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20+ Fatos sobre o incomparável Oscar Wilde, que tinha uma resposta afiada para qualquer ocasião

Oscar Wilde é um dos mais famosos escritores ingleses, muito conhecido por suas frases dramáticas e pelo aclamado romance O Retrato de Dorian Gray. Suas peças ainda são reproduzidas até hoje em todo o mundo, e as suas obras são dissecadas até as mínimas citações. Wilde acreditava que a estética estava cima de tudo e se recusava a viver dentro do padrão e modestamente. Defendeu, até os seus últimos dias, o direito à individualidade.

A equipe do Incrível.club quis se aprofundar mais na biografia desse grande dramaturgo, que foi eleito, em uma pesquisa, o maior pensador do Reino Unido. Confira!

Oscar Wilde na infância. Naquela época, era costume vestir as crianças com vestidos, independentemente do gênero.

  • Oscar Wilde nasceu em 16 de outubro de 1854 em Dublin. Seu pai, William Wilde, era um famoso médico otorrinolaringologista da Irlanda. Ele escreveu, também, alguns livros dedicados à arqueologia e ao folclore irlandês e abriu um centro médico gratuito para os mais necessitados.
  • A mãe de Wilde, Jane Francesca Wilde, escrevia poemas e foi uma grande mulher. Ela sentia que havia nascido para fazer algo importante e não escondia isso de ninguém. Com uma mentalidade similar, Wilde seguia os passos dela e adorava “alterar” a realidade a seu gosto. Até mesmo em sua certidão de casamento, ele indicou a data de nascimento errada, propositalmente, assim, diminuindo sua idade em dois anos.
  • A irmã mais nova de Wilde, Isola, faleceu aos 9 anos por conta de meningite. Ele também tinha um irmão mais novo, e os dois eram muito parecidos: ambos com alguns quilinhos a mais e um pouco preguiçosos. Wilde reprovava tanto essa similaridade, que chegou a pagar ao irmão para remover a barba, aumentando assim as diferenças físicas entre eles.
  • Até os 9 anos, o futuro escritor era educado em casa e rapidamente aprendeu frânces e alemão. Mais tarde entrou para a Portora Royal School, onde ficou famoso por fazer paródias dos eventos escolares e criar apelidos para os seus colegas de classe graças à sua mente aguçada. Se tornou um prodígio por conta de sua capacidade de explicar um romance, de três volumes, após lê-lo em apenas 30 minutos. Após uma hora de leitura, ele poderia recontar cenas específicas e os diálogos mais importantes da história. Antes das provas, não decorava nada forçadamente, lia os materiais obrigatórios por puro prazer. Wilde se formou na escola com honras.
  • No Trinity College, desenvolveu sua capacidade espetacular em aprender línguas antigas. Foi nessa época, também, que começou a se interessar pelo esteticismo (movimento artístico, cujos representantes acreditavam que os valores estéticos estavam acima dos temas sociais). Com isso, aos poucos, foi desenvolvendo o seu estilo original de se vestir e a autoironia, que se tornou o seu cartão de visita mais tarde.
  • Em 1874, Oscar Wilde entrou para o Magdalen College em Oxford, onde tentou se destacar entre os outros estudantes: andava com ternos em tweed em um tamanho maior do que os de seus colegas; utilizava chapéus com bordas curvadas, que somente os mais velhos usavam. Uma vez, Wilde chegou a costurar uma jaqueta após sonhar com ela: com uma mistura de tons vermelhos e amarronzados, remetia a um violoncelo. Pode-se dizer que esse foi o primeiro estágio de sua “revolução estética”.
  • Ainda na escola, Wilde gostava de camisetas escarlates e roxas e, em vez dos habituais livros, usados por todos os outros estudantes, preferia encontrar as edições requintadas de maior porte. Em Oxford, começou a dar mais importância às roupas. Uma vez, inclusive, anunciou que se se encontrasse sozinho em uma ilha deserta, continuaria trocando de vestimenta todos os dias para jantar.
  • Oscar Wilde tinha os cabelos longos, desprezava esportes tipicamente masculinos, embora às vezes gostasse de treinar boxe, e havia decorado seu quarto com penas de pavão, lírios, girassóis e algumas obras de arte. Vestia-se de forma chamativa, mantinha certos trejeitos e, talvez por isso, algumas pessoas o consideravam louco ou esnobe demais. Certa vez, alguns colegas de classe, que não gostavam dele, o arrastaram até o topo de uma colina e somente lá em cima o soltaram. Wilde, porém, conseguiu sair dessa situação de maneira brilhante. Ele levantou, sacudiu a poeira das roupas e disse: “A vista desta colina é realmente impressionante”.
  • Por trás da estética aparentemente frágil e delicada, escondia-se uma força física surpreendente. Uma vez, quatro estudantes tentaram bater em Wilde e, ao mesmo tempo, vandalizar a sua casa, mas tiveram uma surpresa: ele revidou o golpe do primeiro agressor e o arremessou longe; bateu no segundo; derrubou o terceiro das escadas; agarrou o quarto, levou-o para dentro de casa e o atirou contra o primeiro móvel que viu pela frente.
  • Após se formar, Oscar Wilde se mudou para Londres. Graças à sua eloquência e aos seus bons modos, ele rapidamente se adaptou à sociedade local. Tornou-se, então, um convidado requisitado em qualquer encontro: muitos sonhavam em conhecer o tal “irlandês perspicaz”.
  • Em uma noite, o escritor conheceu Lillie Langtry, que depois se tornou uma famosa atriz. Apesar de ser casada, Wilde dedicou poemas a ela e tentou ao máximo se integrar ao meio social da jovem. Certa vez, até, esperou sua amada voltar da casa de amigos e, por estar escuro, quase esbarrou no marido dela enquanto aguardava nas escadas.

Lillie Langtry

  • Buscando reconhecimento e fama, Oscar Wilde concordou em dar uma palestra sobre esteticismo e chegou a fazer uma turnê, que se tornou muito famosa mais tarde. Quando tinha de passar pela alfândega, dizia que “não tinha nada a declarar, exceto sua genialidade”.
  • A primeira palestra foi um grande sucesso e o autor foi muito aplaudido pela plateia. Porém, nem todas as suas apresentações foram tão bem recebidas. A imprensa podia ser bastante hostil, assim como diversos moradores locais. Na Wall Street, inclusive, Wilde precisou fugir correndo de alguns funcionários.
  • O dramaturgo também teve a oportunidade de se apresentar para mineiros, que o receberam de braços abertos. Quando perguntaram a ele se era verdade que os mineiros eram um povo direto e grosseiro, ele respondeu: “Diretos, sim, mas não indelicados. Em comparação a muitas pessoas que conheci nas grandes cidades, são até muito refinados e educados”.
  • Ao voltar para sua cidade natal, Oscar Wilde conheceu Constance Lloyd, filha de um famoso advogado irlandês, e se casou com ela. Ao ser perguntado por que havia se apaixonado por ela, respondeu: “Ela fala tão pouco”.
  • Wilde gostava de ousar na forma de se vestir e insistia para a esposa também usar trajes mais provocativos, o que era um ato corajoso para a época. Constance precisou ir a uma recepção com um vestido branco e amarelo de musseline e meias-calças brancas. A anfitriã chegou a escrever em seu diário que a roupa de Constance era realmente de muito mal gosto; e que achou a própria jovem tímida e entediante.
  • Com o tempo, Wilde começou se a sentir indiferente à esposa. Após ela engravidar, surgiram boatos de que passou a sentir certo desprezo por dela. A seguinte declaração é atribuída a ele: “Quando me casei, minha noiva era uma mulher encantadora, de pele como a neve e esbelta como um lírio. Após um ano, a coloração da beleza delicada dessa flor desbotou; minha esposa se tornou um fardo, preguiçosa e sem forma”.
  • Entretanto, tiveram dois filhos, Cyril e Vyvyan, para os quais o escritor compôs contos de fadas. Um pouco mais tarde, publicou toda uma coleção. Nesse momento, ele se tornou editor da revista The Woman’s World, para a qual escreveu artigos sobre assuntos sérios, como paternidade, cultura e política.

Oscar Wilde com a esposa Constance e o filho Cyril

  • Após uma viagem para os Estados Unidos, Oscar Wilde abdicou de suas vestimentas típicas. Não restou quase nada da imagem do homem de cabelos compridos, que andava pela rua Piccadilly com um girassol na mão. Até mesmo o jornal Punch fez uma matéria sobre isso na qual brincaram: “Vende-se um estoque de lírios desbotados, girassóis e penas amassadas de pavão; algumas perucas de longos fios; coleção de poemas pouco compreensíveis e um acervo de pinturas confusas”.
  • Wilde dispensou o cabelo grande e optou por um visual de acordo com os padrões da Roma Antiga. Para que o cabeleireiro entendesse exatamente qual corte realizar, ele o levou até o Louvre e o mostrou uma estátua romana de mármore.
  • Em 1890, publicou o romance O Retrato de Dorian Gray, que o trouxe não só grande fama, mas também o estigma de ser publicamente imoral. Oscar Wilde escreveu mais de 10 cartas abertas para edições de revistas e jornais britânicos, explicando que a arte existia independentemente da moralidade. Após um ano, o romance foi lançado com inúmeras adições e um prefácio magistral do autor.
  • Os anos de glória de Wilde foram entre 1891 e 1895. Uma atrás da outra, escreveu as peças Salomé, O Leque de Lady Windermere, Um Marido Ideal, A Importância de ser Prudente e, assim, se tornou o homem mais popular de Londres naquele momento. A mídia o considerava o melhor dramaturgo moderno e remarcava a perfeição do seu estilo de escrita e originalidade.

Encenação do espetáculo O Leque de Lady Windermere no Royal Theatre baseada na peça homônima de Oscar Wilde, em 1945.

  • Em 1891, o dramaturgo conheceu o Lorde Alfred Douglas, um jovem bem atraente e mimado. Esse encontro, porém, mais tarde, se transformaria em uma grande tragédia. Wilde logo ganhou muito apreço por Bosie, como também era chamado Alfred: não o negava nada e satisfazia sempre os caprichos do rapaz. A esposa do escritor começou a se incomodar com as despesas monstruosas e com o sumiço contínuo do marido, mas Wilde a garantiu que tudo o que fazia era uma necessidade em prol da escrita.
  • Bosie, no entanto, não queria esconder a ligação que tinha com o brilhante escritor e exigiu que passassem a sair em público. Viajaram juntos algumas vezes para fora do país, mas logo o pai do rapaz descobriu sobre o relacionamento dos dois. Wilde foi, então, acusado de demonstrar comportamento indecente e foi condenado a dois anos de trabalho pesado compulsório.

Oscar Wilde e Alfred (Bosie) Douglas

  • Oscar Wilde passou os seis primeiros meses em uma prisão para detentos de crimes graves; e o resto do tempo, na penitenciária Reading. O encarceramento consumiu totalmente o talentoso escritor. As terríveis condições e a má alimentação o enfraqueceram fisicamente: frequentemente passava fome, adoecia e tinha insônia. Os agentes penitenciários também não gostavam dele e o castigavam duramente pelas menores infrações. Uma vez, Wilde levou um tombo na capela e lesionou o tímpano. Essa lesão foi um dos fatores que contribuíram para a sua morte mais tarde.
  • Quase todos os amigos se distanciaram de Wilde, e Bosie não o visitou na prisão nem uma vez. Aliás, durante esse período, o jovem estava morando no exterior vendendo os presentes que o dramaturgo havia lhe dado. Quando o escritor estava doente, também, disse a ele: “Quando você não está no pedestal, não é tão interessante”. Constance, apesar das exigências dos familiares, não quis o divórcio e foi visitar o marido duas vezes na prisão.

Oscar Wilde no exterior após cumprir sua sentença

  • Após sair da prisão em 1897, mudou-se para a França. Estava pobre e vivia com o dinheiro que a esposa o enviava. Apenas Bosie foi visitá-lo. Mais tarde, contudo, Oscar Wilde descreveu seu pesar: “Ele imaginou que eu estava em posição para sustentar ambos. Realmente consegui arrecadar 120 libras, nas quais Bosie viveu luxuosamente. Porém, quando pedia a contribuição dele, logo ficava irado, revoltado e mesquinho em relação a tudo que não o beneficiava. Quando o dinheiro acabou, ele me deixou”.
  • Na França, Wilde adotou o pseudônimo de Sebastian Melmoth e compôs o famoso poema A Balada do Cárcere de Reading. Publicou, também, diversos artigos com sugestões para melhorar as condições de vida dos detentos; e algumas de suas ideias foram postas em prática mais tarde.
  • Oscar Wilde faleceu na França em 20 de novembro de 1900 acometido por meningite aguda. Foi enterrado em Paris, onde no seu túmulo foi instalada uma esfinge alada, que fazia menção à sua obra A Esfinge. Com o tempo, surgiram rumores na cidade que diziam que aqueles que beijassem a esfinge encontrariam o amor eterno. Após a disseminação dessa história, a lápide do escritor ficou tão coberta de marcas de batom, que o memorial precisou ser fechado por uma barreira de vidro para garantir sua conservação em 30 de novembro de 2011.

E o que você acha da escrita de Oscar Wilde? Quais obras do autor você já leu? Comente!

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