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7 Sons que muitos brasileiros reconhecem de longe

O brasileiro é conhecido por ser um povo alegre e extrovertido. Apesar de vivermos em um país gigante e, portanto, plural, os traços comuns da nossa cultura se refletem nas ruas: tem vizinho conversando, música alta, carro de som, carburador estalando e outros ruídos urbanos que dão vida às cidades e mostram um pouquinho do nosso jeito de ser.

Incrível.club fez uma lista de músicas, vinhetas e outros sons que nos fazem sentir em casa e despertam emoções. Confira o que sabemos sobre cada um deles.

Música do gás

Não podíamos escolher outro exemplo para começar essa lista que não fosse a música do caminhão de gás! Ela está presente em grande parte do nosso território e já virou até funk.

A sua criação foi em 1989, na tentativa de acabar com o “buzinaço” e a gritaria “Ó o gás” dos vendedores de gás, quando a Ultragaz contratou o compositor Hélio Ziskind para desenvolver um tema para a empresa.

Ziskind utilizou-se das notas de Für Elise, de Ludwig van Beethoven, para compor Sinos das Ruas, que mistura o som produzido por botijões de gás batendo com violino e flauta.

A prefeitura de São Paulo gostou da ideia e decidiu proibir o uso de buzina por caminhões de gás para anunciar a sua passagem pelas ruas da cidade, forçando a concorrência da Ultragaz a buscar uma solução. A princípio, outras notas clássicas podiam ser ouvidas, mas Für Elise logo se tornou unanimidade.

O que será que Beethoven pensaria sobre isso? O fato é que a sua obra erudita se tornou muito popular por aqui. Isso é bom, não?

Jingle pamonha de Piracicaba

“Olha aí, olha aí, freguesia. São as deliciosas pamonhas de Piracicaba. Pamonhas fresquinhas, pamonhas caseiras. É o puro creme do milho verde.”

Apesar de não estar presente em todas as localidade do Brasil, o jingle da pamonha de Piracicaba, cidade do interior paulista, se espalhou pelo país e se tornou tão popular que também pode ser considerado um clássico das ruas brasileiras.

O consumo do doce é uma tradição centenária na região, que é produtora de milho. A pamonha começou a ser vendida nas ruas de Piracicaba nos anos 1950 pela família Rodrigues e logo se tornou um sucesso.

Na década de 1970, eram produzidas milhares de unidades por dia e distribuídas a vendedores, que anunciavam a sua chegada usando um microfone conectado a um alto falante ou de outras formas.

Para acelerar as vendas e descansar a voz, o jingle foi gravado por Dirceu Bigelli, um vendedor da cidade de Piracicaba, que, além de comercializar pamonhas, passou a vender o seu jingle, que é utilizado até hoje.

Carsystem

“Atenção: este veículo está sendo roubado e é monitorado pela Carsystem. Ligue para 0800 772 72 71. Obrigado!” O barulhento alarme da empresa de monitoramento e recuperação de veículos, Carsystem, é marca registrada nas ruas de algumas regiões do país.

O aviso antirroubo foi criado pela sua fundadora Graça Costa em 2001 e até hoje pode ser ouvido em algumas cidades. No começo dos anos 2000, ele era muito presente, evidenciando o crescimento acelerado da empresa nessa década.

Além de avisar dos roubos, o alarme também serve como ferramenta de marketing, pois, pelo bem ou pelo mal, não sai da cabeça das pessoas, tanto é que virou meme (como você pode ver acima).

Flauta do amolador de faca

Quem nunca ouviu o apito característico da flauta de pan (ou flauta de pã), que anuncia a chegada do amolador de facas, tesouras e alicates? Cada vez mais raros, chega a dar uma nostalgia quando passa.

Geralmente eles vêm em uma bicicleta adaptada, ou até mesmo a pé, carregando o seu instrumento de trabalho, que parece com uma bicicleta e afia lâminas guiadas pela agilidade das mãos do amolador.

Esses profissionais não são exclusividade das ruas brasileiras, bem pelo contrário. Acredita-se que o ofício tenha surgido na Galícia, região da Espanha, se espalhado por Portugal, outros países da Europa e pelo resto do mundo, chegando também ao Brasil.

Vinheta do plantão da Globo

Um pouco diferente dos exemplos anteriores, a vinheta do plantão da Rede Globo não está nas ruas, mas nas casas de todos os brasileiros que têm acesso à TV aberta.

No ar desde 1991, o plantão traz notícias urgentes e importantes, sejam elas boas ou ruins. Com o tempo, a vinheta passou a ser naturalmente a causadora de uma certa apreensão e de um friozinho na barriga de muita gente:

Antes disso, quando a emissora queria passar uma informação importante, ela colocava no ar o selo referente ao telejornal daquela faixa de horário. Por exemplo, se o informe acontecesse à tarde, a notícia era atribuída ao Jornal Hoje. Quando anoitecia, era a vez do Jornal Nacional e assim por diante.

Para a criação da vinheta, a Rede Globo fez um concurso interno, que teve o músico João Nabuco como vencedor. Desde então, a música é a mesma. Já a animação, de Hans Donner, é alterada de acordo com as mudanças visuais na identidade da marca.

Chamada a cobrar

Eu: “Chamada a cobrar: diga seu nome e a cidade de onde está falando”.
Minha amiga: “Chamada a cobrar: para aceitá-la, continue na linha após a identificação”.

Até o começo dos anos 2000, o mundo era dividido entre dois tipos de pessoas: as que usavam o obsoleto orelhão ou um celular sem crédito para fazer uma chamada a cobrar e as que recebiam essas chamadas.

Com os smartphones, essas ligações são cada vez mais incomuns, mas ainda estão disponíveis e não vamos nos esquecer tão cedo da melodia seguida da voz que introduzia a ligação.

A música foi criada em 1987 pelo engenheiro de som Carlos Freitas, a pedido do diretor da empresa Telepar. Já a voz pertence à locutora Patrícia Godoy (foto acima). A vinheta foi ao ar pela primeira vez em 1988 e segue inalterada.

Canto do bem-te-vi

Para terminar, não podia faltar nessa lista o canto do bem-te-vi, que dá origem ao seu próprio nome. O bem-te-vi é uma das aves mais populares do Brasil, tanto que inspirou poemasmúsicas populares.

Bastante adaptável, essa ave pode ser encontrada em toda a América Latina, tanto em zonas urbanas como rurais, matas e florestas. Quando está nas cidades, o bem-te-vi pode usar papel, plástico e fios para fazer o seu ninho. Se estiver em matas, ele opta pela forma tradicional, com galhos e folhas.

Outra curiosidade é o fato de o bem-te-vi ser briguento. Apesar da sua aparência fofa e inofensiva, é comum vê-lo enfrentando urubus, gaviões e até seres humanos quando se sente ameaçado.

Qual som muito presente no Brasil você é capaz de reconhecer de longe, desperta emoções e te faz sentir em casa? Conte nos comentários.

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