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Trabalhei em uma rede de supermercados durante 5 anos e agora sei como não cair nas “armadilhas” de marketing

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Meu nome é Elena e trabalhei no departamento de publicidade de uma grande rede de supermercados durante 5 anos. Minhas responsabilidades consistiam em visitar diferentes mercados, conversar com os funcionários, lidar com clientes insatisfeitos e participar na criação de campanhas publicitárias. Alguns anos atrás eu parei de trabalhar com isso, mas nunca me esquecerei do que testemunhei nos “bastidores” das grandes redes.

Para os leitores do Incrível.club eu quero contar quais as “armadilhas” são criadas para pegar os clientes nas grandes redes de supermercados, e como podemos evitá-las. Acompanhe!

Sobre descontos, preços justos e as formas de economizar

  • Muitos de nós gostamos de zombar dos “descontos” que os supermercados oferecem e dos clientes que comparam meticulosamente os valores entre mercados da mesma rede. Em vão. Os preços dos supermercados de uma mesma rede podem variar consideravelmente. Essa política de preços normalmente deve-se à localização de uma determinada loja e ao fluxo mensal de clientes. Supermercados em bairros mais “ricos” realmente têm preços mais elevados, e em bairros mais “pobres”, os preços são mais baixos.

  • Provavelmente já ouvimos falar que existe uma lógica sobre a posição dos produtos nas prateleiras dos supermercados. Mas muitos ainda não sabem onde procurar os produtos com os preços mais econômicos. Basta olhar para baixo e você vai encontrá-los. Normalmente, na altura dos olhos, estão localizados os produtos de marcas mais caras. As marcas “premium” normalmente pagam mais caro para ocuparem as prateleiras superiores e, consequentemente, seus produtos terão preços mais elevados. Nas prateleiras de baixo vemos os produtos de marcas mais populares, os quais têm preços mais “em conta”. Vale notar que isso nem sempre reflete uma diferença de qualidade: produtos das prateleiras de baixo podem ter qualidade igual ou até superior do que os produtos das prateleiras de cima.

  • Produtos de marcas próprias não são manufaturados em fábricas próprias de cada rede, como se imagina, mas sim em grandes fábricas de produção que já manufaturam determinados tipos de produtos. Por exemplo, palmitos são encomendados de fabricantes de conservas; arroz são obtidos de grandes produtores de grãos; doces vêm das fábricas de confeitaria. Uma mesma empresa pode trabalhar simultaneamente com diferentes marcas e emitir produtos análogos sob embalagens diferentes. Nesse sentido, os produtos de marcas próprias podem ser uma opção bastante lucrativa para muitas pessoas, visto que a qualidade do produto é mantida, mas os preços normalmente são mais baixos. É claro que muitas redes não são confiáveis e podem usar métodos de barateamento da produção, o que leva a um produto final com qualidade inferior. Por isso, antes de comprar um produto novo, certifique-se de ler o rótulo e fazer uma breve pesquisa sobre a rede.

Compras que vão “roubar” o seu dinheiro

  • Apesar do sistema bastante mecânico do caixa ao passar os produtos que você selecionou, não deixe de verificar a nota fiscal após as compras. Qualquer pessoa já deve ter achado um produto na prateleira com “preço inacreditável”. Essa situação é bastante recorrente, principalmente devido às diversas promoções e diversos descontos que as redes oferecem com frequência. No entanto, há muitos casos em que notamos uma diferença no preço de certos produtos no caixa quando comparados com os valores nas prateleiras. Portanto, não deixe de comparar os valores no final e, em caso de discordância, o cliente têm sempre o direito de pagar o menor valor.

  • Você já notou que absolutamente em qualquer supermercado há descontos e promoções para produtos como sabão em pó e detergente? Se não prestou atenção, não esqueça de olhar na próxima vez que for ao mercado. Promoções em cima de produtos de longa duração funcionam como uma forma de estimular mais vendas. Ao diminuir os preços, eles conseguem aumentar em algumas vezes as vendas de tais produtos. E o cliente, coitado, volta para casa com o décimo quinto detergente em mãos. Não é muito rentável estocar produtos de limpeza e sabão em pó, pois as promoções em cima de tais produtos nunca vão deixar de existir. Caso contrário, as vendas diminuiriam significativamente. Já os descontos no papel higiênico, por exemplo, podem ser ótimas opções. O papel higiênico comum é um dos produtos menos lucrativos para as grandes redes. Os custos de logística e empacotamento são normalmente maiores do que o lucro das vendas. Por isso, é muito difícil encontrar promoções em tais produtos: não deixe a oportunidade passar.

  • Já estamos acostumados com os alimentos processados e com as comidas prontas. Isso, muitas vezes, nos poupa tempo e nervos, mas nem sempre é bom para a saúde. Saladas e outros alimentos de produção própria frequentemente contém aditivos para prolongar a vida útil da mercadoria. Nas embalagens das saladas prontas, por exemplo, esse detalhe é normalmente omitido ou é indicado apenas no final do texto.

  • Quando compramos peixes, queijos e linguiças por peso, há sempre uma boa chance de comprar um produto de qualidade ruim e ainda corremos o risco de pegar alguma infecção. Raramente os mercados cumprem todos os regulamentos sanitários em produtos do tipo. Muitas vezes, os alimentos são colocados na vitrine da forma exata como chegaram, e depois eles tentam esconder os vestígios evidentes em produtos armazenados de tal forma. Podem passar óleo nas linguiças, por exemplo, para que elas pareçam mais frescas ou até tirar o mofo na superfície de queijos com um pano úmido. Além disso, as facas para corte são lavadas em média uma vez ao dia, e não cada vez após o uso. Muitos clientes que soubessem disso, obviamente não comprariam tais produtos.

  • Infelizmente, os estoques da grande maioria dos supermercados são lugares onde encontra-se com frequência ratos e alguns pássaros, que entram nos locais durante a entrega das mercadorias. Os pássaros realmente podem ser afugentados com maior facilidade, mas a situação dos roedores é mais complicada. Como é muito mais difícil de se livrar deles, muitos decidem apenas ignorar esse fato. É por isso que muitas mercadorias são erguidas em prateleiras altas ou em contêineres especiais em vez de ficarem no chão. Mas isso não impede que os animais cheguem até lá. Não podemos nunca esquecer disso e evitar de comprar produtos que não estejam em embalagens hermeticamente seladas, mesmo que estejam com um “enorme desconto”. Nossa saúde vale mais.

Como as redes de supermercados lidam com produtos vencidos e o que fazer para não comprá-los fora da validade

  • Mercadorias com prazo de validade vencido existem em qualquer mercado, e isso é um fato. E se os funcionários de vigilância aparecem em um determinado mercado a qualquer hora, eles certamente encontrariam algum produto fora da validade. Muitas redes seguem a regra de que “se o produto tem boa aparência para venda, ele pode ser vendido”, e isso funciona muitas vezes. Em outros lugares que, diferentemente do anterior, tentam combater tais situações, funcionários muitas vezes não têm tempo de tirar produtos vencidos das prateleiras por conta de todas as outras tarefas que eles precisam realizar. O que acontece com produtos vencidos depois de serem retirados das prateleiras? Há muitas opções para se livrar deles, mas muitas delas não são legais. Produtos fora da validade podem ser reembalados, alterando as datas de validade, ou até podem ser usados nos processos de produção de novos alimentos.

  • Você precisa ter muito cuidado com as embalagens do próprio mercado. Muitas vezes, durante a reembalagem, os funcionários trocam as datas de fabricação e misturam produtos com diferentes datas de validade (por exemplo, biscoitos novos e velhos). Por isso, é mais seguro comprar produtos nas embalagens de fábrica.

  • Algumas redes contratam clientes falsos nos horários de pico. Isso é feito para estimular a venda de produtos de baixa popularidade ou que estejam para vencer. O esquema é bastante simples: quando um cliente está na dúvida de qual produto levar e fica parado em alguma ala por muito tempo, clientes falsos chegam um atrás do outro e, sem pensar muito, levam o produto da prateleira. Isso faz com que o real consumidor se sinta pressionado e acabe levando a tal mercadoria. Caso note que essa situação está acontecendo com você, não deixe de verificar a data de validade e o preço do produto antes de comprá-lo.

  • Apesar de as degustações nos supermercados não serem assim tão frequentes, ainda não é aconselhável consumir tais alimentos: algumas redes usam essa tática para se livrar de produtos com validade vencida. Os vendedores podem oferecer doces, carnes e queijos como se estivessem frescos e fazem isso sob o formato de stands promocionais. Os consumidores comem os alimentos gratuitos com enorme satisfação, coisa que não fariam em nenhuma outra circunstância.

  • Isso provavelmente já aconteceu com você: comprou uma fruta “fresca” no mercado, e após um ou dois dias, notou que já havia aparecido uma macha de mofo desagradável. Não brigue com a sua geladeira ou culpe a si mesmo por não ter prestado atenção. Infelizmente, é muito frequente que frutas e legumes apodreçam no mercado e entrem na cesta dos clientes já estragados. Quando tais alimentos estragam, os funcionários podem apenas retirar a parte do mofo que esteja visível ou limpar com um pano para manter a aparência comercial. Mas os esporos de fungos penetram na fruta com muita facilidade e continuam a estragá-la por dentro. O que fazer? Examinar os produtos muito cuidadosamente e se lembrar de que alimentos de casca dura tendem a estragar mais lentamente, e os de pele macia apodrecem mais rápido. Por isso, por exemplo, se em uma cesta de tangerinas ou pêssegos você vir pelo menos uma fruta com algum bolor, evite fazer compras neste mercado. Nos supermercados, também, ninguém vai lembrar você de que os produtos que foram lavados (como batatas lavadas, por exemplo) têm uma validade muito mais curta do que os produtos não lavados (batatas sujas de terra, por exemplo). A umidade nas embalagens vai provocar a multiplicação de fungos e bactérias.

Direitos e deveres de cada cliente, dos quais muitas pessoas não têm conhecimento quando vão ao supermercado

  • Apesar de muitos estarem acostumados a não entrarem em mercados com sacolas de compras, deixarem-nas no guarda-volumes ou até serem forçados a lacrar sacolas, bolsas ou mochilas, saiba que isso não é obrigatório. Nenhum funcionário de supermercado têm o direito de forçar o cliente a lacrar suas sacolas ou deixar seus pertences em algum local. Se quiser entrar com sua bolsa da forma como está, por favor, não pense duas vezes. No entanto, na hora de pagar as suas compras no caixa, o segurança poderá pedir que você abra a bolsa para se certificar de que não esteja levando nenhum produto escondido.

  • Esta regra não está em nenhum balcão de informações e é pouco provável que alguém fale sobre ela como algo sério. Em lojas não-especializadas, você não pode testar nada além dos produtos para degustação ou de promoções especiais. Em particular, estamos falando de cosméticos. Não é permitido abrir tubos ou embalagens sem a indicação “teste”, nem mesmo para apenas verificar o conteúdo visualmente ou o cheiro. Se você violar a integridade do pacote de alguma forma, você poderá ter que pagar pelo valor total da mercadoria. Já houve casos de meninas que abriram perfumes e cremes para sentir o cheiro ou ver a textura e tiveram que pagar pelo produto depois.

  • Para aqueles que pensam que podem passar despercebidos, há uma observação interessante: em muitos mercados, além das câmeras, há também seguranças vestidos com roupas comuns, que vigiam as alas e buscam principalmente clientes que estejam agindo de forma estranha.

Quais as “armadilhas” de marketing ou peculiaridades dos supermercados você poderia adicionar a essa lista? Do que mais gostou? Comente!

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