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9 Motivos pelos quais crianças desobedientes se tornam donas das próprias vidas

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Muitos pais e psicólogos acreditam que cumprir o papel de pai ou mãe significa criar um filho obediente. Mas há quem esteja convencido de que justamente uma criança rebelde deve ser um motivo de alegria, uma vez que assim ela aprende a defender seu ponto de vista e a aceitar a si mesma, muitas vezes com os próprios erros. Como resultado, se torna um adulto inteligente e de mente aberta.

Por outro lado, seguir todas as convenções estabelecidas pelos pais pode resultar em problemas. No site russo Pikabu, por exemplo, é possível encontrar centenas de relatos de usuários se queixando de pontos da infância que os impediram de se sentir livres e felizes na vida adulta.

Nós, do Incrível.club, não incentivamos a criar crianças indisciplinadas. Nosso objetivo é mostrar a importância de deixá-las à vontade em determinados comportamentos, mas dentro de certos limites, é claro. Prestar mais atenção nos hábitos infantis mencionados abaixo pode ajudar a criar um indivíduo inteligente e autônomo. Confira!

Fazer tudo do próprio jeito e escolher as atividades mais prazerosas

É importante lembrar que os filhos são indivíduos únicos, embora pareçam puxar alguns traços dos pais. Tentar criar cópias de si mesmos ou projetar suas frustrações neles pode fazer com que detestem atividades forçadas. Entretanto, as crianças desobedientes começam a defender seus interesses desde cedo e frequentemente se tornam bem-sucedidas.

  • Quando eu era criança, meu pai disse: “Você nunca será um músico”. Assim, não frequentei escola de música, embora tenha habilidades artísticas. Apesar disso, comecei a tocar black metal na universidade, quando tinha 18 anos. Aprendi tudo do zero sozinho, escrevo músicas e trabalho como engenheiro de som. © aham / Pikabu
  • Meu pai era apaixonado por seu trabalho de motorista. A estrada era sua religião, e o carro, seu templo. É desnecessário dizer que ele tentava “passar” esse amor para mim e me levava à garagem para mexer no automóvel, mesmo contra minha vontade. Eu não tinha interesse em carros nem tenho agora. Nunca colecionei adesivos do chiclete “Turbo”, com imagens de veículos. Em vez disso, os dava para meus amigos que os adoravam. Não pedia para dirigir quando cresci nem tenho carteira de motorista. Meu pai me amava, mas dava para ver que ficou decepcionado, por isso sempre mantivemos distância. © TenUp / Pikabu
  • Quando foram lançados os primeiros telefones Siemens com tela colorida, comecei a tirar fotos, conversar pelo ICQ, jogar uma espécie do The Sims e editar fotos usando ferramentas primitivas do celular. Meus pais não gostavam nem entendiam o meu passatempo. Certa vez, até disseram que eu não servia para nada, a não ser para me tornar uma professora de Artes de Ensino Fundamental (como se fosse algo ruim), e então me convenceram a ingressar na faculdade de Pedagogia. Com o advento dos primeiros smartphones, me interessei por temas e papéis de parede para celular. Também achei vários launchers na Google Store e, a partir daí, comecei a procurar e baixar ícones para alterar a tela do telefone. Por fim, meus hobbies me levaram aonde estou agora: trabalho como designer de interface e tenho experiência na área de TI e de jogos para celular. © AnaChell / Pikabu

Desrespeitar os horários de atividade e descanso

Psicólogos afirmam que é essencial conciliar trabalho e descanso e aproveitar o repouso. Mas relaxar se torna difícil se estamos acostumados a horários apertados desde a infância e não aprendemos a descansar. Isso pode afetar a vida adulta, já que adotamos atividades com uma agenda mais flexível, mas continuamos sentindo culpa por acordar mais tarde no fim de semana, mesmo que não tenhamos nada planejado.

  • As frases mais ouvidas na minha infância: “Você vai sair só depois de fazer o dever de casa. Fez tudo? Bem, já está tarde demais para passear, então vai se encontrar com seus amigos amanhã”; “Não fique acordado até tarde porque precisa levantar cedo amanhã”; “Hoje é fim de semana? Não podemos ficar na casa do fulano por muito tempo, pois ainda temos muitas coisas para fazer e você precisa se preparar para as provas” e assim por diante. Mesmo adulto, não consigo descansar nem no fim de semana porque simplesmente acho que não tenho o direito de passar algum tempo descansando. © FloMaster / Pikabu
  • Na adolescência, seus pais proíbem você de dormir na casa de seus amigos e de sair de casa depois das 20h, monitoram suas conversas com meninos e incentivam a ser uma filha exemplar e ficar em casa. Mas depois que você completa 18 anos, perguntam por que não tem namorado nem amigos. © HeIIoSidney96 / Twitter

Rir ou falar alto em público

Durante a infância, você também era repreendido pelos seus pais por ter rido ou falado alto em local público, porque assim mostrava “falta de respeito”? É possível que, com o passar dos anos, muitas crianças tenham aprendido a se controlar, mas sofrendo colapsos mentais, depressão e passando por atos de rebeldia. É muito provável que restrições assim na infância estejam na raiz de alguns problemas emocionais que surgem na idade adulta. Já crianças desobedientes preferem não se conter e, assim, aprendem a expressar as emoções de forma mais adequada e a compreender os próprios sentimentos.

  • Minha mãe me proibia de rir: “Mocinhas bem-educadas não se comportam assim”. Eu também não podia chorar, porque, segundo ela, não havia motivos para isso: “Você está sempre bem vestida e não passa fome. De que mais precisa?”. Até mesmo falar alto estava na lista de restrições. Agora, tenho vergonha das minhas emoções e não sei como demonstrá-las. Quando me sinto mal, dou uma risada esquisita e, quando estou bem, começo a procurar um motivo de tristeza. Além disso, não sou capaz de agir sinceramente ao agradecer a alguém, pois imediatamente sinto vergonha dos meus sentimentos.
  • Na minha família, não era costume brigar. Evitávamos qualquer conversa séria. Pelo que me lembro, durante mais de 30 anos de casados, meus pais nunca elevaram a voz um com o outro nem me deixaram brigar com a minha irmã. Os conflitos se acumulavam, mas não eram discutidos. Em algum momento, simplesmente parei de sentir raiva ou alegria. Acho que o único sentimento forte que persistia era o medo. Assim eu vivia. Nenhuma novidade era capaz de me comover, os presentes não me agradavam, e eu não me incomodava com humilhações. Voltei a me sentir mais sensível quando me apaixonei à primeira vista pela minha esposa, mas, mesmo assim, minha alegria continuava forçada naquele tempo. O nascimento da minha filha descongelou um pouco o coração, e agora estou reaprendendo a interagir com o mundo.

Pensar fora da caixa

Quantas vezes você avisou seu filho que não se pode pegar o gato pela cauda ou tocar na chaleira quente? Provavelmente, mais de uma. E não é porque os pequenos não entendem de uma vez, mas porque são muito curiosos, o que é completamente normal. Porém, as contínuas proibições podem acabar com essa vontade de aprender. Crianças desobedientes, entretanto, são proativas e mais propensas a inovar.

  • Minha esposa estava fazendo uma atividade com nossos filhos trigêmeos de 4,5 anos. Eles deveriam escolher uma imagem de um meio de transporte: caminhão de lixo, táxi, ônibus ou avião. Ela, eu e dois dos filhos escolhemos o avião. O terceiro escolheu o caminhão, porque ele carrega lixo, e os outros transportes, passageiros. É um exemplo vivo de um pensamento extraordinário. © MAPEMAH / Pikabu
  • Comecei a me empolgar com a leitura ainda na infância. Aos 4 anos, li com entusiasmo a coleção Sítio do Pica Pau Amarelo e O Mágico de Oz, mas sem pressa, imaginando as histórias na cabeça. Infelizmente, minha professora de ensino fundamental decidiu que eu deveria aprender a ler mais rapidamente. Ela costumava me dar testes de velocidade de leitura e me envergonhava na frente de toda a turma por eu ler mais devagar do que os outros. Não importava que eu fosse o único a saber reproduzir de cor as passagens lidas e tivesse interesse por obras literárias do Ensino Médio. Ela me fez sentir tão constrangido que abandonei a leitura por um tempo. Mas depois decidi ignorar a opinião dela e fazer o que queria. No fim das contas, fui para uma escola avançada, com estudos aprofundados em Ciências Humanas, tirei a nota máxima nas provas de Literatura, me formei na universidade, consegui uma vaga na TV como editor e recebi vários prêmios por relatórios analíticos de qualidade.

Não ter medo de dizer “não”

Durante a infância, você também recusava alguns alimentos ou manchava roupas novas sem se preocupar muito com o que seus pais falariam? Esse tipo de comportamento não se trata de rebeldia. Aproximadamente aos 3 anos, a criança começa a expressar sua opinião e aprende a defendê-la. Se ela enfrentar inúmeras rejeições por parte dos pais, terá dificuldades de tomar atitudes independentes em qualquer ambiente. Por outro lado, as que são desobedientes simplesmente não enfrentam esse tipo de problema.

  • Certa vez, eu estava ajudando o meu filho, que estudava no primeiro ano de escola, a se preparar para uma prova voltada para o tema “Espaço”. Li no livro dele que “o espaço é infinito”. Meu filho, muito apaixonado pelo assunto, disse: “Mãe, eu não concordo. Ninguém pode afirmar que o espaço não tem fronteiras, pois o Universo é enorme, e não se sabe o quão grande é e onde termina”. Tentei convencê-lo do contrário para que ele respondesse corretamente no teste, mas o pequeno insistiu. Desesperada, perguntei: “Como você vai responder na prova de amanhã?” Ele disse: “Vou responder de acordo com o livro, é claro. Eu só quis expressar a minha própria opinião”. Dei um beijo na testa dele. Espero que continue tão firme e inteligente para defender seu ponto de vista, mesmo depois de crescer. © Bimiboo / Pikabu

Manter a própria identidade, apesar das críticas alheias

É importante saber ouvir a opinião dos outros, e quanto mais crítica ela for, melhor, mas apenas se não vier dos pais. Frequentemente, a autoestima infantil depende do amor parental. Então, se os pais fazem constantes críticas ao filho, ele deixa de ser confiante e tenta conquistar o afeto dos familiares, mudando a si mesmo para agradá-los. Dessa maneira, corre o risco de perder sua essência.

Mas quando as crianças sabem que seus pais vão amá-las de qualquer maneira, à medida que amadurecem fazem de tudo para ser a melhor versão de si mesmas, baseando-se apenas nos próprios interesses.

  • Não consigo olhar no espelho sem querer dar um tapa na minha própria cara. E quando passo a gostar da minha aparência (isso acontece raramente), minha mãe diz: “Pare de se admirar”, deixando-me envergonhada. © Fangirltory / Twitter
  • Minha amiga de infância estudava em um a escola de música. No início, ia desmotivada para as aulas, mas depois passou a gostar delas e se formou com sucesso. Ouvi falar que tinha uma voz muito bonita. Após o nono ano do ensino médio, ela disse que iria largar os estudos porque “era tola e não entraria na universidade”. A garota tirou boas notas nas provas finais, tinha uma bela voz e era inteligente, mas se achava incapaz. Acontece que foi sua mãe, profissional de limpeza e sem formação superior, que a fez acreditar em sua incapacidade intelectual. No final, minha amiga fez um curso técnico e trabalha como vendedora de carne há 17 anos. © Esterly / Pikabu

Insistir para conseguir o que deseja

Via de regra, crianças indisciplinadas conseguem a permissão dos pais para ir ao baile ou ficar na casa dos amigos a qualquer custo. Os pequenos precisam ter seu próprio “espaço de liberdade”, onde podem tomar decisões de forma autônoma, caso contrário podem se ter problemas na idade adulta e quando começarem a morar sozinhos.

  • Na infância, fui convencida de que tinha de vestir roupas usadas ou costuradas pela minha mãe, que, sem dúvida, eram lindas. Assim, até me tornar adulta, não sabia como fazer compras, porque a minha mãe não aprovava as peças que eu gostava. Então, eu escolhia itens por algumas características que, na verdade, não me interessavam muito: o material, a marca, um grande desconto... Agora entendo que vestia roupas extremamente desconfortáveis e feias. Por que eu fazia isso? Não sei, mas ainda tenho medo de fazer uma escolha errada, por isso costumo passar horas andando em círculos pelo shopping© _vanswan / Twitter

Sentir-se à vontade para falar sobre um mal-estar físico

Você se lembra de quando era pequeno e, às vezes, sentia uma dor de cabeça ou de estômago tão forte que era impossível ir para a escola, mas seus pais o obrigavam a sair de casa mesmo assim? “Você vai sair e a dor vai passar”. Os adultos deveriam saber que a falta de sintomas graves não significa que a criança esteja simulando a dor. E aquelas que são mais teimosas tendem a desobedecer os pais quando realmente se sentem mal.

  • Na maioria dos casos, os pais são responsáveis ​​pelos transtornos alimentares de seus filhos. Basta lembrar algumas das frases mais comuns: “Não vai sair da mesa até comer tudo”, “só vai ficar forte se comer todo o prato”, “se comer mal, sua mãe vai ficar doente” e “se comer muito doce, não vai passar pela porta”. © nufrolofff / Twitter
  • Quando meu filho tinha 1,5 ano, abri mão do carrinho de bebê. Era difícil carregá-lo: poucos lugares possuíam rampas, muitas passagens eram estreitas e o próprio carrinho era pesado. Meu filho tinha de caminhar muito e era capaz de aguentar uma caminhada lenta de cinco horas, eventualmente subindo nas minhas costas. Aos 2,5 anos, ele ia junto comigo para um mercado que ficava a 3,5 km da nossa casa no interior. Nunca reclamou nem choramingou. Depois de um ano, quando estávamos voltando desse mercado, ele disse: “Mãe, estou cansado”. Fiquei surpresa: “Como assim? Você nunca cansa quando caminhamos a essa distância”. Então o pequeno olhou para mim profundamente: “Sim, porque antes eu não sabia falar”. © Bakkara / Pikabu

Não obedecer cegamente aos mais velhos

“É necessário respeitar os mais velhos” e “responder para os adultos é falta de educação” são algumas das frases mais ouvidas pelas crianças. Infelizmente, isso expõe as crianças ao perigo, já que a criança vai crescer acreditando que deve obedecer a qualquer adulto e, quando um desconhecido pedir algo, mesmo que seja uma ajuda “inocente”, a criança vai se sentir obrigada a fazer. As crianças devem ter em mente que um adulto jamais irá pedir informações à uma criança e que ela não deve obedecer ao pedido de entrar em um carro apenas porque veio de uma pessoa mais velha. Ou seja, se os pequenos obedecerem aos adultos sem questionar, vão estar ainda mais expostos ao perigo.

  • Todos nós ensinamos nossos filhos a não falar com estranhos nem aceitar presentes deles na nossa ausência. Minha filha acabou de completar 10 anos e, apesar de todas as conversas diárias referentes ao assunto, eu não tinha certeza de que ela tinha aprendido e como se comportaria com desconhecidos. Pedi que um amigo meu, que a minha filha não conhecia, falasse com ela quando estivesse sozinha. Quando chegou o dia do encontro, ele se aproximou dela, começou a conversar e... ela contou tudo — onde e com quem mora, como se chama e quais são os nomes dos pais dela! Mas antes de entrar em detalhes, tinha avisado: “Minha mãe não me deixa falar com estranhos e vai voltar logo, então vamos conversar rápido!” © kinanebudet / Pikabu

Com qual frequência seus filhos reagem às suas restrições e proibições? Conte-nos sobre sua experiência como pai ou mãe. Ou talvez você mesmo fosse uma criança rebelde e quer confirmar ou discordar do que foi dito acima? Compartilhe sua opinião nos comentários!

Imagem de capa artcomstudio / Pixabay
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