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A verdadeira história por trás de "O regresso"

A verdadeira história por trás de "O regresso"

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O Regresso (The revenant) é o recente trabalho do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, que ganhou o seu lugar entre os grandes de Hollywood com filmes como Birdman, ganhador do Oscar de Melhor Filme em 2015. 

Este filme estrelado por Leonardo DiCaprio conta a história de Hugh Glass, um valente aventureiro americano a quem são atribuídas centenas de mitos e que se tornou uma lenda na tradição oral em seu país de origem. O desempenho, que rendeu a DiCaprio a indicação como melhor ator no Oscar e um Globo de Ouro, recria algumas das cenas mais emblemáticas da vida de Glass. Entre elas, o confronto corpo a corpo com um urso cinzento no meio da floresta.

Incrível.club convida-o a conhecer o homem por trás da história; o ser humano que deu origem à lenda.

Hugh Glass nasceu nos Estados Unidos, aparentemente, na Pensilvânia, em 1780. Pouco se sabe sobre a sua infância e juventude, mas rumores dizem que foi pirata, jogador, marinheiro e até mesmo que se uniu aos índios Pawnee, na região que atualmente corresponde a Dakota do Sul, nos Estados Unidos.

Segundo os poucos documentos oficiais existentes na época, assim se parecia Glass: 

Em 1823, Glass ingressou no grupo "os cem de Ashley", uma expedição de homens recrutados em anúncios em jornais nacionais, onde o general William Henry Ashley e seu sócio Andrew Henry pretendiam recolher o máximo de peles de animais para depois comercializá-las.

Durante a expedição, os homens de Ashley sofreram numerosos ataques de índios, como os Arikaras. Glass mostrava-se sempre confiante e dominante no grupo, indicando que, além de conhecer muito bem o território por onde se moviam, era capaz de enfrentar grandes perigos sem hesitar.

A façanha que o fez famoso ocorreu no interior de uma floresta, quando ficou sozinho diante de uma mãe urso cinzenta, que tentava defender seus dois filhotes.

Glass saiu vitorioso, mas gravemente ferido da luta contra o grande animal. Seus companheiros de viagem o encontraram poucos minutos depois e, ao ver suas condições, acreditaram que não sobreviveria àquela noite. Para surpresa de todos, Glass acordou vivo. A empreitada deveria seguir em frente e era impossível carregar nas costas um homem tão ferido pelo terreno acidentado, mas dois homens ficaram com ele, voluntariamente, esperando que morresse e com o compromisso de lhe dar um enterro apropriado.

Os dias se passaram e Glass não morreu. Os homens que o acompanhavam temeram ficar atrás do grupo e o abandonaram à sua sorte, sem imaginar que o moribundo deixado para trás renasceria e se agarraria à vida no meio do nada.

Ele sobreviveu e conseguiu voltar ao acampamento base da empresa. Sua história se tornou famosa e logo se tornou um ícone que inspirou dezenas de obras literárias e duas grandes histórias cinematográficas. Os jornais locais e nacionais espalharam a história do sobrevivente, uma vez que se tornou conhecido. Em 1922 foi publicado um artigo narrando a viagem de Glass:

Sabe-se que este homem viveu pelo menos mais 10 anos depois do incidente com o urso, e se especula sobre as razões que o levaram retornar ao 'mundo civilizado'. Afirma-se que ele procurava vingança e matou os dois homens que o abandonaram na floresta, mas também existe uma versão dizendo que Glass nunca chegou a encontrá-los.

Em 1971, Richard C.Sarafian dirigiu o primeiro filme que conta a história de Hugh Glass: Fúria Selvagem (Man in the Wilderness), estrelado por Richard Harris.

Mas, só em 2002, quando Michael Punke publicou o romance O regresso: uma história de vingança, a história inspirou González Iñárritu a gravar o filme  'O regresso', que foi indicado a 12 Oscars, incluindo o de melhor filme, melhor ator, melhor maquiagem e melhor figurino.

Durante as filmagens, DiCaprio teve de tomar o lugar de Glass, recriando cenas de sobrevivência extrema. Apesar do estado deplorável de saúde em que foi abandonado, percorreu entre 128 e 320 quilômetros entre os rios, as florestas e a neve para retornar aos seus.

O ator indicado ao Oscar entrou na pele do personagem, deixando sair seus instintos mais primitivos e assumindo o papel de alguém que, constantemente, toca a morte com as  pontas dos dedos.

Um dos aspectos mais desafiantes foi a maquiagem. As feridas do ataque de urso levaram mais do que 5 horas para serem feitas no corpo de DiCaprio. Na imagem abaixo está um dos membros da equipe de maquiagem preparando o corpo ferido de Glass para uma das cenas mais marcantes de todo o filme. 

Sobre Glass especulou-se muito, mas as poucas certezas que se têm sobre sua vida bastam para fazer dele uma lenda, um dos sobreviventes mais emblemáticos da história e um homem que prova que a tenacidade vence barreiras inimagináveis.

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