10+ Mitos sobre subculturas que contribuíram para que muitos pais não entendessem a juventude de seus filhos

O conceito de “tribos urbanas” e “subculturas” surgiu em meados do século XX para designar diversos grupos sociais que se formavam nas grandes cidades. Uns que assistem a animes; outros que tingem os cabelos com cores vibrantes e diferentes; e outros, ainda, que se aventuram no mundo do K-POP. Infelizmente, a cultura dominante da sociedade nem sempre aceitou tais ramificações como forma legítima de entretenimento e autoconhecimento.

É difícil falar sobre todos os movimentos juvenis em uma só matéria. Mas, nós, do Incrível.club, adoramos um desafio e, por isso, decidimos desbancar os mitos mais comuns associados a algumas subculturas. Acompanhe!

Mito № 1: até os anos 50 não havia subculturas

Do ponto de vista científico, subcultura é um conceito muito amplo e forma-se não apenas com base no gosto musical. Outros fatores podem gerar subculturas, como, por exemplo, profissão ou etnia. Por isso, podemos dizer que as subculturas existem desde que a humanidade existe: diásporas, salões literários do século XVII e XVIII, agrupamentos profissionais. Cada um desses grupos tem interesses em comum, certo vocabulário específico e valores.

No final dos anos 40, surgiu a primeira “tribo urbana”, no sentido em que a compreendemos hoje: os beatniks. O termo era usado para descrever aqueles que não se preocupavam muito com conforto, viajavam bastante e se vestiam de forma descuidada. As origens desse movimento sociocultural estão na literatura da Geração Beat — assim eram chamados alguns poetas e escritores norte-americanos, que levavam um estilo de vida antimaterialista. Podemos citar alguns representantes: William Burrows e Jack Kerouac.

Nos anos 50, no Reino Unido, surgiram os Teddy Boy; e na França, os Blouson Noir. Em geral, são pessoas de famílias de baixa renda e fãs de rock and roll. O estilo de roupa geralmente incluía calças estreitas, gravatas finas e sapatos em plataforma. E eles se inspiravam nas roupas de dançarinos. Meninas, muitas vezes, costuravam as próprias roupas: buscavam tanto reproduzir o estilo fielmente quanto protestar contra o ascetismo do pós-guerra.

Por volta da mesma época, houve também o nascimento dos Stilyagi — grupo de jovens soviéticos contra o governo vigente. Eles usavam roupas chamativas de marcas estrangeiras e estilos adversos à moda local daquele momento. Além disso, escutavam estilos musicais ocidentais (jazz, R&B) e tinham fascinação por culturas estrangeiras. Para substituir os Teddy Boy em Londres, apareceram os Mods (diminutivo da palavra modernist — “modernista”). Essa subcultura também se formou em torno da música (jazz, ska, R&B) e do visual.

Mito № 2: os hippies são defensores de um estilo de vida desordenado

Hippies são frequentemente associados ao amor livre, o que é apenas parcialmente verdade: os representantes dessa contracultura realmente não tinham os mesmos ideais tradicionais de seus pais. Mas, ao mesmo tempo, houve uma libertação da moral e mudanças no conceito de intimidade com o passar do tempo na sociedade como um todo. Portanto, representantes de diversos grupos sociais (incluindo os hippies) começaram a explorar tópicos anteriormente vistos como tabu.

Apesar disso, era possível encontrar muitos hippies vivendo relações monogâmicas. De acordo com o depoimento de um hippie, até mesmo nudez era raridade. Durante as festas, eles podiam ser livres para testar diversos experimentos, mas, no dia seguinte, tudo voltava ao normal.

Mito № 3: skinheads são agressivos

Os skinheads apareceram nos anos 60 como uma ramificação da subcultura Mod (os primeiros skinheads ainda se chamava de “hard mods”). A primeira onda do movimento começou com jovens da classe operária. Eles usavam o cabelo raspado, calças jeans, as famosas botas pesadas Dr. Martens e suspensórios. Davam também preferência a certos estilos musicais, como o ska, o reggae e — na década seguinte — o punk rock e o seu subgênero Oi!

A agressão e o preconceito racial apareceram somente na segunda onda do movimento skinhead, principalmente devido à crise econômica que se espalhava pela Inglaterra na época; e representava apenas uma subdivisão pequena de um grupo maior. Inicialmente, o posicionamento político não era um elemento significativo, por isso, os skinheads nem sempre compartilhavam as mesmas opiniões sobre o assunto. Há correntes, ainda, que se manifestam abertamente contra a discriminação, como, por exemplo, os SHARP (Skinheads Against Racial Prejudice — “Skinheads Contra o Preconceito Racial”).

Mito № 4: punks negligenciam a higiene e o materialismo

Nada disso faz parte da cultura punk (anos 70). É importante lembrar que ser anti-higiênico e levar uma vida desordenada são características que qualquer pessoa pode ter, independentemente da idade, gênero ou afinidade a uma determinada subcultura.

Foi no punk que nasceu o movimento Straight Edge como uma reação aos valores da sociedade de consumo e de permissividade. Os straight edgers não usam entorpecentes, nicotina ou substâncias ilegais, pelo contrário, muitos ainda se opõem vigorosamente a tal estilo de vida.

Além do amor ao punk rock (street punk, anarcopunk e outras subdivisões) e à expressão visual, os representantes dessa subcultura também exploram o conceito de DIY (do inglês Do It Yourself — “faça você mesmo). Organizam desde concertos de música até diversos tipos de eventos beneficentes. Há pouco tempo, por exemplo, um grupo de punks consertou uma pista velha em um parque infantil. Mais tarde, alguns jovens realizaram uma campanha intitulada Food not Bombs (“Comida em vez de bombas”) a fim de oferecer comida gratuita aos mais necessitados.

Mito № 5: góticos são românticos depressivos

A subcultura gótica se iniciou dentro do movimento punk no início dos anos 80, por isso ambas mobilizações têm características em comum. Ao contrário dos estereótipos, os góticos não têm nenhuma ideologia e não necessariamente expressam comportamentos depressivos e melancólicos. Para os amantes da literatura subversiva, filmes de terror, poemas melancólicos e outras produções “obscuras”, existe o termo darkling (do inglês darkly inclined — “inclinado à obscuridade”).

Mas o que faz uma pessoa ser gótica? Duas coisas. Primeira: amor pela música (rock gótico, death rock, punk gótico e outras mais). Segunda: estilo de roupa. Uma das músicas góticas mais populares é Bela Lugosi’s Dead, da banda inglesa Bauhaus. A canção foi escrita como uma paródia aos filmes de terror. Como os punks, muitos góticos preferem o modelo de DIY e, se possível, apoiam músicos independentes financeiramente.

Mito № 6: metaleiros são adoradores do diabo

A subcultura dos metaleiros (também chamados de metalheads) tem sua origem nos anos 70 e também não exprime uma ideologia específica (exceto para a vertente extremista Black Metal). Os amantes de heavy metal são unidos por uma escolha de visual bem marcante. A temática das músicas, no entanto, depende muito do subgênero: o power metal é caracterizado por uma temática de fantasia com algumas influências de música clássica; o crustgrindcore (gêneros da união do metal e punk) abordam temas de injustiça social; o black metal atmosférico reflete sobre a beleza da natureza.

As letras das músicas de alguns subgêneros podem parecer apavorantes para um ouvido não treinado, mas o todo deve ser percebido como apenas mais uma forma artística de se expressar. Assemelham-se ao efeito de muitos filmes de terror: materiais densos e viscerais ajudam a eliminar pensamentos negativos acumulados. Em outras palavras, a música pode criar o mesmo ambiente místico e fantasioso de suspenses e horrores, que não são, de forma alguma, fontes de apologia à violência.

Mito № 7: emos são adolescentes chorosos que sofrem por um amor não correspondido

Você sabia que a subcultura emo surgiu muito antes de 2007? Pois é, esse gênero se originou no punk hardcore e pós-hardcore, em meados dos anos 80. A cultura emo foi influenciada por bandas como Black Flag e Minor Threat. Aliás, esta última compôs a música Straight Edge, que se tornou um símbolo para o movimento de mesmo nome mencionado acima.

A forma de se apresentar é distinguida pela intensidade das emoções do artista, daí o nome “emo” (das palavras “emoção”, “emocional”). Algumas bandas, também, fazem uso do “scream”, que é uma alteração vocal parecida com um grito. As letras das composições realmente podem abordar temas como a infelicidade amorosa e outros sofrimentos da experiência humana, mas tudo isso nada mais é do que outra forma de expressão artística.

Mito № 8: cosplay e reencenação histórica são a mesma coisa

De fato, são subculturas interligadas, mas têm diferenças. Primeiro, o cosplay, que virou um fenômeno nos anos 80, consiste em interpretar personagens (inclusive históricos) de acordo com personagens descritos em livros — baseando-se, por exemplo, em obras de J.R.R. Tolkien ou Star Wars.

Por outro lado, a reencenação histórica busca recriar eventos históricos mantendo-se fiel aos seus elementos. Para eles, o mais importante é a autenticidade histórica e, por isso, dão maior atenção aos detalhes do evento, além das roupas, localizações e dos materiais escolhidos.

Mito № 9: rap é um gênero musical da classe baixa

O preconceito ainda existe: por causa das letras politizadas e das apresentações impactantes, muitos pensam que o rap é um gênero voltado aos adolescentes com tendências criminosas. Na verdade, nem sempre se trata de abordagens hooligans (para isso existe um outro estilo — gangstar rap). Rappers, como artistas de todos os outros gêneros musicais, falam sobre tudo: sociedade, política, experiências pessoais, entre outros assuntos.

beat (batida na qual o rapper lê o texto) é apenas um elemento do estilo e acrescenta ao lirismo da música. Pode-se considerar que o movimento faz uma fusão da literatura com um acompanhamento musical, isto é, a melodeclamação. Por isso, os versos são os elementos mais significativos, muitos dos quais podem se assemelhar aos versos de poetas famosos da literatura.

Mito № 10: não há outras subculturas

Tribos urbanas, ou subculturas, não se formam apenas em torno de gêneros musicais. Muitas vezes pessoas se unem por outros interesses em comum. Exploradores urbanos, que frequentam fábricas abandonadas, cidades esquecidas e outros locais similares, podem também fazer parte de uma subcultura. Outro exemplo: rooftoppers, ou seja, pessoas que gostam de subir no topo de prédios em busca de aventuras e fotos incríveis. Filmam suas caminhadas perigosas e alguns, até, realizam acrobacias arriscadas.

Grafiteiros também fazem parte de uma subcultura. São frequentemente confundidos com os jovens vândalos, que escrevem coisas ininteligíveis nas paredes de prédios. Por meio de suas pinturas, os grafiteiros chamam a atenção para importantes temas sociais, além de repaginarem o espaço urbano. No entanto, o debate sobre se o grafite é arte ou vandalismo ainda continua, mas isso não impediu a realização de festivais temáticos, como o Mural (Canadá) ou o Meeting of Styles (Dinamarca).

Mito № 11: subculturas são apenas para jovens

Esse estereótipo também está longe da realidade. De fato, com a idade, há cada vez menos tempo para passar com os amigos. Por outro lado, porém, o amor pela música ou pela arte não depende da idade, e os frutos do trabalho nos permitem manter qualquer hobby com mais facilidade. É por isso que há sempre muitas pessoas acima dos 30 anos em diversos festivais temáticos. Em muitos encontros, também, a maior parte dos visitantes é mais velha.

Mito № 12: novas subculturas não surgem mais

Subculturas continuam prosperando até hoje: concertos, festivais, festas, cosplay, reencenações históricas e outros eventos temáticos recebem novos integrantes anualmente. Novas “tribos urbanas” também surgem, mas não se tornam tão significativas hoje, como se tornavam algumas décadas (ou anos) atrás.

Talvez isso se deva à disseminação das interações virtuais, graças às quais os jovens de hoje têm maior acesso à comunicação e à autoexpressão do que as gerações passadas. Outro motivo: pode ser que haja subculturas demais nos dias de hoje e criar algo novo seria mais difícil. Se analisarmos a História, as grandes subculturas surgiram por volta da mesma época — nos anos 60-80.

Agora queremos saber: você se considera parte de alguma subcultura? Se sim, qual? E quais as tribos urbanas você se sente mais atraído ou das quais se sente mais distante? Comente!

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