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Como se constituiu a carreira do gênio do balé Mikhail Baryshnikov, que tem uma vida tão agitada quanto as Cataratas do Niágara

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Mikhail Baryshnikov é considerado o maior gênio do mundo do balé. Ele foi amigo de Joseph Brodsky, namorou a “garota do King Kong”, Jessica Lange, teve um caso com Liza Minnelli e a princesa Diana, que o admirava desde sua juventude, ganhou um autógrafo dele. Baryshnikov se destacou não só no balé, mas também no cinema, chegando a ser indicado para o Oscar por suas atuações em alguns filmes. Sua parceira em “Sex and the City”, Sarah Jessica Parker, chamou Baryshnikov de “um cara durão”.

Nós, do Incrivel.club, estamos entre os admiradores do talento desse mestre e não conseguimos imaginar como seria o balé moderno sem ele.

  • A infância de Mikhail Baryshnikov se passou na cidade de Riga (Letônia), em um grande apartamento comunitário. Certa vez, ele disse que havia, no local, “um banheiro com uma banheira que nunca tinha água quente”.

  • Os pais do futuro dançarino não faziam parte do mundo da arte. “Meu pai é tenente-coronel (Mikhail tinha uma relação muito tensa com ele) e minha mãe trabalhava como contadora”. Foi a mãe quem semeou no futuro dançarino o amor pela arte, apesar de ele ter se matriculado por conta própria em uma escola de balé quando tinha apenas 9 anos.

  • Quando Mikhail tinha somente 12 anos, a vida de sua mãe foi tragicamente interrompida e ele teve de ir morar com a família de um colega de classe por vários dias.

“Mamãe era uma pessoa muito simples e dotada de intuição. Ela admirava todos os tipos de arte. Foi ela quem me apresentou a muitas coisas”.
  • Enquanto estudava na escola de balé, o jovem sonhava em ser solista. No entanto, uma professora disse que ele não era alto o suficiente para conquistar a posição. Devido a isso, torturava-se diariamente com os exercícios mais difíceis que faziam doer tanto suas articulações que era impossível adormecer. Como resultado, ele conseguiu ganhar de três a quatro centímetros.

  • Por vários anos, ele estudou na Escola de Balé de Riga com Juris Kapralis. Em seguida, foi convidado a se transferir para a famosa escola coreográfica de nome Vagánova que até hoje fica em Leningrado. A separação de seu amado professor levou Mikhail às lágrimas. No entanto, eles mantiveram contato ao longo de toda a vida — Juris faleceu em 2008.

  • O jovem bailarino atuou nos melhores palcos teatrais de seu país e o amor e o reconhecimento do público foram ilimitados. Em 1973, ele foi autorizado a realizar sua própria noite criativa. Naquele então, o gênio tinha apenas 25 anos. O programa do concerto, que ele mesmo preparou, revelou-se bastante progressista e moderno e muitos não gostaram. “Ele procurava uma coreografia em que pudesse se expressar, falar por si mesmo. Foi um novo balé que ninguém tinha visto antes”, disse a bailarina Ilze Liepa.

  • Logo o artista percebeu que se sentia restrito ao balé regional e foi tentar fazer fortuna em Nova York. Ele apareceu pela primeira vez para o público americano em 1974 no balé “Giselle”. Após o término da apresentação, era possível ouvir os gritos entusiasmados do público: “Misha! Misha!” A cortina foi levantada 24 vezes.

  • Durante os dois anos que morou no exterior, Baryshnikov participou de 26 novos espetáculos, ao contrário do que fez durante os sete anos no Kirov Theatre, onde participou de não mais do que 15 espetáculos.

  • A princesa Diana sonhava em dançar com Baryshnikov. Em sua juventude, ela até aguardou o artista na saída do teatro de Londres para conseguir um autógrafo dele. No entanto, Lady Di ficou desapontada: ele assinou, mas nem sequer olhou para ela. Alguns anos depois, o próprio Mikhail pediu um autógrafo a Diana.

“Uma vida diferente começou para Baryshnikov, graças à qual ele é conhecido até hoje, não só como um brilhante solista do balé clássico, mas como um dos reformadores de toda a arte coreográfica moderna”.
  • Em 1976, ele conheceu a atriz Jessica Lange. Baryshnikov relembrou: “Nós nos conhecemos na festa do comediante Buck Henry; quem nos apresentou foi Milos Forman. Lembro que perguntei a Milos: ’Quem é ela?’ Ele respondeu: ’A garota de King Kong’. Foi amor à primeira vista”. Lange admitiu, mais tarde, que naquela noite confundiu Baryshnikov com Nureyev: “Até aquele momento eu não sabia nada sobre o mundo do balé e não fazia a menor ideia do tamanho da fama de Baryshnikov”.

  • Eles começaram a viver juntos quase imediatamente após se conhecerem, mas nunca legalizaram o relacionamento. Em 1981, o casal teve uma filha, Alexandra, que, aliás, seguiu os passos do pai.

Mikhail Baryshnikov com Jessica Lange

  • Dizer que a relação entre Baryshnikov e Lange era “um céu sem nuvens” seria uma mentira. Naquela época, Baryshnikov estava tendo um caso com Liza Minnelli. Ela era tão louca por ele que todas as noites, após suas apresentações em Nova York, pegava um voo noturno para Washington só para encontrá-lo. Pois bem, a própria Jessica, seis meses após o nascimento de sua filha, Alexandra, com Mikhail, conheceu o ator e dramaturgo Sam Shepard, que mais tarde se tornou o motivo do rompimento dos laços com o dançarino.

  • Baryshnikov admitiu mais tarde: “Lamento que nosso relacionamento não tenha se desenvolvido conforme o planejado. Levarei esse grande arrependimento comigo por toda a minha vida. Ela continuará sendo uma das poucas mulheres que eu realmente amei. Mas agora somos bons amigos. E nosso relacionamento está muito melhor do que antes”.

  • Depois de se separar de Jessica, Baryshnikov começou a namorar a bailarina Lisa Reinhart, com quem se casou mais tarde. Dessa união, resultaram três filhos: Peter, Anna e Sofia. O casal está junto há mais de 30 anos.

Mikhail Baryshnikov com Lisa Minnelli e Lisa Reinhart.

  • Um dos melhores amigos de Baryshnikov era o poeta Joseph Brodsky. Eles se conheceram em Nova York enquanto visitavam amigos em comum. O dançarino lembrou seu primeiro encontro: “Ele impôs uma condição: em vez de me chamar de Misha, me chamaria de Mouse (rato em português) e, para ele, escolheu um apelido que fizesse um contraponto com o meu ’José, o gato’ e acrescentou imediatamente: ’Miau!’. Desde então nos referimos um ao outro dessa maneira até o último dia de nossa amizade”.

  • Em 1988, eles abriram o restaurante “Samovar russo”, em Nova York. O bailarino investiu nele os recursos de suas performances, e o poeta, parte dos recursos do Prêmio Nobel de Literatura. De acordo com as memórias de frequentadores, Brodsky adorava cantar canções russas com o acompanhamento de Mikhail quando se encontravam no estabelecimento.

  • O poeta sempre presenteou seu querido amigo com suas coleções e até dedicou vários poemas a ele. A amizade deles durou mais de 20 anos. Em 27 de janeiro de 1996, Brodsky parabenizou Baryshnikov pelo seu aniversário por telefone e morreu no dia seguinte.

  • Em 1977, Baryshnikov fez sua estreia no cinema americano. Ele interpretou um dançarino no filme “Momento de Decisão” (The Turning Point) e foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Em 1985, estrelou o sucesso de bilheteria “O Sol da Meia-Noite” (White Nights).

  • O astro da dança também fez participações na Broadway, aparecendo em 1989 na peça baseada no romance de Franz Kafka “A Metamorfose” (The Metamorphosis). Durante uma das suas entrevistas, Baryshnikov admitiu que estava experimentando algo novo porque tinha medo de ficar entediado: “Não sinto falta de nada, porque estou constantemente à procura de coisas diferentes. Quero dar a mim mesmo a oportunidade de acordar e procurar por uma emoção agradável novamente”.

  • Baryshnikov ganhou grande popularidade após o lançamento da série de TV “Sex and the City” (2003-2004), na qual interpretou brilhantemente o papel do artista Alexander Petrovsky, amante de Carrie Bradshaw.

  • Em uma de suas entrevistas, ele admitiu que, nas ruas, os fãs do sitcom o abordam com mais frequência do que os admiradores da sua outra atividade: “As pessoas ainda querem discutir isso. A ironia é que trabalho no teatro há mais de 40 anos e todos se lembram de mim mais pelo desempenho na série”.

  • Sua parceira na série, Sarah Jessica Parker, disse: “Foi uma grande honra para nós que ele concordou em estrelar nosso projeto. Em geral, eu o considero um tough boy (’cara durão’)”.

“Posteriormente, me ofereceram papéis em muitos filmes, mas recusei porque eram todos estúpidos”.
  • Com o passar dos anos, Baryshnikov se afastou do balé tradicional e, cada vez, mais trouxe para o público espetáculos no estilo contemporâneo. Por exemplo, em 1998, ele mostrou uma dança incomum a The Heartbeat. Sensores foram colocados em seu corpo e amplificadores transmitiam sons para o público: assim o artista dançava ao ritmo da batida do seu próprio coração.

  • Aliás, em 2019, no programa da TV russa de perguntas e respostas “O quê? Onde? Quando?”, a seguinte pergunta foi feita: “Em 1998, o dançarino Mikhail Baryshnikov encomendou um pequeno dispositivo especificamente para a execução de um novo número solo. Qual era o dispositivo usado nesse número e qual era a peculiaridade da dança?” Porém, todos os participantes deram respostas erradas, e ninguém ganhou a rodada.

  • Em 2015, em sua terra natal, Riga, atuou no show solo “Brodsky/Baryshnikov”, no qual leu os poemas de seu amigo Joseph Brodsky. Era impossível conseguir ingressos, pois toda a elite local se reuniu para a apresentação.

“Me dei por conta apenas quando não havia mais lugares nem no corredor. Liguei para os organizadores e eles me disseram que o valor de um ingresso era de 800 euros! As redes sociais ajudaram: vi um post de um conhecido que disponibilizou duas entradas a um preço razoável. Durante a performance, a sensação que se tinha era a de que você estava envolto em um cobertor, de tão quente que era a energia”.
  • Hoje, Baryshnikov dirige o Center for the Arts, em Nova York. O local foi inaugurado em 2005 e se dedica a disseminar o talento e a criatividade.

O que você acha da pessoa brilhante de Mikhail Baryshnikov? Conhecia seu trabalho e seu talento?

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