do hipocampo aumenta durante a fase do sono REM (sigla em inglês para Movimento Ocular Rápido, quando, de fato, nossos olhos se movimentam rapidamente, embora estejam fechados).

Você pode até imaginar que esse aumento da atividade cerebral nos deixe mais cansados, mas ocorre exatamente o crontrário: graças a ele, nosso cérebro libera tensões e deixa fluir a informação presa. Por isso, ao acordar logo após um sonho, nosso hipocampo  e nosso cérebro estão novinhos para receber novas informações que entrarão para serem processadas nesse complexo de máquinas.

Assim, nos dias de hoje, sabemos que os sonhos, sua produção e funções estão estreitamente relacionados com nossas lembranças. Sabemos, ainda, que o sonho ativa zonas do cérebro associadas à criatividade. Por fim, sabemos que o caldeirão no qual são feitos nossos sonhos recebe como ingredientes lembranças da última semana e informação do nosso subconsciente, como medos e desejos reprimidos.

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