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20+ Fatos sobre mulheres que entraram no mercado de trabalho no século XIX (mesmo que secretamente)

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No mundo moderno, os direitos da mulher no mercado de trabalho são incontestáveis em muitos países, embora, mesmo no século XXI, a discriminação profissional não tenha sido erradicada: tal preconceito ainda interfere na escolha da profissão, carreira e no salário, fatores que continuam dependendo do gênero. E o que falar do século XIX, quando as mulheres já estavam lutando pelos seus direitos, mas a sociedade ditava outras regras? Naquela época, o trabalho feminino não era levado a sério e estava fora de discussão.

No Incrível.club, ficamos interessados ​​na participação das mulheres no mercado profissional no século XIX, baseando-nos na história do Império Russo, e descobrimos por que algumas ocupações eram proibidas de ser discutidas em público. Confira!

Trabalho invisível

  • Tanto plebeias quanto nobres deviam ser muito hábeis para que fossem capazes de cuidar de sua família e do lar — pode-se até dizer que dominavam várias profissões. Os conhecimentos adquiridos poderiam ser úteis mais tarde. Porém, embora as plebeias pudessem ser oficialmente empregadas, as nobres escolhiam trabalhar apenas por necessidade ou por uma questão de princípios, sem contar para ninguém.

  • Ou seja, as mulheres da nobreza atuavam em ramos específicos se não estivessem dispostas às críticas e ao afastamento da sociedade e de suas famílias. Por exemplo, profissões como governanta, professora e telegrafista eram consideradas relativamente respeitadas. Mas lavar roupa, cultivar vegetais e verduras para venda ou vender comida de rua significava que a mulher não tinha outra escolha. Discutir isso era tão embaraçoso quanto confessar um roubo ou um pedido de esmola.

  • No entanto, o trabalho manual não era facilmente acessível para mulheres. Nas grandes cidades do Império Russo, havia associações especiais, as guildas, nas quais elas não eram bem-vindas. Portanto, a escolha profissional era muito restrita, e as ocupações consideradas femininas eram as de vendedora de leite, de peixes, de bolos e de outros alimentos, costureira, bordadeira, etc.

  • No século XIX, embora os homens alfaiates predominassem na indústria da moda, o que eles realmente faziam era receber pedidos, se comunicar com clientes e controlar todos os processos — desde o corte até a costura. Mas eram as mulheres, empregadas “invisíveis”, que costuravam as roupas. Em sua maioria, eram solteiras que não saíam de casa, dedicando todo o tempo à costura, em troca de uma ninharia.

  • Ao mesmo tempo, eram as casadas, com filhos ou viúvas, que faziam o conserto de roupas, um negócio que também não lhes rendia muito dinheiro.

  • Era humilhante para uma nobre ser chamada de costureira. Havia uma regra na alta sociedade: ela podia costurar roupas a pedido, mas chamá-la de costureira era considerado falta de respeito. Em uma conversa, era admissível mencionar que a mulher fazia costuras, dando a entender que estava disposta a novos pedidos.

  • Mais um trabalho invisível para as plebeias, mas respeitoso, era o de ama de leite. O leite das loiras era considerado mais saudável do que o das ruivas, e esse foi o critério principal para escolher uma candidata. Além de seu filho, a mãe que recém tinha dado à luz podia amamentar outras crianças também. Frequentemente, uma ama de leite era contratada pelas damas nobres que se recusavam a amamentar seus filhos. Trabalhando em uma família de classe alta, ela podia contar com o apoio financeiro e uma pensão pelo resto de sua vida — essa era a regra tácita.

Trabalho pesado

  • Quanto ao trabalho pesado, a representatividade feminina na agricultura era significativa. Arar o terreno, cultivar plantas, fazer a colheita e cuidar do gado eram as responsabilidades das mulheres do campo, ensinadas desde a infância, além de servir sua grande família e fazer tarefas domésticas.

  • Mas as habitantes de zonas urbanas de classe baixa também faziam algum tipo de trabalho pesado, comprometendo sua saúde. Por exemplo, existia uma categoria de lavadeiras que lavavam várias roupas para uma mesma pessoa. Normalmente, elas tinham um grande volume de trabalho e constantemente corriam risco de lesões: o álcali deixava queimaduras ao entrar em contato com a pele e as mucosas, e as articulações doíam por manter o corpo em uma posição desconfortável por muito tempo, torcer as roupas com as mãos e carregar objetos pesados. Quem aceitava esse tipo de ocupação o fazia principalmente por desespero ou para ficar no cargo temporariamente.

  • Mesmo parecendo uma ocupação inadequada para elas, as mulheres compunham uma grande porcentagem entre os carregadores, fazendo o trabalho mais duro nos portos.

  • Elas também escolhiam atuar como mineiras, principalmente na superfície, na triagem, mas às vezes desciam para atuar diretamente nas minas, embora a exploração do trabalho feminino e infantil debaixo da terra fosse proibida por lei em muitos países.

Ciência e arte

  • Embora a educação domiciliar fosse bastante comum entre famílias nobres, era possível ingressar em uma instituição apenas em outras partes da Europa. Portanto, no século XIX, o número de mulheres cientistas na Rússia era muito pequeno. Por exemplo, o país teve uma das primeiras químicas, Vera Popova, apenas no final do século XIX. Ela conseguiu obter sucesso profissional nessa área porque era filha de um cirurgião famoso e estudou em Genebra.

  • Trabalhar como artista plástica também era difícil de conseguir, diferentemente das profissões de atriz e cantora, consideradas “femininas”. Embora “toda menina decente” aprendesse a desenhar com governantas, o treinamento profissional para mulheres teve início no final da década de 1830, quando começaram as aulas de desenho para garotas na Sociedade Imperial de Incentivo às Artes.

  • Mas esses preconceitos demoraram a desaparecer. Por exemplo, as aulas de desenho técnico eram excluídas das matérias ensinadas para mulheres, porque acreditava-se que elas não aplicariam esses conhecimentos ao seu trabalho. Em vez disso, as técnicas de paisagem eram priorizadas, mesmo que nas aulas para homens fossem ensinadas superficialmente, por não serem consideradas sérias.

  • As primeiras a ingressarem na Academia de Belas Artes foram 30 alunas ouvintes. No entanto, as mulheres tiveram permissão de estudar na faculdade de arquitetura, para conseguir uma profissão de “responsabilidade mais alta”, apenas a partir de 1903.

  • Já as plebeias precisaram esperar mais tempo até que tiveram o direito ao Ensino Superior, por isso as que aspiravam à carreira de artista eram autodidatas ou trabalhavam em áreas relacionadas, como chapeleiras, bordadeiras, fazendo bonecas e esculpindo em madeira e osso ou afins.

  • Muitas nobres também ganhavam dinheiro, mas secretamente. Elas reescreviam textos, faziam tradução e revisão. Acreditava-se que quem conseguia entrar na editoria de uma revista ou jornal e escrevia artigos tinha muito sucesso, porque nem todo editor gostava de trabalhar com mulheres.

O momento revolucionário na percepção do trabalho feminino

  • Acredita-se que o entendimento de que elas deveriam ter direito de estudar e trabalhar começou com o estabelecimento da primeira organização feminina, a Sociedade Patriótica das Mulheres, em 1812, cuja finalidade era cuidar de crianças carentes e órfãos. O exemplo daquelas que estavam envolvidas não apenas na criação de sua família, mas em um negócio beneficente para a sociedade, serviu como impulso para o passo seguinte na emancipação feminina. Afinal, as profissionais em uma área específica tinham despertado desconfiança até essa época. Mas o verdadeiro processo de emancipação teve início depois de 1860, quando a Reforma Emancipadora foi adotada pelo Imperador da Rússia, Alexandre II.

  • Em teoria, as mulheres tiveram acesso à educação na época de Catarina, a Grande, quando foi criado o Instituto Smolny de Nobres Donzelas em São Petersburgo, em 1764, mas sem a perspectiva de trabalhar no futuro. Desde 1862, quando surgiram os quatro primeiros colégios estatais, a educação deixou de ser um privilégio dos homens. Posteriormente, começaram a aparecer colégios particulares.

  • As mulheres, de forma aberta e sem que fossem julgadas, poderiam estudar para se tornar paramédicas, parteiras, telegrafistas, contabilistas e professoras. Elas também começaram a abrir seus negócios, por exemplo, editoriais. Em 1863, a primeira e única associação cooperativa de tradução e publicação feminina na história da Rússia foi fundada em São Petersburgo. As proprietárias eram duas amigas que decidiram publicar livros, aprendendo todas as peculiaridades desse trabalho.

  • No século XX, após a Revolução Russa de 1917, gradualmente os direitos trabalhistas femininos foram integrados aos mecanismos dos direitos humanos e, desde então, as mulheres podiam escolher uma profissão, embora os preconceitos durassem por muito tempo.

Nós gostamos de mergulhar na história da luta pelos direitos trabalhistas das mulheres e descobrir muitos fatos curiosos. Em sua opinião, quais restrições elas ainda enfrentam na sociedade atual?

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