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15+ Atores brasileiros que vivenciaram experiências femininas por meio de seus personagens

A vida dos artistas é sempre uma entrega. Para viver os mais diversos personagens, esses profissionais aceitam mudar de aparência, abrem mão da vaidade (ou passam a dar mais importância a ela) e, em alguns casos, até precisam mergulhar em um universo desconhecido, como o gênero oposto.

No Brasil não faltam exemplos, do drama à comédia, de atores que foram em busca de entender a alma feminina, compreenderam as dores e delícias de ser mulher e brilharam interpretando personagens que fizeram história em novelas, filmes e séries.

Por isso, nós, do Incrivel.club, fomos procurar os melhores exemplos de atores que buscaram entender a alma feminina e ajudaram a quebrar tabus e a tratar de temas importantes, dando vida a personagens que ficaram nos nossos corações. Confira com a gente!

1. Kayky Brito

Ainda adolescente, o ator Kayky Brito encarou o desafio de interpretar uma menina. Apesar de incorporar movimentos mais bruscos e intempestivos à personagem, o ator precisou conviver com a rotina de figurino, maquiagem e cabelo, típica das atrizes.

A filha adotiva de Jezebel (interpretada por Elizabeth Savala), foi personagem central de um dos mistérios da novela Chocolate com Pimenta, que se passava na década de 1920. Como não sabia ser um menino, vivia em conflito por querer jogar futebol e sentir uma paixão secreta pela melhor amiga.

A verdade só foi revelada às vésperas do casamento de Bernadete, que havia sido arranjado pela mãe. Após a descoberta, o jovem passou a ser chamado de Bernardo, cortou os cabelos, adotou o vestuário masculino e se declarou para a amada Cássia (Luiza Curvo).

2. Luis Salém

Ana Girafa foi um desafio na carreira do ator Luis Salém. Para interpretar a personagem na novela Aquele Beijo, ele se inspirou em uma figura da vida real. Durante a preparação para as gravações, Salém fez visitas a uma comunidade onde conheceu uma trans com história de vida muito semelhante à de Ana Girafa.

A personagem, que foi abandonada pela mãe, era cabeleireira e ainda atuava em shows dublando cantoras famosas. Ao longo da novela, o ator fez questão de trazer um toque de amor e feminilidade para a atuação, fugindo da interpretação caricata. A intenção de Salém foi mostrar o lado humano, com os sentimentos plenos de uma mulher batalhadora.

O filho abandonado de Maruschka (Marília Pêra) deixou de lado as mágoas e sempre esteve ao lado dos amigos quando preciso. O papel foi importante na carreira do ator, que ainda hoje recebe o carinho dos fãs por sua atuação como Ana Girafa.

3. Otaviano Costa

Nada perdoa a negligência do personagem Élcio, interpretado por Otaviano Costa na novela Morde e Assopra. No entanto, foi por dever a pensão para suas três ex-mulheres que o malandro se mudou de cidade e assumiu uma nova identidade.

Ao dar vida à Elaine (o disfarce de Élcio), o ator descobriu como é a rotina de uma mulher, em todas as suas dificuldades. O trabalho de preparação da personagem incluía próteses de silicone, maquiagem e peruca, mas principalmente, algo que vai além das mudanças físicas: entender a alma feminina para dar credibilidade ao personagem.

Mesmo sendo uma trama cômica, Elaine precisou aprender a driblar assédios para escapar de situações constrangedoras, mostrando aos homens — e às mulheres — como é importante a valorização da presença feminina.

4. Lázaro Ramos

Era para ser uma série cômica, mas Sexo Frágil conseguiu ir além. Baseada nas dificuldades de quatro amigos para compreender as mulheres (mães, irmãs ou namoradas) a produção deu aulas de empoderamento feminino em um momento importante de conquistas para as mulheres.

Lázaro Ramos interpretava Fred e sua irmã Priscila. A rotina de preparação não se limitava à escolha do figurino, perucas e acessórios. Eram horas de treino vocal, expressão corporal e até depilação!

O resultado foi uma personagem que ficou em nossos corações. Tanto que, 15 anos depois, pudemos matar a saudade dessa diva em uma participação especial no seriado Mister Brau, protagonizado por Lázaro e sua mulher, Taís Araújo.

5. Wagner Moura

Mais um dos integrantes de Sexo Frágil, Wagner Moura viveu os episódios em dose dupla, na pele do despojado Edu e Magali, uma baiana com QI altíssimo — e super antenada às leis universais — que vai para o Rio de Janeiro em busca de um lugar ao Sol (ou melhor, à sombra!).

Magali traz leveza à trama e mostra que uma mulher pode ser simultaneamente vaidosa e inteligente. E, ainda mais, lá no início dos anos 2000, a personagem já mostrava ser a mulher quem dá as regras, seja nas relações românticas, em casa ou no trabalho.

6. Bruno Garcia

Bruno Garcia também foi um dos protagonistas do programa, na pele de Alex e Vilminha. Dedicada e sempre em busca de ser mais compreensiva, a esposa de Beto, vivido por Lúcio Mauro Filho, é quem dá origem à maior parte das dúvidas e indagações dos quatro amigos.

Como a ideia de Sexo Frágil era justamente quebrar o estereótipo de que as mulheres são mais frágeis que os homens, essa é a personagem que estabelece um contraponto entre a pretensa maturidade e a fragilidade do marido, sempre dependente das opiniões e atitudes femininas.

7. Lúcio Mauro Filho

Em Sexo Frágil, Lúcio Mauro Filho foi Beto e se desdobrou para manter a boa convivência entre a mulher Vilminha, vivida por Bruno Garcia e a mãe, Dona Gertrudes, interpretada pelo próprio ator.

Super protetora e praticamente inimiga da nora, a personagem demonstra que as mães continuam tendo influência na vida dos filhos, mesmo depois de adultos. Ela é uma prova para a paciência de Vilminha e quem desencadeia os maiores conflitos do casal.

O programa marcou uma época, jogando luz sobre a força feminina e abrindo espaço para diálogos importantes. As horas de manicure e maquiagem foram apenas uma parte da preparação dos atores, que precisaram entender o universo feminino para tratar de questões fundamentais como direitos, liberdade e respeito.

8. Jandir Ferrari

Um clássico da televisão brasileira, a novela A Rainha da Sucata abriu os anos 90 abordando temas de uma sociedade em transformação. Desde a ascendência social até os preconceitos contra estrangeiros, a trama estava cercada de assuntos que começavam a ganhar evidência naquele momento.

Um dos destaques da produção foi o núcleo cômico do folhetim — a icônica Dona Armênia, vivida por Aracy Balabanian, e “seus três filhinhas”, como a personagem dizia. Tanto que a família voltou às telas anos mais tarde, na novela Deus nos Acuda.

Por isso, quando o autor Sílvio de Abreu decidiu abordar o respeito à diversidade, trouxe um dos filhos de dona Armênia, o Gino, em uma nova condição. Interpretado pelo ator Jandir Ferrari, o personagem compreendeu sua identidade e se tornou uma mulher trans: a Gina.

O autor conseguiu, décadas atrás, com leveza e sensibilidade, tratar de um tema ainda muito delicado e controverso. Em momentos cheio de fraternidade e compreensão Gina é aceita e continua entre “os filhinhas da mamãe”.

9. Ziembinski

E por falar em tabus e transformação, imagine viver um personagem do gênero oposto em plena década de 1970... Foi assim com Ziembinski, um consagrado ator do teatro brasileiro, que viveu uma mulher na novela O Bofe.

Na trama, ele foi Stanislava, mãe da protagonista Guiomar, vivida por Betty Faria. A velhinha tinha manias peculiares e sonhava com um príncipe encantado. Tudo para normalizar que todas as pessoas têm direito à felicidade.

Apesar de não ter sido um sucesso de público, a novela marcou a história da telenovela brasileira ao caracterizar, pela primeira vez, um ator como uma genuína personagem feminina.

10. Marco Nanini

O Mistério de Irma Vap foi um divisor de águas nas artes cênicas brasileiras. O espetáculo levou quase três milhões de pessoas ao teatro e ficou em cartaz por mais de 11 anos. Tanto que entrou para o Livro dos Recordes, em 2003.

A peça tinha como um dos protagonistas o ator Marco Nanini, no papel de Lady Enid, entre outras personagens que interpretava. Aliás, toda a trama era conduzida por apenas dois atores: Nanini e Ney Latorraca.

Na produção, que era uma sátira dos mais variados gêneros teatrais, Nanini encantou o público com sua interpretação.

Anos após sair de cartaz, Irma Vap voltou a atrair o público. Dessa vez em uma nova trama, para o cinema. Também nas telonas, a interpretação satírica fez Marco Nanini brilhar mais uma vez.

O filme Irma Vap — O retorno foi estrelado pelos mesmos atores. A própria peça passa a ser o argumento para outra história que se desenrola ao longo do filme, e a atuação de Nanini foi uma autêntica homenagem ao que Irma Vap significou na sua vida pessoal e na sua trajetória profissional.

E essas não foram as primeiras atuações do ator na pele feminina. Em 1985, Nanini viveu Florisbela, na novela Um Sonho a Mais. Na realidade, ele era Mosca, fiel escudeiro de Volpone, interpretado por Ney Latorraca.

Na trama, o personagem Volpone se envolve em confusões e precisa assumir um disfarce, então escolhe se caracterizar como mulher. Para dar força ao amigo, Mosca também adota uma identidade feminina. Assim surge Florisbela.

Um detalhe importante é que nas três obras que acabamos de citar, nas quais Marco Nanini interpretou mulheres, seu companheiro de cena era justamente o mesmo: Ney Latorraca. Vamos conhecer seus personagens agora!

11. Ney Latorraca

Camaleão seria um bom apelido para Ney Latorraca. Seja no cinema, no teatro ou na TV, o ator já viveu os mais diversos personagens, entre eles algumas mulheres. O Mistério de Irma Vap foi apenas um entre os trabalhos em que emprestou seu corpo à alma feminina.

Em todos esses casos, é possível perceber o carinho e a atenção na construção de cada personagem. Foi o que aconteceu com a governanta Jane, que recebeu todo o cuidado do autor para que não ficasse exagerada e excessivamente caricata.

Mesmo nessa montagem, extremamente satírica, Ney Latorraca conseguiu atuar respeitando às mulheres.

Nessa foto, o ator está na pele de Dona Darcy, no filme Irma Vap — O retorno. A produção retomou o sucesso da peça e acertou em cheio.

Em 2006, o filme ganhou o prêmio Lente de Cristal e foi indicado em três categorias no Grande Prêmio Brasil Cinema, entre elas a de melhor roteiro adaptado.

Assim como seu fiel companheiro de atuação, Ney Latorraca teve seu primeiro personagem feminino na novela Um sonho a mais. Ele foi o protagonista do folhetim e interpretou nada menos do que seis papéis.

O mais marcante e talvez polêmico para a época foi a recatada secretária Anabela. A mocinha era, de fato, um disfarce de Volpone, um fugitivo da justiça. O cuidado com a atuação se dá em todos os detalhes e o ator precisou aprender muito sobre o mundo feminino para que Volpone conseguisse transmitir veracidade à sua nova identidade.

12. Marcos Oliveira

Beiçola, assim como todos os personagens de A Grande Família, mora no nosso coração. Interpretado pelo ator Marcos Oliveira, ele tinha um segredo: em seus momentos de crise, o filho órfão de Dona Etelvina encarnava a mãe, não apenas usando as roupas da progenitora, mas também assimilando os hábitos e até o sotaque português da matriarca.

Ao longo de todas as temporadas do seriado, o público pode conhecer uma mãe amorosa, mas ao mesmo tempo ranzinza e encrenqueira. A cada aparição, ela colocava o filho nas mais inusitadas confusões, mas sempre com a melhor das intenções, como toda mãe!

Além da Dona Etelvina, o ator Marcos Oliveira deu vida a outra personagem feminina. Na peça teatral Evolução, ele transita entre os mundos de diversas figuras, mostrando como evoluímos — ou não! — enquanto pessoas.

A professora vivida pelo ator nos palcos fala do período romântico, do século XVIII, da modernidade, do movimento hippie, até chegar ao mundo contemporâneo. É uma visão com a profundidade do olhar feminino sobre o quanto caminhamos e o tanto que ainda precisamos evoluir como sociedade.

13. Daniel Boaventura

Quem também deu vida à própria mãe na dramaturgia foi o ator Daniel Boaventura. Em sua passagem de três anos por Malhação, além de interpretar os gêmeos Adriano e Mariano, ele também interpretou a mãe deles, Dona Drica.

Para se preparar, além de buscar inspiração nas pessoas com quem convive, o ator fez um exercício de reflexão sobre a forma particular que as mulheres têm de entender o mundo e a própria realidade.

Durante os anos em que viveu entre os dois gêneros, Daniel deu entrevistas contando que os fãs da novela muitas vezes não o reconheciam na pele de Dona Drica. Esse fato, para o ator, era o melhor elogio que podia receber.

14. Ary Fontoura

Em mais de 60 anos de carreira no teatro, TV e cinema, fica difícil imaginar algum personagem que Ary Fontoura ainda não interpretou. Há alguns anos ele aceitou mais um desafio: interpretar uma mulher no cinema.

Assim nasceu dona Dina, na comédia A Guerra dos Rocha. Na trama, ela é uma matriarca, motivo das brigas dos três filhos que não querem a responsabilidade de cuidar da mãe. Já deu para perceber que, apesar de comédia, o filme traz uma reflexão importante, não é?

Para viver a engraçada e desastrada Dina Rocha, o ator mergulhou fundo no universo feminino e buscou entender os medos e ansiedades das mulheres que passam por situações familiares semelhantes. Além de fazer as unhas, sobrancelhas e usar peruca, o desafio foi importante para transmitir essa reflexão sobre o amor de mãe e a passagem inevitável do tempo.

15. Rodrigo Santoro

O filme Carandiru ganhou atenção do mundo pela trama complexa e a forma realista como retratou o sistema carcerário no Brasil. Na trama, Rodrigo Santoro interpretou a transgênero Lady Di, que se apaixonou pelo detento Sem Chance, ajudante do médico Drauzio Varella na prisão.

O casal da ficção protagonizou um dos primeiros casamentos entre pessoas do mesmo sexo da dramaturgia. Para Santoro, o desafio de transpor as fronteiras e entender o que se passa na realidade de pessoas de outros gêneros e orientações sexuais e afetivas foi a parte mais difícil e, ao mesmo tempo transformadora desse trabalho.

A atuação lhe rendeu a indicação de melhor ator ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, o troféu mais importante do segmento no país.

16. Matheus Nachtergaele

Cintura Fina foi um personagem marcante da série Hilda Furacão. Interpretado por Matheus Nachtergaele, a mulher transgênero da trama foi inspirada em uma pessoa real, que transformou todas as adversidades em força para afirmar seu empoderamento.

Para o ator, dar vida a uma personagem real ultrapassa as barreiras da luta contra tabus e preconceitos. Ele se orgulha por ter conseguindo mergulhar na sensibilidade dessas pessoas para construir seu personagem e levar lições para a vida.

Bônus: Carol Duarte

O mundo é das mulheres! E na dramaturgia algumas atrizes já recebem de braços abertos o desafio de interpretar um personagem do gênero oposto. Por isso, trouxemos como bônus a talentosa Carol Duarte.

Outras atrizes já viveram personagens que precisaram se vestir de homem na trama. É o caso de Nathalia Dill, em Cordel Encantado e Mônica Martelli, em Beleza Pura. Mas Ivana, de A Força do Querer, foi diferente — e se transformou ao longo da história.

A personagem passou por diversos conflitos internos e externos para entender os reais motivos de sua frustração e sofrimento. Para isso, a atriz precisou entrar de cabeça na alma e na psicologia que envolvem a autoaceitação e o empoderamento. Parabéns à atriz pelo brilhante trabalho!

Que viagem pela História da TV e pela força desses personagens nas telas e palcos, não é mesmo? Você se lembra de outra novela ou filme em que o ator ou a atriz interpretaram pessoas do gênero oposto? Conte para gente aqui nos comentários!

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