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4 Razões pelas quais “The Witcher” é a série mais controversa dos últimos tempos

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A nova série da Netflix “The Witcher” foi considerada a mais esperada de 2019: baseada na série de livros de mesmo nome do escritor polonês Andrzej Sapkowski sobre o caçador de monstros Geralt de Rívia. O livro tem centenas de cópias e a série de jogos eletrônicos tem mais de 30 milhões de fãs no mundo inteiro. Agora os fãs puderam ver uma nova versão dos seus personagens favoritos nas telas de televisão, mas, por alguma razão, o projeto não agradou a todos.

Nós, do Incrível.club, já assistimos à 1ª temporada da série sobre o bruxo e decidimos descobrir por que a sensacional adaptação televisiva do famoso romance causou reações tão polarizadas. Confira!

A história da série de romances do polonês Andrzej Sapkowski se desenrola em um mundo fictício, que, em grande parte, lembra a Europa medieval, mas com uma diferença significativa: nessa história há magia, elfos e monstros. Para combater os monstros e proteger os cidadãos, são criados bruxos que são mutantes com habilidades sobrenaturais.

Brevemente sobre o enredo

O bruxo Geralt de Rívia vagueia pelo mundo e ganha sua vida destruindo monstros. Certa vez, Geralt ajudou a família real ao salvar o noivo da princesa, e em troca ele pediu “aquilo que eles já tinham, mas que ainda não sabiam”. Descobre-se que, na verdade, a princesa estava grávida, e sua futura filha Cirilla (Ciri) estaria com o destino entrelaçado com o bruxo para sempre. Em breve, a jovem Ciri se verá em grandes apuros, mas agora ela terá o bruxo como seu protetor.

Uma outra narrativa separada é a relação de Geralt com a feiticeira Yennefer: a bruxa arrogante sonha secretamente em ter uma família e filhos, mas isso não é possível para ela. No entanto, ela encontra Geralt, que também se verá ligado a ela, mas por outros motivos. Todos os eventos se desenrolam durante uma guerra entre o reino de Nilfgaard com o resto do mundo. O rei não está apenas interessado em vencer as batalhas, mas também está à procura de Ciri. Mas por quê?

Elenco inesperado

Muito tempo se passou desde as primeiras notícias sobre a filmagem da série até o anúncio do elenco oficial e os fãs compartilharam na internet suas escolhas preferidas, baseando-se em atores que já eram parecidos com os personagens de alguma forma. No papel de Geralt, por exemplo, esperava-se ver o carismático Mads Mikkelsen, e no papel de Yennefer muitos sonhavam em ver a talentosa Eva Green.

Mas os criadores da série tiveram uma outra perspectiva. Por isso, foi uma total surpresa para os fãs quando Henry Cavill foi escolhido para o papel principal: um ator musculoso, meio “bruto” e conhecido principalmente por interpretar o Super-Homem em algumas produções. As primeiras cenas de Cavill como o bruxo causaram uma verdadeira repercussão on-line — os fãs notaram imediatamente a diferença evidente entre a aparência do personagem descrita nos livros e o ator na série. O bruxo dos livros deveria ser magro, esguio e flexível, além de ter os cabelos totalmente brancos, “cara esquisita” e “sorriso estranho”.

O mesmo vale para o papel da feiticeira Yennefer de Vengerberg: Sapkowski a descreve nos livros como uma mulher de extraordinária beleza com um rosto triangular e pálido, olhos de cor violeta e lábios estreitos. No entanto, a Yennefer da série é interpretada por Anya Chalotra, que tem uma aparência bem diferente: graças às suas raízes indianas, a atriz tem uma coloração de pele mais escura do que a personagem dos livros. Os fãs ficaram decepcionados com a escolha da atriz e usaram como exemplo a imagem da personagem nos jogos eletrônicos. Um dos espectadores até fez uma montagem trocando o rosto da atriz pelo rosto da personagem nos jogos. Veja como ficou!

Mas muitos ficaram satisfeitos com a escolha da atriz para o papel da princesa Cirilla: a jovem Freya Allan possui traços nórdicos que refletem quase que perfeitamente a personagem descrita nos livros. A única observação é que a princesa do livro tem quase 10 anos, o que dificilmente poderíamos dizer da atriz na série.

A propósito, um dos Mikkelsen acabou aparecendo na série: por trás das sobrancelhas grossas, do bigode e da barba do mago Stregobor, podemos ver o irmão de Mads, Lars Mikkelsen.

Enredo complexo

Em “The Witcher” não há uma trama linear simples. Por exemplo, no 1º capítulo, o espectador testemunha a morte da rainha Calanthe e a fuga de sua neta, a princesa Cirilla. Mas depois de alguns episódios, vemos a rainha “viva” novamente e a princesa Cirilla ainda nem tinha nascido. Ou seja, ocorre um vaivém na linha cronológica da trama, que pode confundir certas pessoas, principalmente aqueles que não estão familiarizados com a história, visto que isso acontece durante toda a temporada. Os criadores optaram por essa forma de contar a história, pois assim foi possível dedicar tempo para cada narrativa isolada de alguns personagens, e depois mostrar a ligação que uma tem com a outra.

A explicação é lógica, mas o resultado visual deixou muitos espectadores confusos com a ordem dos eventos. Mas o enredo ainda tem uma grande vantagem: os diretores decidiram mostrar aos espectadores as histórias mais importantes com mais detalhes, diferentemente de como foram contadas nos livros. Dessa forma, pudemos ver a história dramática da jovem corcunda Yennefer, a terrível derrota do reino de Cintra e a grande batalha em Sodden Hill.

Atmosfera brilhante

Apesar das desvantagens da série, a Netflix conseguiu criar uma atmosfera espetacular para ser apreciada: as filmagens foram feitas na Hungria, Ucrânica, Eslováquia, República Tcheca e Polônia. O espírito da Idade Média europeia pode ser observado a todo momento. Algumas cenas foram filmadas em verdadeiras construções medievais, como a batalha em Sodden Hill, que foi gravada no castelo polonês de Ogrodzieniec. Essa é outra razão pela qual a série é aclamada não só pelos fãs devotos do universo “místico” e de “bruxaria”, mas também por fãs de obras históricas de qualidade.

Além disso, outro ponto forte da série foi o trabalho meticuloso e cuidadoso de iluminação e cores, que pode ser exemplificado quando vemos os feixes dourados de luz na floresta de Brokilon. Para fazer jus à beleza real da natureza, os criadores do projeto se recusaram a gravar no estúdio.

Muitos dos fãs que estavam insatisfeitos inicialmente com o elenco escalado mudaram de ideia com o passar dos episódios: Henry Cavill entendeu perfeitamente as características de seu personagem, e Ani Chalotra, que interpretou Yennefer, acabou por ser a “melhor” escolha possível: ela deu vida a uma personagem confiante, forte, um pouco arrogante, mas, ao mesmo tempo, muito sensível. O elenco dos personagens secundários também não deixou a desejar — exatamente isso que acrescentou à série uma parcela de leveza e humor, que praticamente não existe nas narrativas principais.

Trilha sonora inesquecível

Muitos fãs adoraram o acompanhamento musical: a compositora da série, Sonya Belousova, fez uso não só de violinos e alaúdes, mas também de instrumentos folclóricos mais raros, como a lira, o saltério e o dulcimer, a fim de criar uma trilha sonora bastante autêntica.

Foi dada especial atenção à música cantada por Jaskier, ou Dandelion, sobre o bruxo e o “trocado”. A internet logo foi inundada por piadas e paródias da canção. Algumas pessoas fizeram seus covers da música, outras apenas compartilharam suas impressões. Nem mesmo o Elon Musk ficou de fora.

O próprio Joey Batey, que fez o papel de Jaskier, disse que a canção era tão viciante que ele não conseguiu parar de cantá-la por 8 meses após as filmagens. Difícil não acreditar nele.

Conclusões

A série realmente se revelou controversa: por um lado, a estrutura complexa da narrativa dificulta a compreensão da história se vista pela primeira vez, além do elenco escalado que ficou longe das expectativas dos fãs. Por outro lado, no entanto, as belíssimas paisagens, atmosfera, atuação e a fiel reprodução histórica conseguem superar os pontos fracos da obra. O sucesso da série pode ser observado no crescimento das vendas dos livros de Andrzej Sapkowski, assim como os milhares de novos fãs do jogo “Witch-3: Wild Hunting” por todo o mundo. A série “The Witch” se tornou a série mais bem avaliada da Netflix, de acordo com a IMDb, apenas 4 dias após seu lançamento.

E agora, de repente, parece ser necessário dizer “obrigado” a outro projeto de grande escala — “Game of Thrones”. Foi graças a ele que o público está mais engajado e pronto para aceitar calorosamente projetos do gênero fantasia, que costumava ser um nicho bem menor e mais isolado, do qual também faz parte a série “The Witcher”.

Você já assistiu à nova série sobre a história de Geralt de Rívia? Já era fã dos livros de Andrzej Sapkowski? O que achou da série da Netflix? Comente!

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